
Até final deste ano, o SNS vai dispor de um novo centro de dados que vai assegurar, a partir de Évora, uma redundância em tempo real com o data center que funciona actualmente no Porto.
Fonte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), entidade que gere todos os sistemas de informação e infraestruturas tecnológicas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), adiantou à Lusa que “o novo centro de dados vai permitir redundância em tempo real. Se houver uma falha num centro de dados, o outro iniciará o funcionamento imediatamente”.
Em causa está um investimento de cerca de 15 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que “deverá estar operacional até ao final de 2026”, referiu a mesma fonte.
Na passada sexta-feira, os SPMS confirmaram que uma falha de energia causou perturbações no acesso a serviços e sistemas de informação do SNS, que foram sendo progressivamente repostos, mas alguns constrangimentos temporários continuaram a verificar-se nos dias seguintes.
Um dos sistemas mais afectados foi a prescrição electrónica de medicamentos, utilizada por cerca de 10 mil médicos por dia e responsável por uma média de 250 mil receitas passadas diariamente em Portugal.

O presidente dos SPMS tinha anunciado, no final de 2022, num encontro para apresentação do investimento, que os servidores do data center de Évora seriam instalados até ao final do primeiro trimestre de 2023, funcionando a redundância a partir dos meses seguintes.
Na altura, Luís Goes Pinheiro adiantou que “teremos condições para já ter alguns sistemas em redundância a partir de Évora no final do primeiro semestre” de 2023.
Os SPMS justificaram o investimento na capital do Alentejo Central com a necessidade de construir um novo polo, além da infraestrutura existente no Porto, salientando que deveria ser “capaz de resistir a um conjunto de vicissitudes que podem acontecer a estes centros de dados”.
Os SPMS consideraram esta terça-feira que, apesar do atraso da entrada em funcionamento do centro de dados, o projecto está agora a “desenvolver-se de acordo com o esperado”, tendo em conta a complexidade dos seus requisitos técnicos e os trâmites exigidos pela contratação pública.
Na passada segunda-feira, a Ordem dos Médicos estimou que a falha de energia registada na sexta-feira tenha resultado em mais de 150 mil consultas e actos clínicos programados sem registo informático em tempo real e exigiu explicações urgentes aos SPMS.
As duas entidades têm agendada uma reunião para a tarde desta quarta-feira.
Na sexta-feira, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) adiantou que a falha dos sistemas de informação do SNS paralisou os cuidados de saúde primários em todo o país, impedindo o acesso aos processos clínicos dos utentes, a prescrição de medicamentos e a requisição de exames.
Imagem: Diego Ventura | Observador

