
O sistema de depósito e reembolso de embalagens “Volta”, lançado há poucas semanas em Portugal, já está a gerar polémica – mas desta vez não pela forma como funciona, e sim por aquilo que consegue não abranger.
A marca Águas das Caldas de Penacova lançou recentemente uma garrafa de 3,1 litros e o detalhe que não passou despercebido é precisamente esse: ao ultrapassar o limite legal de três litros, a embalagem fica automaticamente fora do âmbito do sistema “Volta”, escapando assim à cobrança dos 10 cêntimos de depósito aplicados às garrafas abrangidas pelo esquema.
Como funciona o sistema “Volta”
Para quem ainda não está familiarizado com a iniciativa: o sistema “Volta” prevê que as embalagens de plástico devidamente identificadas sejam cobradas com um depósito de 10 cêntimos aquando da compra. Esse valor é devolvido ao consumidor quando a embalagem vazia é entregue num dos postos de recolha espalhados pelo país. O objectivo é incentivar a reciclagem e reduzir o desperdício de plástico – mas a medida não foi isenta de críticas, sobretudo por parte de quem não percebeu, de imediato, que os 10 cêntimos já estavam a ser cobrados no momento da compra.

Um “hack” ao sistema?
A nova garrafa da Penacova rapidamente ganhou notoriedade nas redes sociais, onde muitos utilizadores a apelidaram de um verdadeiro hack ao sistema – uma forma engenhosa de contornar as regras sem as infringir. A própria comunicação da marca não escondeu o facto de a embalagem não estar sujeita ao pagamento do depósito, o que amplificou ainda mais as reacções, na sua maioria de grande agrado por parte dos consumidores.
A marca garante: não é fuga às regras
A responsável de marketing da empresa garante, citada pelo jornal ECO, que o novo formato estava a ser preparado há anos e que o objectivo era unicamente criar uma opção intermédia para consumidores mais intensivos e para famílias – sem qualquer intenção de contornar o sistema “Volta”.
Ainda assim, o timing do lançamento, precisamente nas semanas a seguir à entrada em vigor do novo sistema de depósito, tem alimentado o debate e levantado questões sobre eventuais lacunas na legislação que regula as embalagens abrangidas pelo esquema de reembolso.
A Penacova não será, provavelmente, a última marca a explorar esta margem legal – e o episódio poderá forçar uma revisão dos critérios que definem quais as embalagens sujeitas ao sistema “Volta”.
com ECO | Imagem: DR

