
A Associação Portuguesa de Geólogos (APG) anunciou, em nota de pesar publicada nas suas redes sociais, o falecimento do geólogo Luís Lopes, que presidia à instituição, era docente do Departamento de Geociências da Universidade de Évora e investigador do ICT – Instituto de Ciências da Terra. A associação descreve-o como uma “destacada personalidade das Ciências da Terra em Portugal”, cuja carreira ficou marcada pela excelência académica, científica, profissional e humana.
Ao longo de décadas dedicadas ao ensino, à investigação e à divulgação científica, Luís Lopes formou gerações de geólogos e contribuiu de forma decisiva para o aprofundamento do conhecimento geológico do território nacional.
REFERÊNCIA NO ESTUDO DO ANTICLINAL DE ESTREMOZ
Luís Lopes foi amplamente reconhecido pelo seu profundo conhecimento da geologia do Anticlinal de Estremoz, considerado uma das mais importantes províncias de rochas ornamentais da Europa. Desenvolveu trabalho de referência sobre os mármores do Alentejo, o património geológico e os recursos minerais da região, estabelecendo-se como uma das principais autoridades nacionais nesta matéria.

PAPEL DECISIVO NA CLASSIFICAÇÃO DOS MÁRMORES DE ESTREMOZ
O geólogo foi um dos responsáveis pelas candidaturas que conduziram à classificação dos Mármores de Estremoz e da Brecha da Arrábida como Pedras Património Mundial, um reconhecimento internacional que valoriza cientificamente estes recursos geológicos alentejanos. Esteve também envolvido na candidatura que distinguiu o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios de Ourém-Torres Novas como um dos Segundos 100 Geossítios da IUGS – International Union of Geological Sciences.
A sua actividade distinguiu-se igualmente pelo apoio a projectos de cartografia geológica, prospecção e investigação aplicada à indústria de exploração e transformação de rochas ornamentais, contribuindo para a valorização científica, técnica e económica de um sector estratégico para o Alentejo e para o país. O seu conhecimento especializado funcionou como ponte entre a academia, os centros de investigação e o tecido empresarial, promovendo a inovação, a sustentabilidade e a competitividade da indústria extrativa portuguesa.
LIDERANÇA NA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE GEÓLOGOS
Sócio da APG desde 1986, Luís Lopes assumiu a Presidência da Comissão Directiva em 2020, tendo iniciado este ano, em 2026, o seu terceiro mandato à frente da associação. Exerceu uma liderança empenhada na valorização da profissão e na defesa do papel dos geólogos na sociedade, tendo sido durante o seu mandato que se procedeu à actualização dos estatutos da associação, um marco histórico na vida da APG.
Foi também um entusiasta da formação contínua e da literacia geológica, tendo orientado inúmeras actividades de aproximação da Geologia aos cidadãos, quer no âmbito das suas funções na APG, quer em representação da Universidade de Évora e do ICT. Contribuiu ainda como delegado da APG na Federação Europeia de Geólogos (FEG), tendo encabeçado a Comissão Científica da V Conferência Internacional de Geologia Profissional, realizada em Novembro passado, em Saragoça, Espanha.
CONDOLÊNCIAS DA COMUNIDADE GEOCIENTÍFICA
Em nota de pesar, a APG presta homenagem “ao cientista, ao professor, ao colega e amigo”, recordando o seu rigor, a sua generosidade intelectual, a sua humanidade e o seu incansável compromisso com o desenvolvimento das Geociências.
A associação endereça as mais sinceras condolências à família, aos amigos, aos membros da APG, aos colegas da Universidade de Évora e do Instituto de Ciências da Terra e a toda a comunidade geocientífica, sublinhando que o legado de Luís Lopes “permanecerá vivo na investigação que promoveu, nos projectos que inspirou, no conhecimento que deixou às gerações futuras e na forma como liderou a APG”.
Imagem: DR

