sexta, 02 dezembro 2022

O Melhor dos Mundos

terça, 11 agosto 2015 23:14
Na sequência do meu último texto publicado no “Ardina do Alentejo” cheguei à conclusão que a nossa vida tem, na realidade, muitas coisas boas. Às vezes nem sequer é preciso procurar muito para, num simples gesto, num olhar singelo, num humilde toque ou num mero acto olfactivo descobrirmos uma imensidão de sentimentos positivos que nos fazem amar viver.
 
A vida não são só coisas boas, é um facto. O dia-a-dia stressante em que a vida dos nossos dias é vivida repele-nos, na maioria das vezes, dos momentos mais especiais, empurra-nos e afasta-nos dos realmente importantes, faz-nos esquecer os que efectivamente nos dão alegria e prazer. O que é certo é que essa mesma vida de stress nos faz perder demasiado tempo. Não há dúvida que despendemos tempo excessivo das nossas vidas com assuntos meramente burocráticos e damos uma importância que consideramos vital a questões acessórias. Naturalmente que tudo isso faz com que o essencial fique ocultado, escondido e, não raras vezes, esquecido. Atrevo-me mesmo a dizer que vivemos muito menos as coisas boas da vida do que realmente merecemos. Como é possível que o tempo bom passe tão depressa?
 

Sou um piegas, é verdade… um lamechas mesmo… ainda hoje me custa a acreditar que Deus me deu a missão de amar três filhos. Sim porque é disso que se trata… AMOR.

Estas férias fizeram-me reflectir bastante acerca deste assunto e, devo confessar-vos, senti que não tenho aproveitado O MELHOR DOS MUNDOS. O melhor do mundo, como toda a gente sabe, são as crianças. O MELHOR DOS MUNDOS são, obviamente, as minhas. Sou um piegas, é verdade… um lamechas mesmo… ainda hoje me custa a acreditar que Deus me deu a missão de amar três filhos. Sim porque é disso que se trata… AMOR. Vi-os respirar o primeiro segundo de vida e posso dizer-vos que é indiscritível aquilo que se sente quando naquele instante se vê que uma vida de nove meses abruptamente se transforma para enfrentar, no segundo seguinte, um novo mundo. Foram três momentos demasiadamente felizes que, ainda que tudo possa desabar, jamais esquecerei.
 
Mesmo antes de nascer a Mariana percebi que naquela altura havíamos passado para segundo plano, depois com a Matilde, para terceiro e com o Miguel para quarto. É verdade… Deus deu-nos a possibilidade de multiplicarmos o nosso amor por três. As nossas prioridades passaram a estar todas ali, mesmo em frente aos nossos olhos e deixaram de estar num mero reflexo do espelho.
 
A cada passo dado pelos filhos, o nosso coração fica mais apertadinho, com receios… muitos… mas ao mesmo tempo, esse mesmo coração apertadinho enche-se de esperança, esperança de que os caminhos que vão sendo trilhados os façam crescer, os façam desenvolver personalidades repletas de valores bem vincados e definidos.
 
Os meus pais sempre me disseram “Filho és, pai serás!”. Sempre os ouvi dizer que, provavelmente, só depois de termos filhos é que os iríamos compreender… que grande verdade! Nunca imaginei que às vezes desse por mim a chorar só de contemplar os meus filhos. Agora sim percebo as inquietações, as preocupações, o amor incondicional, aquele que ultrapassa qualquer obstáculo e que tem a coragem de se pôr à frente a defender o que tem que ser defendido… agora sim entendo a necessidade de dar o exemplo, de ser chato, insistente, persistente e consistente… agora sim percebo que este amor incondicional e profundo nos dá coragem, nos dá mais vida… agora sim compreendo o quão importante é deixarmos filhos melhores para o mundo. 
 
Sinceramente, como vos disse, sinto que não tenho aproveitado da melhor maneira as coisas boas da vida. E as coisas boas da vida são também O MELHOR DOS MUNDOS. Talvez no dia de hoje os meus filhos não entendam nada do que aqui escrevo mas quando forem mães e pai, certamente compreenderão. 
 

Fico completamente fora de mim quando oiço dizer que um pai ou uma mãe subtraiu a vida de um filho. Como é que é possível um progenitor fazer tal barbaridade aos filhos? Os pais servem para confiar, proteger, tratar, cuidar, beijar, amar, brincar.

