quinta, 29 setembro 2022
terça, 08 fevereiro 2022 02:37

Grande entrevista com José Daniel Sádio, Presidente da Câmara Municipal de Estremoz

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A oposição, os funcionários da autarquia e o orçamento da autarquia para 2022 foram alguns dos temas abordados A oposição, os funcionários da autarquia e o orçamento da autarquia para 2022 foram alguns dos temas abordados DR

Tendo como ponto de partida os 100 dias da sua governação à frente dos destinos da autarquia, o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, concedeu ao Ardina do Alentejo uma grande entrevista.
 
A oposição, os funcionários da Câmara Municipal, o orçamento da autarquia para 2022, os projectos e os eventos foram alguns dos temas abordados, numa entrevista conduzida por Pedro Soeiro, com recolha de imagens de Ivo Moreira, e que contou com o apoio do Howard’s Folly Restaurante.
 
Na manhã desta terça-feira apresentamos as respostas de José Daniel Sádio a mais duas perguntas efectuadas pela equipa de reportagem do Ardina do Alentejo.
 
Ardina do Alentejo - Como é que encontrou a Câmara Municipal de Estremoz? Estava como esperava, tanto em termos financeiros como organizativos? 
José Daniel Sádio - Essa é uma boa pergunta e complexa.
 
Em termos financeiros, aquilo que eu encontrei é aquilo que era conhecido, as contas são públicas. Eu estou envolvido na autarquia há quase duas décadas e vou acompanhando. Obviamente que, até em função da lei e daquilo que os Municípios têm de assumir em termos de compromissos e de execuções orçamentais, não é possível hoje em dia que qualquer Município se descontrole porque é altamente regulado.
 
Não há nenhuma surpresa a esse nível, o que não quer dizer que, e esta é uma questão que tem sido emergente e tem sido discutida várias vezes nos órgãos, em função daquilo que são compromissos que estão assumidos, a nossa capacidade de projecção deste orçamento não fique limitada, porque há que assegurar uma série de obras que estavam assumidas, há que garantir que o financiamento que existia e que não era suficientemente cabimentado apesar de haver dinheiro, e é bom que as pessoas percebam isso, mas o facto de termos que garantir que elas aconteçam, essa margem que existia tem de ser alocada à conclusão desses processos e ficamos com pouca margem para aquilo que queríamos fazer desde já.
 

Aquilo que eu senti é que a Câmara, a instituição, tem um grande potencial e o maior potencial são os funcionários da Câmara, são o seu maior activo, e são eles que podem garantir que haja melhoria no nosso concelho. E senti, e isso deu-me muito alento e muita satisfação que aquilo que há de mais importante na Câmara, que são as pessoas que lá estão, os trabalhadores da Câmara, são o coração daquela casa, senti que eles estão a colaborar de forma inequívoca

 
Mas nada nos vai impedir, nem tirar o sono em relação àquilo que há a fazer. Não é por aí que vamos deixar de fazer o quer que seja nos quatro anos, mas há que realçar que há áreas de melhoria e de intervenção, há diagnósticos que são conhecidos e são óbvios, e que têm a ver com equipamentos de trabalho para funcionários, maquinaria, investimentos que eram urgentes fazer e que de alguma forma ficaram algo limitados porque não temos capacidade para os fazer já, mas são quatro anos e as pessoas percebem qual é a intenção e há-de haver tempo para o fazer.
 
A outro nível, na generalidade, também não houve grande surpresa. Aquilo que eu senti é que a Câmara, a instituição, tem um grande potencial e o maior potencial são os funcionários da Câmara, são o seu maior activo, e são eles que podem garantir que haja melhoria no nosso concelho. E senti, e isso deu-me muito alento e muita satisfação que aquilo que há de mais importante na Câmara, que são as pessoas que lá estão, os trabalhadores da Câmara, são o coração daquela casa, senti que eles estão a colaborar de forma inequívoca. Senti que havia necessidade de alguma reorganização, de haver um rumo estratégico que se está a implementar e para a qual sinto que estão devidamente motivados, com o foco numa única missão que é servir melhor os munícipes, tornar Estremoz um melhor concelho, onde se viva melhor. Esse é o objectivo macro que todos temos, desde o Presidente ao funcionário. Aquilo que tentámos foi criar esse sentimento de equipa e de união, em que todos nos comprometemos a dar o nosso melhor. E isso deu-me alento, perceber que as pessoas estão receptivas e de alguma forma nos receberam bem e estão a colaborar com aquilo que nós queremos fazer em certas áreas de melhoria. Essa foi uma boa surpresa, não que eu não estivesse à espera, porque conheço as pessoas, mas foi bom sentir isso e assim é mais fácil, agir, projectar e melhorar a vida de todos, a começar pela instituição e depois com o reflexo que isso tem para fora, porque qualquer um de nós trabalha melhor e sente-se bem ao sentir que está numa instituição em que é respeitado, em que há um foco, em que há uma lógica e em que há organização. E isso foi muito bom registar e dá-nos alento para continuar o caminho.
 
