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CENDREV acusa Câmara de Évora de dívida de 150 mil euros. Município nega corte de apoio dirigido à companhia.

O Centro Dramático de Évora (CENDREV) alertou, em conferência de imprensa realizada esta quinta-feira, dia 17 de Setembro, para o “risco iminente de cancelamento de programação e da BIME 2027“, apontando dívidas da Câmara Municipal de Évora que já ascendem à ordem dos 100 mil euros.

CENDREV FALA EM DÍVIDAS DE 150 MIL EUROS E RISCO PARA A BIME 2027

Segundo os responsáveis da companhia, estão em causa “duas tranches já vencidas”, no valor total de 100 mil euros, e “uma nova tranche de 50 mil euros que vence em Outubro”, segundo refere o CENDREV em comunicado – perfazendo um total de 150 mil euros. A companhia lamenta ainda “a ausência de respostas concretas” por parte do Executivo Municipal liderado por Carlos Zorrinho e afirma que ”as dívidas colocam em causa a actividade diária do CENDREV e do teatro”, incluindo projectos como a BIME – Bienal Internacional de Marionetas de Évora, que terá lugar entre os dias 1 e 6 de Junho do próximo ano.

MUNICÍPIO ESCLARECE QUE BÃO ESTÁ EM CAUSA O APOIO AO CENDREV

No seguimento da conferência de imprensa da Direcção do Centro Dramático de Évora, o Município de Évora esclareceu, também esta quinta-feira, em comunicado, que “não está em causa o apoio ao CENDREV nem a continuidade da actividade da companhia, mas sim a aplicação de regras de transparência e equidade aos apoios municipais à actividade cultural”.

REGULAMENTO DE 2011 SERÁ REVISTO COM AGENTES CULTURAIS

A autarquia eborense salienta que “o regulamento actualmente em vigor data de 2011 e será revisto com a participação dos agentes culturais”, tendo o Município assumido que o montante global destinado à cultura não será reduzido face ao ano anterior. “A redução de 22% no apoio sustentado ao CENDREV para 2026 resulta da aplicação desse novo modelo de distribuição e não de uma decisão dirigida à companhia”, assevera a edilidade de Évora.

APOIO TOTAL AO CENDREV ULTRAPASSOU OS 800 MIL EUROS EM 2025

A Câmara Municipal de Évora, na mesma nota enviada às redacções, refere que é importante “recordar que o apoio municipal ao CENDREV não se resume à transferência financeira directa. Em 2025, para além dos 87 mil euros de apoio pecuniário, a Câmara suportou cerca de 530 mil euros em encargos relacionados com o Teatro Garcia de Resende e com a actividade da companhia, incluindo instalações, palco, Salão Nobre, electricidade, água, seguros, divulgação, recursos humanos e trabalho extraordinário”.

“Se a este valor acrescentarmos mais 200 mil euros, que representam 50% da candidatura aprovada à Rede de Teatros e de Cineteatros Portugueses, verifica-se que o apoio total dado ao CENDREV em 2025 foi superior a 800 mil euros”, pode ainda ler-se no comunicado da autarquia.

BILHETEIRA REPRESENTOU APENAS 14 MIL EUROS EM 2025

A Câmara Municipal de Évora refere que “é igualmente importante olhar para as receitas geradas pela própria actividade”. Segundo os dados de 2025, “a bilheteira do CENDREV representou apenas cerca de 14 mil euros, dos quais 94% revertem para a companhia”. A edilidade eborense entende que “para uma estrutura que beneficia de um apoio público global daquela dimensão”, “existe margem para aumentar significativamente a capacidade de atracção de público e o retorno de bilheteira”, salientando “não como substituição do apoio municipal, mas como forma de reforçar a sustentabilidade da companhia e de maximizar o retorno do investimento público”.

REUNIÃO ENTRE MUNICÍPIO E CENDREV MARCADA PARA A PRÓXIMA SEMANA

O Município reconhece o valor histórico e cultural do CENDREV e reafirma “a sua disponibilidade para continuar a trabalhar com a companhia”. Ao que o Ardina do Alentejo conseguiu apurar, está prevista, para a próxima semana, uma reunião para analisar as dificuldades identificadas e procurar soluções. Nessa mesma reunião será “revista a relação protocolar relativa ao Teatro Garcia de Resende, num processo que deverá envolver o CENDREV”.

AUTARQUIA GARANTE COMPROMISSO COM EQUIDADE NA DISTRIBUIÇÃO DE APOIOS

Praticamente no final da missiva, a autarquia liderada por Carlos Zorrinho refere que “Évora prepara-se para 2027, mas a política cultural municipal não termina nesse ano”. Acrescentando que “o objectivo é garantir uma cultura forte, diversificada e sustentável, apoiando o CENDREV e, simultaneamente, os restantes agentes culturais do concelho, incluindo aqueles que não dispõem de instalações municipais nem de apoio sustentado da DGArtes”.

“O compromisso do Município mantém-se: apoiar a cultura, cumprir os compromissos assumidos, garantir equidade na distribuição dos recursos públicos e trabalhar com os agentes culturais para encontrar soluções duradouras”, conclui.

Imagem: DR

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