Se querem que vos diga acho que a idade nos faz entender as coisas de uma forma menos imatura, mais racional (também agora percebo isso!). Fico completamente fora de mim quando oiço dizer que um pai ou uma mãe subtraiu a vida de um filho. Como é que é possível um progenitor fazer tal barbaridade aos filhos? Os pais servem para confiar, proteger, tratar, cuidar, beijar, amar, brincar. Não querendo justificar o que no meu ponto de vista é injustificável, talvez o tal tempo dedicado a coisas fúteis favoreça uma acção desta natureza.
 
Está na hora de dar mais importância ao que realmente importa, é tempo de dar valor ao olhar, ao abraço, ao momento, ao beijo, ao cheiro, ao toque, ao instante, ao gesto. É tempo de nos deixarmos de preocupar com a casa desarrumada, com a cama por fazer ou com a roupa e os brinquedos espalhados. Que bom que é termos tudo de pernas para o ar, que bom que é não termos, às vezes, vida própria, que bom que é vermos as birras e as zangas, QUE BOM QUE É TERMOS VIDA DENTRO DAS NOSSAS CASAS! Eu quero lá saber de não ter dinheiro para mim… quero lá saber que O MELHOR DOS MUNDOS se suje, ande descalço pelo quintal ou faça muitos disparates… quero lá saber das cenas que fazem e que às vezes me envergonham. Eu quero mesmo é demonstrar o meu incondicional amor ao ponto de, talvez, me revelar um pouco egoísta querendo que os olhos d’O MELHOR DOS MUNDOS sejam os meus, querendo estar onde eles estiverem, chegando ao ponto de querer que todas as estrelas se juntem e, num simples rasto, iluminem e lhes mostrem o caminho… caminho esse que eu quero seguir, pisando a marca dos seus passos, ao ponto de querer deixá-los voar, de vê-los voar e voar com eles. 
 
A vocês, MELHOR DOS MUNDOS quero-vos dizer que quero é estar mais tempo convosco e desejar que sejam as pessoas mais felizes dos mundos, quero dizer-vos que quero brincar o que vocês brincarem, quero saltar por onde vocês saltarem, quero correr pelos campos que correrem, quero sorrir onde vocês sorrirem, chorar o que chorarem, quero escolher o que vocês escolherem, quero lutar o que vocês lutarem, quero ver aquilo que virem, quero ser aquilo que forem… a vocês, MELHOR DOS MUNDOS, quero-vos dizer que quero sentir o que vocês sentirem, sonhar os sonhos que sonharem e quero sofrer para não sofrerem. EU SEI… A VIDA É VOSSA, MAS POR FAVOR PERCEBAM QUE A VOSSA VIDA É A MINHA VIDA!! É mesmo por isso que quando eu perecer e ingressar numa outra estação quero viver as minhas recordações que, na realidade, serão também as vossas. E mesmo num outro mundo (aproveitando as palavras de Pedro Chagas Freitas), só peço que me deixem poder OLHAR-VOS… PARA SEMPRE.
 
* Professor Luís Parente
Modificado em quarta, 12 agosto 2015 01:22

Todas as casas são castelos

quinta, 09 julho 2015 10:51
Bem-vindos à minha casa, ao meu humilde castelo. Sim, a minha casa é um castelo, um castelo que me permite ter a liberdade de pensar naquilo que eu quiser sem me subjugar a pré-conceitos ou a ideias pré concebidas. Naturalmente que os pensamentos advêm também de experiências, vivências, acções e até impulsos. Neste caso específico dos impulsos, tenho para mim que muitas das vezes não são inócuos, chegando mesmo a revelarem-se prejudiciais para muitos. Tenho também para mim que o acto de agir de natureza impulsiva não pode trazer acoplado qualquer tipo de pensamento racional. Na minha opinião, a impulsividade quase nunca é boa aliada da decisão e muito menos da solução, para além disso, sempre ouvi dizer que era uma característica animal. Para dizer a verdade, o Ser Humano tem muitas características dos animais, desde logo, e uma das mais básicas, é a procura do alimento. Ainda assim, considero que há muito mais coisas que nos diferenciam deles do que aquelas que nos aproximam e uma das principais é efectivamente a capacidade de utilizarmos o nosso cérebro para pensar, de conseguirmos pesar os prós e os contras de determinado pensamento antes de agirmos.
 
