quinta, 01 dezembro 2022

Helena Chouriço

Encontro com Freud - Crónica IV

sábado, 12 setembro 2015 11:07
A Ordem dos Psicólogos colocava a seguinte reflexão no Boletim: “Diria a alguém com cancro, isso passa? Então porque diz a alguém com Depressão?” 
 
Neste encontro de hoje, refletimos sobre o estigma que existe e até mesmo discriminação relativamente a esta doença. Tal como o corpo adoece e nós reconhecemos a legitimidade de quem atesta a necessidade de pausa e tratamento adequado seja ele qual for, a “alma” também adoece. É muito perigoso que alguém não tenha em conta os sinais de uma depressão, por vergonha, por medo do que o vizinho vai pensar ou dizer, por medo de ser olhado como um incapaz, preguiçoso entre outros, que não pretendo aqui explorar. O que sim importa é alertar, em primeiro lugar para a ignorância de quem tem esta perceção ou conceito ou ideia, não sabe pergunte mas pergunte a quem sabe.
 

A depressão não tem a ver com fraqueza, incompetência e diminuição comparativamente aos demais, a depressão é uma doença com a qual se aprende a viver e para os que ainda pensam que “deprimido só é quem quer” para esses e com todo o meu respeito, a depressão é uma doença da qual têm ainda muito para aprender e saber como lidar com alguém com depressão já será uma enorme ajuda.

Como qualquer doença, a pessoa com depressão é, numa primeira análise, como será lógico, uma identidade própria com determinadas características, gostos, interesses, competências, aptidões, limitações, sonhos, ambições e tudo o que nos faz humanos saudáveis, no entanto, e como toda a doença, também a depressão altera o nosso estado de espírito, a nossa motivação, as nossas opções, a forma como nos relacionamos com os que nos rodeiam e até a forma como interpretamos o que nos chega dos que nos rodeiam. É preciso estar atento aos sinais, é urgente procurar ajuda especializada, é emergente assumir que estamos doentes e jamais teremos que passar por isso sozinhos.
 
A depressão não tem a ver com fraqueza, incompetência e diminuição comparativamente aos demais, a depressão é uma doença com a qual se aprende a viver e para os que ainda pensam que “deprimido só é quem quer” para esses e com todo o meu respeito, a depressão é uma doença da qual têm ainda muito para aprender e saber como lidar com alguém com depressão já será uma enorme ajuda.
 
Olhemos para a pessoa e depois então para a doença. A doença pode viver connosco, mas jamais seremos nós a viver na doença… Olhemos sempre para a pessoa, em primeiro lugar. 
 

Encontro com Freud - Crónica III

sábado, 25 julho 2015 19:39
Há alguns meses, presenciei numa cadeia de fastfood, uma cena que me deixou perplexa. Publiquei inclusive na minha página do Facebook. 
 
Resumidamente… Uma senhora, acompanhada de um grupo de crianças e uma jovem, entornou um copo de refrigerante e, de forma apressada mas como se fosse natural, limitou-se a mudar de mesa… a jovem, entre dentes, ainda sussurrou “chamamos alguém?”, mas sem aprovação da adulta, ficou por isso mesmo… E eu neste encontro de hoje pergunto: 
Que exemplos somos nós? Que legitimidade temos para afirmar que sabemos educar melhor que ninguém? Que modelos queremos ser ou deixar, pelo menos enquanto referencial, para os nossos filhos, sobrinhos, alunos, amigos, conhecidos e comunidade jovem?
 
A aprendizagem é um processo de imitação, é preciso estar atento, os olhos das crianças seguem-nos em muitas ocasiões para ver como fazer… A responsabilidade é enorme, as nossas crianças precisam de referenciais, precisam de modelos e não é só aos pais que devemos apontar esse dever, mas sim a todos nós, que já fomos crianças, que trabalhamos com crianças, que nos cruzamos com crianças e jovens… A RESPONSABILIDADE É DE TODOS NÓS. 
 
A palavra tem de estar na ação, a coerência, meus amigos, entre o que dizemos e o que fazemos é a melhor lição. Somos humanos e não é fácil, mas pelas nossas crianças, pela educação do carácter de cada uma delas, pela saúde sócio-afetiva, pela família… No final “a colheita será sempre melhor”. 
Modificado em sábado, 25 julho 2015 19:41

Encontro com Freud - Crónica II

sábado, 27 junho 2015 00:16
Os mais novos estão de “Férias “ e com elas, surgem propostas de ocupação dos tempos livres, atl’s, ateliers entre muitas outras. Para os pais surge a preocupação, do que escolher, das atividades mais interessantes, da segurança que proporciona quem supervisiona e dos horários que melhor se adaptem às rotinas de cada família. 
 
Tudo isto está, parece-me que muito certo e naturalmente bem equacionado… no entanto e depois deste encontro com o pai da psicologia Freud e para o qual chamei também Jean Piaget e Daniel Stern, dei connosco a refletir no seguinte: 
Sabemos de facto o que interessa aos nossos filhos? Acompanhamos realmente os mais novos ao ponto de perceber o que mais gostam de fazer nas suas férias? Escolhemos nós o que achamos que eles gostam ou baseamo-nos no conhecimento que temos das crianças e temo-lo como ponto de partida para as nossas planificações, metodologias e expectativas?... 
 

Acompanhamos realmente os mais novos ao ponto de perceber o que mais gostam de fazer nas suas férias?

 
Deste modo falo na família, nas associações, instituições e na comunidade em geral. E chego onde quero neste encontro, “o ato mais sério de uma criança é brincar” e neste brincar coloco uma liberdade que se define entre pares, um espaço e um tempo que lhes pertence, onde o jogo simbólico é rei e deve reinar. Neste ato sério também se aprende, a socializar, a estabelecer regras, a copiar modelos, a desenvolver raciocínio, a resolver problemas, a fazer escolhas, a criar, a partilhar e a descobrir. 
 
É importante a supervisão, mas meus amigos, tenho receio que durante estes períodos nos apropriemos, indevidamente, de um espaço ou espaços e de tempos que deverão ser das crianças. Estes períodos servem para sair da rotina e muitas vezes observo que rotina se mantem apenas alteramos o conteúdo…. Enquanto responsável de um atl também eu tenho receio de me apropriar desse espaço e desse tempo… Deixem brincar as crianças! Boas Férias para todos e brinquem com as crianças, às crianças, só. 
Modificado em sábado, 27 junho 2015 00:22

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