Muito genericamente, não há surpresas de maior. As coisas estavam mais ou menos como pensávamos, obviamente que, e não vale a pena estar a particularizar, há situações que carecem internamente de urgentes melhorias, e falo sobretudo nas condições de trabalho e de equipamentos, e temos que melhorar isso muito. E essa é a base de tudo aquilo que se quer para o futuro. Não vale a pena pensarmos em grandes projectos e em grandes melhorias se não começarmos logo por nós e pela nossa casa.
 
Haja o que houver, e esteja mais ou menos de acordo com o que era previsto, nada nos demove e nada nos tira o sono e nada nos tira o compromisso daquilo que assumimos com os estremocenses.
 
Ardina do Alentejo - Quais foram as medidas que já tomou e que não gostava de ter tomado e quais são aquelas que já pensava ter tomado mas que ainda não conseguiu?
José Daniel Sádio - Eu queria focar-me sobretudo naquelas que tomei e que me deu muito prazer tomar. E essas tem tudo a ver com algumas questões de organização dos serviços e de solução de problemas que vão surgindo. Também é importante sentirmos quando ajudamos a resolver problemas, sejam maiores ou menores, seja dentro da Câmara ou fora da Câmara, e há sempre medidas que têm efeitos positivos nas pessoas e essas são aquelas que maior prazer nos dão tomar.
 

Há muito dossier para desbravar e sobretudo há uma grande ilusão, no bom sentido, de que consigamos conjugar sinergias de forma a que as decisões que nós vamos tomando sejam sempre assertivas e que, no limiar, sintamos que cumprimos com o nosso dever, que melhorámos a vida das pessoas, que melhorámos o nosso concelho e que fomos felizes naquilo que foi a nossa decisão

 
Por exemplo, senti-me muito feliz, por termos conseguido em tempos de pandemia, implementar o Centro de Testagem. E são esse tipo de medidas que ajudam a melhorar a vida das pessoas de alguma forma, e aqui a segurança é fundamental, que nos dão prazer tomar
 
Mas houve mais medidas que tomámos e que depois infelizmente não conseguimos concretizar. Relembro toda a dinâmica que quisemos implementar, com a decisão de avançarmos com a Cozinha dos Ganhões e o Reveillon. Na altura gostei de as ter tomado e depois fiquei muito triste por não as poder desenvolver porque o contexto não o permitia.
 
Gostei muito de termos conseguido dar algum alento às crianças e às famílias no Natal, naquele jardim singelo mas com muita alegria e feito com muito carinho por parte do staff da Câmara. Foi muito bom ver os meninos a sorrir, os pais a sorrir, mesmo com as máscaras, sinal de que sentimos um pouco Natal.
 
Tal como aquilo que se fez em termos de iluminação de Natal, mais uma vez com o apoio dos serviços municipais. Deu-me muito prazer sentir que, apesar de tudo, se respirou Natal em Estremoz.
São decisões de gestão corrente, mas quando nós fazemos coisas que sentimos que as pessoas gostam, e que têm impacto positivo, são aquelas medidas que achamos estamos lá para isso mesmo.
 
Claro que há ainda muitas áreas de melhoria e muitas decisões que têm de ser tomadas, e temos a noção que quando se tomam decisões, agrada-se ou não se agrada. Há muito dossier para desbravar e sobretudo há uma grande ilusão, no bom sentido, de que consigamos conjugar sinergias de forma a que as decisões que nós vamos tomando sejam sempre assertivas e que, no limiar, sintamos que cumprimos com o nosso dever, que melhorámos a vida das pessoas, que melhorámos o nosso concelho e que fomos felizes naquilo que foi a nossa decisão.
 
Não houve assim nenhuma decisão mais ou menos difícil, mas realçar a felicidade que é quando nós sentimos que aquilo que se projectou teve um impacto positivo e que conseguimos atingir a felicidade para outros.
Modificado em quarta, 09 fevereiro 2022 01:40

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