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IGAS aponta atraso “incompreensível” no socorro junto ao Hospital de Évora

A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) concluiu que houve um atraso “excessivo e incompreensível” no socorro a um homem que se sentiu mal nas imediações do Hospital do Espírito Santo de Évora, em Fevereiro de 2025, podendo ter colocado em risco a sua saúde.

A vítima, com sintomas compatíveis com Acidente Vascular Cerebral (AVC), permaneceu cerca de 30 minutos caída na via pública, apesar de se encontrar a poucos metros da urgência e a menos de um minuto de uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Évora.

Segundo o relatório, o desmaio ocorreu pelas 10:25/10:30 horas, mas o pedido de socorro só foi recebido no quartel às 10:58 horas, atraso considerado “irrefutável” e determinante no condicionamento da assistência médica. A IGAS sublinha não compreender a demora no accionamento de meios, dada a proximidade entre a vítima, o hospital e os bombeiros.

Apesar disso, o organismo não avançará com processo disciplinar por não conseguir identificar os responsáveis no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), uma vez que as gravações das chamadas do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) foram destruídas após 90 dias, ao abrigo das regras de protecção de dados. A ausência desses registos levou ao arquivamento do processo por impossibilidade de apuramento de responsabilidades individuais.

O relatório admite como hipótese que a chamada tenha ficado em espera no sistema do 112 antes de ser reencaminhada, atrasando o contacto com os bombeiros. Levanta ainda dúvidas sobre o procedimento seguido, nomeadamente o facto do bombeiro envolvido não ter contactado directamente o quartel.

A IGAS recorda que, por lei, a responsabilidade disciplinar é individual, não sendo possível sancionar trabalhadores sem identificação concreta. Ainda assim, deixa um alerta ao INEM para a necessidade de garantir respostas atempadas.

O caso expõe também limitações operacionais do hospital: as equipas médicas não puderam intervir fora das instalações, obrigando ao transporte por ambulância de um lado da rua para o outro. O utente acabou por dar entrada na triagem pelas 11:20 horas, com prioridade urgente, mas teve alta no mesmo dia, após exclusão de AVC.

com 24Notícias | Imagem: DR

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