quinta, 29 setembro 2022
quarta, 09 fevereiro 2022 00:01

Grande entrevista com José Daniel Sádio, Presidente da Câmara Municipal de Estremoz

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A oposição, os funcionários da autarquia e o orçamento da autarquia para 2022 foram alguns dos temas abordados A oposição, os funcionários da autarquia e o orçamento da autarquia para 2022 foram alguns dos temas abordados DR

 

Tendo como ponto de partida os 100 dias da sua governação à frente dos destinos da autarquia, o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, concedeu ao Ardina do Alentejo uma grande entrevista.
 
A oposição, os funcionários da Câmara Municipal, o orçamento da autarquia para 2022, os projectos e os eventos foram alguns dos temas abordados, numa entrevista conduzida por Pedro Soeiro, com recolha de imagens de Ivo Moreira, e que contou com o apoio do Howard’s Folly Restaurante.
 
Na manhã desta quarta-feira apresentamos a penúltima série de respostas de José Daniel Sádio às perguntas efectuadas pela equipa de reportagem do Ardina do Alentejo. 
 
Ardina do Alentejo - É um Presidente que fala muito nos funcionários da autarquia e no trabalho por estes desenvolvido. É um virar de página na relação com os funcionários? É o finalizar da típica "Caça às Bruxas" e trabalharmos todos para o mesmo lado? 
 José Daniel Sádio -
Pedro, essa é uma pergunta que faz sentido.
 

Eu sinto que somos três eleitos numa mola humana de 400 pessoas. Nós não somos mais importantes que ninguém. Nós temos competências, temos um projecto para desenvolver, mas ninguém faz nada sem os outros. Não tem a ver se eu gosto mais, se eu gosto menos. Temos de nos respeitar, profissionalmente e humanamente, e fazer o melhor trabalho

Tenho um trajecto, em termos de autarquia, de duas décadas. De relembrar que estive três mandatos na Assembleia Municipal e dois mandatos enquanto vereador da oposição, e houve muitas questões que iam sendo sinalizadas e nas quais eu nunca me revi, e sempre as contestei, porque eu só vejo o exercício do cargo de Presidente de Câmara numa vertente: lutar pelo bem comum e cumprir com a missão de serviço público, sermos uma boa Câmara, prestar um bom serviço e criar condições para que o nosso concelho seja sustentável e as pessoas vivam cada vez melhor.
Logo, qualquer tipo de lógica pessoalizada, persecutória, egocêntrica não tem qualquer tipo de cabimento, não tem qualquer tipo de aceitação num projecto de mudança, seja ele qual for.
 
Quando cheguei, logo na primeira semana, quando reuni com todos os funcionários, expliquei de uma forma muito sincera aquilo que me move. Eu sinto que somos três eleitos numa mola humana de 400 pessoas. Nós não somos mais importantes que ninguém. Nós temos competências, temos um projecto para desenvolver, mas ninguém faz nada sem os outros. Não tem a ver se eu gosto mais, se eu gosto menos. Temos de nos respeitar, profissionalmente e humanamente, e fazer o melhor trabalho.
 
Aquelas lógicas que o Pedro referiu, que eu percebo, e que lamento, são lógicas que não podem entrar numa gestão de qualquer instituição, de qualquer empresa, de qualquer associação. Não me revejo.
Apenas dizer que aquilo que me move é o bem comum e eu sou só um entre 400. Todos temos que trabalhar uns com os outros e todos temos de ser profissionais e responsáveis. Como eu disse no dia da reunião, vestirmos a camisola da Câmara, do serviço público e tudo o resto naquela casa não pode entrar.
 

Apesar de tudo é um orçamento que vai incorporar uma redução de impostos, ainda que ligeira. É um orçamento que incorpora dinâmicas culturais e desportivas fortes, como irão ser conhecidas. Queria ter ido mais longe, mas neste momento não é possível.

