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Ordem dos Médicos analisa queixa contra oncologista do Hospital de Évora por morte de doente nas urgências

A Ordem dos Médicos (OM) está a analisar uma queixa contra um médico oncologista do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), com acusações de negligência, apresentada pela família de um homem que morreu nas urgências daquela unidade hospitalar.

A queixa, a que a agência Lusa teve acesso, refere que a conduta do clínico “indicia grave e reiterada negligência” e “erro de critério com desvalorização de sintomatologia crítica (febre em doente oncológico)”. O documento aponta ainda “omissão gravíssima do dever de assistência imediata em situação de emergência e uma conduta manifestamente violadora do respeito e humanização dos cuidados de saúde”.

Contactada pela Lusa, fonte da OM confirmou a recepção da queixa, adiantando apenas que o caso será analisado pelo Conselho Disciplinar da ordem.

ULSAC CONFIRMA RECLAMAÇÃO EM ANÁLISE

O Gabinete de Comunicação e Marketing da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC), na qual está integrado o HESE, indicou ter recebido “uma reclamação formal” por parte da família “sobre o atendimento prestado ao utente”. Segundo a unidade de saúde, “a reclamação encontra-se actualmente em análise pelas instâncias competentes, com vista ao rigoroso apuramento dos factos”.

O doente, de 64 anos, diagnosticado com cancro na orofaringe, morreu no dia 15 deste mês nas urgências do HESE.

RELATO DA FAMÍLIA

Célia Caleiro, mulher do utente, explicou que, cerca de uma semana antes de morrer, o marido apresentava sinais de febre e contactou o Serviço de Oncologia do hospital, depois de o médico lhes ter pedido para evitarem as urgências. O serviço pediu que o doente se deslocasse ao hospital para uma consulta com o oncologista, que prescreveu análises clínicas e a toma de anti-inflamatório, dizendo que, “se fosse uma bactéria“, enviaria a receita por e-mail e, caso não dissesse nada, seria porque os resultados estavam bons, relatou.

Nos dias seguintes, o marido manteve os tratamentos de radioterapia num hospital de Lisboa, uma vez que este serviço está temporariamente encerrado no HESE devido a obras, fazendo diariamente um total de 400 quilómetros.

Segundo Célia Caleiro, na véspera do óbito, o marido voltou a ter febre e telefonou para o Serviço de Oncologia, tendo-lhe sido dito que o médico pedia para que continuasse os tratamentos, agendando uma consulta para o dia seguinte.

“FOI CHEGAR À URGÊNCIA E MORRER”

A mulher contou que, na manhã desse dia, se deslocou com o marido – que continuava com febre e também com falta de ar – para a consulta no Serviço de Oncologia do HESE, situado no Edifício do Patrocínio, onde chegaram por volta das 09 horas.

Enquanto aguardavam na sala de entrada do serviço, Célia Caleiro afirma ter alertado os profissionais de saúde para o estado do marido e a necessidade de ser assistido, tendo-lhe sido respondido que “tinham de aguardar por ordens do médico”.

De acordo com o relato, o marido esteve cerca de uma hora à espera na oncologia, até que o médico o auscultou, colocando-o a oxigénio, e ordenou o transporte de ambulância para as urgências, situadas no outro edifício do hospital.

“Quando entrou na urgência já eram 10:42 horas e eu só tive tempo de ir ao guiché com a carta […] Foi chegar à urgência e morrer”, lamentou.

Célia Caleiro considera que “não foram feitas todas as diligências” e acusa o médico de negligência. “Não digo que ele não morresse do problema oncológico, mas eu dizia assim: ‘O meu marido teve toda a assistência de que precisou’”, acrescentou.

com LUSA | Imagem: DR

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