Sem que me queira imiscuir com a liberdade que cada indivíduo tem para usar esta capacidade de acordo com a sua vontade, tenho que afirmar com todas as letras que, ainda que a tenhamos para desenvolver o raciocínio… ainda que tentemos utilizar o nosso cérebro na sua totalidade… e mesmo conhecendo o que conhecemos… não somos capazes de viver para nós. Poder-me-ão questionar o que quero dizer com isto. A resposta é simples, o ser humano deveria ter a capacidade de, por intermédio do pensamento,  poder facilitar a sua própria vida e não complicá-la.
 

Dir-me-ão que o mundo podia ser perfeito mas não é! Eu sei… E nós também não! No entanto podemos fazê-lo um bocadinho melhor!

O que se passa nos dias de hoje é sintomático daquilo que acabo de dizer e, para ser sincero, revela muito pouco sentido lógico.
 
Quando oiço pessoas a intrometerem-se nas especificidades dos outros, dando opiniões gratuitas e obscenas, inclusivamente sobre o que nem sequer imaginam que se passa nas suas vidas, nas suas casas ou no seu seio familiar… Quando é criticado e violentado o espaço do próximo baseado em meras suposições ou boatos… Quando se dá mais importância aquilo que os outros pensam ao invés daquilo que cada um pensa… Quando, por exemplo, a economia e a política (como dizia um amigo meu e muito bem) deveriam estar ao serviço das pessoas para lhes proporcionar uma melhor qualidade de vida e se verifica que esses políticos e essa economia fazem pender a balança para o lado dos mais frágeis, asfixiam, burocratizam e complicam… Quando o Homem destrói os preciosos recursos naturais que ainda vão existindo, pondo em causa o futuro do próprio planeta e, logicamente, da sua própria espécie… Quando parece que as vidas valem menos que qualquer “pataca” ou território… QUESTIONO a tal capacidade intelectual do Ser Humano.
 
Não seria mais fácil se todos pensássemos em ajudar em vez de obstaculizar?
 
Não seria tudo mais fácil se direccionássemos o nosso pensamento no sentido de podermos amplificar a partilha?
 
Não seria mais fácil se pudéssemos ajudar cada um a fortificar as suas muralhas? 
 
Não seria tudo mais fácil se enaltecêssemos o positivismo? 
 
Não seria tudo bem mais simples se canalizássemos o nosso tempo para unir e não para dividir? 
 
Não seria, de todo, mais útil se estabelecêssemos sinergias em torno do bem comum?
 
Sinto que vivemos num mundo cada vez mais desprovido de valores, num mundo em que os castelos construídos não têm sustentação, não têm fundações ou alicerces. Num mundo em que esses castelos são de cartas ou de areia e quando uma onda ou uma simples brisa do mar os envolve, eles desmoronam-se com tanta facilidade quão é abrir e fechar os olhos.
 
Sinceramente acho que já é tempo de haver respeito pelos castelos de cada um, ainda que frágeis e insípidos…  
 
já é tempo de não se falar “dos” mas sim “com os”… 
 
já é tempo de se perceber que cada indivíduo tem a sua verdade… 
 
já é tempo de nos colocarmos no papel do outro para que melhor o possamos entender… 
 
já é tempo de se dar importância ao essencial e não ao acessório, ainda que o essencial seja, como escreveu Antoine de Saint Exupéry “invisível aos olhos”… 
 
já é tempo de utilizarmos a nossa capacidade de pensar para facilitarmos as nossas vidas e aproveitarmos ao máximo a passagem por aqui…
 
já é tempo de se perceber que TODAS AS CASAS SÃO CASTELOS, castelos com cenários de batalhas, de romances, de histórias, de segredos, cenários de vivências boas, de experiências más, de erros, de acertos, de verdades, de mentiras. 
 
Dir-me-ão que o mundo podia ser perfeito mas não é! Eu sei… E nós também não! No entanto podemos fazê-lo um bocadinho melhor!
 
