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INEM nega desmantelamento do dispositivo de emergência após denúncia sobre retirada de 100 ambulâncias

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) recusou qualquer desmantelamento do dispositivo de emergência médica, incluindo a retirada de 100 ambulâncias, após denúncia feita pela Comissão de Trabalhadores (CT) do instituto, que alertou para o impacto da medida em 71 municípios portugueses, entre os quais Lisboa e Porto.

INEM GARANTE MANUTENÇÃO DA CAPACIDADE DE RESPOSTA

Em resposta à agência LUSA, o INEM afirmou não estar em causa qualquer desmantelamento do dispositivo de emergência médica, a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional ou uma diminuição da capacidade de resposta às populações. Segundo o instituto, “o objectivo é reforçar a integração entre a emergência pré-hospitalar e os cuidados hospitalares, mantendo todos os meios integrados no Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) sob coordenação nacional do INEM e accionamento pelos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU)”.

TRABALHADORES DENUNCIAM RETIRADA DE MEIOS

Em causa está a informação divulgada pela CT do INEM, que denunciou a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional próprio do instituto, considerando que tal medida aumentará a pressão sobre os bombeiros e a Cruz Vermelha, com um risco acrescido para os utentes. Em comunicado, a estrutura sindical afirmou: “Não estamos perante um reforço do Sistema Integrado de Emergência Médica. Estamos perante a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional próprio do INEM”.

A denúncia surge após declarações do Presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, numa entrevista transmitida na sexta-feira pela RTP, na qual confirmou a transferência das ambulâncias de emergência médica do INEM para as Unidades Locais de Saúde (ULS) e a transformação das actuais ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) em viaturas ligeiras.

De acordo com a CT do INEM, a concretizar-se esta decisão, 54 ambulâncias de emergência médica serão entregues às ULS e 46 ambulâncias SIV deixarão de ser ambulâncias, perdendo a capacidade de transporte de doentes.

INSTITUTO DEFENDE AJUSTE DE MEIOS SEM PREJUÍZO ASSISTENCIAL

Face aos dados divulgados pelos trabalhadores, o INEM sustentou que a eventual transferência da gestão das ambulâncias de emergência médica para as ULS não implica a eliminação desses meios, que continuarão ao serviço das populações e integrados no dispositivo nacional de emergência médica. Já a adequação das actuais ambulâncias SIV a viaturas ligeiras resulta, segundo o instituto, da necessidade de ajustar o meio à missão destas equipas, sem qualquer prejuízo da capacidade assistencial, mantendo o transporte assegurado pelos meios dedicados do SIEM.

Perante a informação veiculada pela CT e também pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), que manifestou “grande preocupação” com a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional, o INEM defendeu que este debate deve ser feito com base em informação rigorosa, garantindo a manutenção de um diálogo aberto e transparente com as estruturas representativas dos trabalhadores. O instituto sublinhou ainda que todas as alterações serão implementadas de forma gradual, planeada e articulada com as ULS e os restantes parceiros do SIEM, garantindo que a continuidade e a qualidade da resposta às populações nunca sejam colocadas em causa.

TRABALHADORES EXIGEM ESCLARECIMENTOS DA TUTELA

Os trabalhadores exigiram esclarecimentos da Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, quanto à sua posição sobre a decisão, questionando se “confirma esta opção e assume integralmente as suas consequências” ou se “aproveita a entrada em vigor da nova lei orgânica para substituir, na íntegra, o actual Conselho Directivo do INEM”.

A CT do INEM agendou ainda uma Assembleia Geral para os primeiros dias de Agosto, destinada à tomada de posição e aprovação de medidas concretas, avisando que só será desmarcada caso o cenário anunciado seja alterado de forma clara, pública e inequívoca. Também o STEPH enviou um ofício à Ministra da Saúde a solicitar um esclarecimento urgente, alertando que, caso não haja resposta até 1 de Agosto, serão desenvolvidas acções de protesto.

com LUSA | Imagem: DR

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