sábado, 27 novembro 2021
quarta, 20 outubro 2021 14:57

Ministério Público acusa médica do HESE de negligência após dar alta a bebé de 20 meses que viria a morrer

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Esta decisão corrobora conclusão que a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) anunciou, em Setembro passado Esta decisão corrobora conclusão que a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) anunciou, em Setembro passado DR

 
Uma médica do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) que, no ano de 2019, deu alta a uma criança de 20 meses, que viria a falecer poucas horas depois, foi acusada de homicídio por negligência pelo Ministério Público (MP).
 
De acordo com um comunicado divulgado na manhã desta quarta-feira, no site do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Évora, o caso remonta a 30 de Abril de 2019, quando a criança de apenas 20 meses, com "um quadro clínico de laringite aguda", foi "atendida e observada no HESE pela arguida", que, na altura, exercia funções naquela unidade hospitalar.
 
A missiva explica que, mesmo a registar “uma subida dos batimentos cardíacos e uma diminuição dos níveis de oxigénio no sangue", a arguida decidiu dar “alta à criança no mesmo dia”. Nesse dia, a criança "acabou por falecer de edema laríngeo, devido a edema da laringe, que impedia a passagem de ar para os pulmões".
 
O MP considerou que, com esta falha no diagnóstico, “a arguida desrespeitou as 'legis artis', as orientações técnicas da Direcção-Geral da Saúde a seguir nas urgências em idade pediátrica e o protocolo do HESE a seguir nos casos de laringotraqueíte aguda".
 
Esta decisão foi corroborada pela conclusão que a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) anunciou, em Setembro passado: Foi possível reconhecer que o bebé de 20 meses recebeu alta quando "ainda apresentava sinais não tranquilizadores".
 
"Conclui-se que no momento da alta a criança ainda apresentava sinais não tranquilizadores em relação ao controle e evolução da situação clínica", apurou a ERS sobre este caso, segundo a publicação de deliberações do segundo trimestre deste ano.
 
A ERS também adiantou que ia remeter os autos do processo à Ordem dos Médicos, a quem "competirá aferir da existência ou não de fundamentação clínica das decisões adoptadas pelos profissionais responsáveis pelo atendimento da utente".
 
No dia em que o caso ocorreu, o HESE indicou à LUSA que a criança chegou ao Serviço de Urgência Pediátrica (SUP), inicialmente com "um quadro de paragem cardiorrespiratória", tendo sido transportada pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
 
"Foi assistida pelas equipas de profissionais do SUP e de Urgência Geral, que realizaram todas as manobras de reanimação, sem sucesso", apontou na altura o HESE, indicando que foi prestada "assistência psicológica aos pais, após o sucedido".
 
Contudo, segundo o hospital, a criança já tinha estado no HESE, no dia anterior, com sintomas de laringite, permaneceu na unidade para vigilância e teve alta na manhã seguinte, por apresentar uma "franca melhoria" do seu quadro clínico.
 
"Aparentemente, os dois episódios de urgência não estarão relacionados. Todavia, os resultados da autópsia esclarecerão a causa de morte", assinalou o HESE àquela data.
 
 
 
 
 
 
Modificado em quarta, 20 outubro 2021 15:35

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