Ainda assim é importante que TENHAMOS A NOÇÃO QUE SOMOS INSTANTES e que, lamentavelmente, desperdiçamos grande parte das nossas vidas dando importância ao acessório. Talvez um dia queiramos reverter tudo isto, mas pode ser tarde, pode ser… demasiado tarde.
 
* Luís Parente - Professor
 
Modificado em quarta, 15 julho 2015 01:02

Mulher é Vida

quarta, 25 março 2015 23:27
É incontornável e inevitável da minha parte, porque não me consigo demitir de formular uma opinião muito própria sobre este assunto, a abordagem a um tema que infelizmente ainda não está esgotado na sociedade portuguesa, os maus tratos praticados sobre as mulheres. Ainda recentemente, numa iniciativa de um conhecido jornalista da nossa praça, foi lançado um tema musical que juntou oito vozes femininas, conhecidas do grande público, que dão voz a um hino da APAV- Associação Portuguesa de Apoio à Vítima- para o qual se tentam despertar consciências para a problemática da violência doméstica. Segundo as estatísticas, o número de mulheres assassinadas em Portugal nos últimos 10 anos ascende quase aos 400. Arrepiante!... aterrador como por ano morrem cerca de 40 mulheres às mãos de autênticos “animais”, se é que assim lhes posso chamar.
 
Questiono a falta de humanismo, a falta de respeito… questiono a ausência de tolerância e a ausência dos valores mais básicos do ser humano.
 
Questiono os motivos que fazem alguém sucumbir mentalmente à barbaridade de tirar a vida a um ser brilhante como a mulher.
 
É certo que a sociedade está em constante mutação, aliás… sempre esteve. Talvez o facto de evoluir muito rapidamente seja um dos factores que fazem com que a consolidação das mudanças não seja feita estruturalmente e o próprio Ser definhe, enfraqueça. Na minha perspectiva, nos dias de hoje, e em muitas circunstâncias, o Ser e a própria sociedade está enferma, consegue viver, sem aparentes preocupações, de acordo com valores completamente distorcidos do humanismo.
 
Onde é que está a amizade? Onde está o diálogo? Onde está o conceito de família?
 

Questiono os motivos que fazem alguém sucumbir mentalmente à barbaridade de tirar a vida a um ser brilhante como a mulher

 
Arrisco-me a dizer que, perante isto, e para enfrentar este nosso doente mundo é preciso ser-se corajosa para se ser mulher. Invejemos, porque não, a sua coragem… reconheçamos a sua sinceridade, a sua verdade, a sua firmeza, sabedoria, bondade, a sua justiça, exigência, paciência, a sua responsabilidade e resistência… respeitemos a sua interioridade, a sua complexidade, a sua impulsividade, a sua particular inteligência, respeitemos a sua superioridade, a sua ponderação, a sua protecção, a sua honestidade intelectual, a sua capacidade de resiliência e de superação, o seu incansável trabalho… deixemos que sejam mães, irmãs, meninas, amigas, que sejam fogo, que sejam gelo, deixemos que sejam selvagens, inocentes, atrevidas, maravilhosas, que sejam vaidosas, enigmáticas, extraordinárias, graciosas, ordenadas, deixemos que sejam boas, chatas, complicadas, pragmáticas, poderosas, abstractas… respiremos as suas formas, os seus aromas…
 
Dir-me-ão que é difícil entendê-las… reconheço… é um facto!… ainda assim é impossível viver sem elas. Tenho a plena consciência que, ainda que escrevesse um milhão de coisas sobre a mulher, era insuficiente para a definir e compreender. O próprio Oscar Wilde já dizia que “As mulheres existem para que as amemos, e não para que as compreendamos”. Mesmo sem nunca conseguirmos compreendê-las, é imperativo que o tratamento seja cordial, de amizade, amor, entreajuda, solidariedade, partilha, lealdade, honestidade e essencialmente de respeito pelos seus direitos fundamentais.
 
Que cesse, de uma vez por todas, a violência gratuita e repugnante sobre as mulheres!
 
Orgulhemo-nos das suas especificidades!
 
Orgulhemo-nos da mulher enquanto mulher!
 
Mulher é amor… é alma… é alegria… MULHER É VIDA!
 
* Luís Parente - Professor
 
Modificado em domingo, 21 junho 2015 23:09

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