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Por risco iminente de desmoronamento do edifício, Águias d’Ouro foi encerrado

 E na manhã desta quarta-feira, 12 de Junho, um aviso colocado à porta do Café Restaurante Águias d’Ouro apanhou todos de surpresa.

De acordo com uma publicação efectuada pela gerência do Águias d’Ouro na rede social Facebook, “por despacho do Município de Estremoz”, datado de 05 de Junho, “de acordo com o ofício nº 4794”, foi decretado “o encerramento imediato do nosso estabelecimento, sem direito a audição prévia, pelo facto de se tratar de uma situação de elevado grau de perigosidade”, uma vez que segundo a autarquia existe “risco iminente de desmoronamento do edifício”.

Na mesma publicação, a gerência de um dos mais emblemáticos espaços de restauração de Estremoz refere que irá “acatar a decisão”, até porque segundo os mesmos não lhe “foram dadas alternativas”. A gerência estranha “o timing desta súbita decisão” visto que a situação “era acompanhada pelo Município de Estremoz há mais de dois anos”, acrescentando que “tudo mudou de repente agora”, em pleno Verão, salientando que “no Inverno, quando choveram grandes quantidades de água, pelos vistos, não existia risco nenhum”.

A gerência do Águias d’Ouro acrescenta ainda que “as obras são da responsabilidade da empresa proprietária do edifício, a Aromatis – Inversiones Imobiliárias, e não da empresa que explora o espaço para restauração”.

Durante a reunião de Câmara, realizada no dia de hoje, quarta-feira, quando confrontado com este encerramento imediato por parte do vereador do Movimento Independente por Estremoz (MiETZ), Nuno Rato, e tomando como base o perigo de derrocada, qual a situação dos edifícios contíguos ao Águias d’Ouro e o porquê da não interdição da via pública, o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz afirmou que “esta situação não é de agora, já vem de alguns anos atrás”, salientando que “houve uma primeira vistoria, que tinha a ver com as estruturas e com uma série de deficiências que foram sinalizadas, e houve relatórios que foram feitos e uma série de compromissos que, tendo em vista a salvaguarda da segurança da estrutura, foram comunicados aos proprietários”.

José Daniel Sádio adiantou ainda que “recentemente houve uma queixa do dono do imóvel, não do inquilino, à Protecção Civil”. O edil estremocense assegurou que “após a notificação dessa queixa” foram accionados os serviços municipais, tendo existido “uma vistoria conjunta que envolveu os nossos técnicos e a Protecção Civil distrital”. “Em função daquilo que foi o relatório, foram tomadas decisões que têm a ver com o cumprimento ou não cumprimento de medidas anteriormente estabelecidas e com aquilo que foi verificado” asseverou. José Daniel Sádio chegou mesmo a assegurar que aquilo que “contém o relatório é preocupante”.

O Presidente da Câmara Municipal de Estremoz salientou que “as questões que estão no despacho e que têm a ver com a salvaguarda dos peões e dos bens, é competência do proprietário no imediato”.

O edifício onde funciona o Café Restaurante Águias d’Ouro foi construído entre 1908 e 1909, tendo sido inaugurado como café a 4 de Abril de 1909. Após um abaixo-assinado de moradores de Estremoz, é classificado como Imóvel de Interesse Público em 1997.

É um raro sobrevivente dos antigos cafés de tertúlia portugueses de início do Século XX, tornando-o numa referência sociológica importante e um marco da memória colectiva de quem por aqui conviveu e convive.

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