Ardina do Alentejo - Foi aprovado recentemente o orçamento da autarquia para o ano de 2022. É o orçamento desejado ou é o possível?
José Daniel Sádio - É o orçamento possível, como nós referimos na Assembleia Municipal. Não é o orçamento desejado, mas tudo tem uma explicação. O desejado era que nos desse alguma margem, dentro daquilo que é o enquadramento legal da lei orçamental e tudo aquilo que é possível fazer em termos de orçamento municipal, nos desse uma maior margem de investimento, como em regra se tem verificado em questões orçamentais na última década.
 
Em função de compromissos assumidos, essa capacidade, para já, está condicionada e não podemos ir tão longe como queríamos ir neste primeiro ano. Apesar de tudo é um orçamento que vai incorporar uma redução de impostos, ainda que ligeira. Falamos em sede de IRS, em incentivos fiscais no âmbito do IMI, foi possível haver um aumento naquilo que tem a ver com financiamento da Cultura e do Desporto, e de alguns apoios sociais. Apesar de não ser aquilo que nós queríamos já, mostra algum sinal. É um orçamento que incorpora dinâmicas culturais e desportivas fortes, como irão ser conhecidas. Queríamos ir mais longe noutras áreas, que têm a ver com equipamentos para funcionários, com questões que já foram contempladas como as progressões na carreira, consolidações que têm de ser feitas, com ajustes a esse nível. Mas queria ter ido mais longe, mas neste momento não é possível. Temos que ser responsáveis, assumir aquilo que já estava contemplado pelo executivo anterior, que nós assumimos sem qualquer tipo de mácula ou questão. Temos a noção que aquilo que tem de ser alocado em termos de financiamento é superior àquilo que seria expectável, em face daquilo que foi o empréstimo e as obras que foram delineadas, mas há-de haver forma. A Câmara tem dinheiro e o dinheiro vai servir para isso.
 
Ardina do Alentejo - Passados mais de três meses de governação, como é que tem sido a sua relação com a oposição, quer na Câmara Municipal, quer na Assembleia Municipal?
José Daniel Sádio - Tem sido a possível. Por um lado, de total respeito institucional e de colaboração e transparência com os eleitos, quer no órgão Câmara, quer no órgão Assembleia.
 
Naturalmente que têm havido as discussões que são salutares naquilo que tem a ver com a democracia e o debate político. Confesso que, aqui e acolá, há situações que as entendo mas que por vezes não as compreendo, mas que fazem parte das dinâmicas partidárias e políticas. 
 
Ardina do Alentejo - Já houve algum momento em que o tiraram do sério?
José Daniel Sádio - Sim, já houve vários momentos em que me tiraram do sério, não porque eu não respeite a crítica, não que eu não respeite o direito à diversidade de opiniões, não é essa a questão.
 

Sim, já houve vários momentos em que me tiraram do sério, não porque eu não respeite a crítica, não que eu não respeite o direito à diversidade de opiniões, não é essa a questão.

Mas tem de haver algum decoro e é conveniente termos alguma memória.

Mas tem de haver algum decoro e é conveniente termos alguma memória. Sabemos bem, em relação a muitos dossiers, o que temos encontrado neste concelho ao longo dos tempos, e por vezes é surreal algumas intervenções. Respeito, somos livres de as fazer e cada um é responsável por aquilo que faz e por aquilo que diz. Gostaria de encontrar, e aqui e acolá também tenho encontrado, colaboração e críticas construtivas, que é isso que importa. Que haja o respeito institucional, que se mantenha e que perdure.
 
Uma das marcas que nós tentámos incutir, e isso eleva a fasquia para todos, foi a transparência. O facto de nós, quer em reuniões de Câmara, quer em reuniões de Assembleia, chegarmos a todo o mundo através das transmissões em directo, e as mesmas ficarem armazenadas, acho que não há maior marca de que queremos transparência, que queremos abertura, que queremos abrir esse espaço de discussão ao mundo, e por isso é importante que saibamos todos estar à altura, e que respeitemos as regras do jogo da democracia.
 
Para concluir, há algumas pessoas que me tiraram do sério, mas faz parte. É a democracia e a política é isto mesmo.
Modificado em quinta, 10 fevereiro 2022 11:47

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