
As mais famosas marionetas do Alentejo chegaram ao cinema. A curta-metragem “P’ra que Vivam“, dedicada aos Bonecos de Santo Aleixo, estreou na passada terça-feira, 5 de Maio, no IndieLisboa 2026 – Festival Internacional de Cinema de Lisboa, um dos mais importantes festivais de cinema independente do país. Atrás das câmaras está o realizador Carlos Lima, natural de Borba, mais concretamente da freguesia da Nora, numa obra que é também uma declaração de amor ao património imaterial alentejano.
As gravações levaram as equipas de produção ao terreno: Rio de Moinhos, no concelho de Borba, serviu de cenário, e os figurantes foram recrutados localmente, entre moradores de Rio de Moinhos e da Orada. O Município de Borba esteve presente em todo o processo, assegurando apoio financeiro e logístico ao projecto – um investimento que o executivo liderado por Pedro Esteves justifica pela ligação histórica do concelho à tradição dos Bonecos de Santo Aleixo e dos Bonecos da Orada.

Quem são os Bonecos de Santo Aleixo?
Os Bonecos de Santo Aleixo são uma das mais antigas e emblemáticas tradições de teatro de marionetas da Península Ibérica, com origens no século XVIII e profundamente enraizadas no Alentejo. Reconhecidos como Património Imaterial, a sua história cruza-se com as comunidades de Borba e arredores, onde famílias de manipuladores de gerações perpetuaram este saber.
O projecto nasce de uma urgência: preservar a memória de uma tradição que, sem registo e sem divulgação, corre o risco de se perder. A curta-metragem surge assim não apenas como obra artística, mas como documento de memória colectiva – uma forma de garantir que os Bonecos de Santo Aleixo e os Bonecos da Orada não desapareçam com o tempo.
Depois da estreia em Lisboa, a autarquia de Borba conta exibir o filme localmente até ao final deste ano – uma sessão que promete reunir a comunidade em torno de uma história que é, acima de tudo, sua.
Imagem: DR

