
Há dez anos que o Município de Sousel aposta numa ideia tão simples quanto poderosa: devolver às suas aldeias e vilas a brancura imaculada das fachadas caiadas que sempre definiram a identidade visual do Alentejo.
O programa “Caiando a Nossa Terra” chega agora à sua 10ª edição, uma marca que confirma o sucesso e a adesão popular a uma iniciativa que transformou a cal muito mais do que um material de construção – num símbolo de pertença e de orgulho local.
Uma tradição que não se perde
Caiar é, no Alentejo, muito mais do que uma questão estética. É um ritual de Primavera com séculos de história, uma prática que une vizinhos, rejuvenesce fachadas e mantém viva a identidade arquitectónica das aldeias brancas que pontuam a planície. Em tempos em que as tintas industriais e os revestimentos modernos ameaçam substituir este saber ancestral, o Município de Sousel decidiu nadar contra a corrente – e os resultados falam por si.

Dez edições depois, o programa continua a mobilizar moradores dispostos a pegar no pincel e a resgatar a brancura característica das suas casas, contribuindo para a valorização paisagística e patrimonial do concelho.
Como funcionar e o que está incluído
A mecânica do programa é acessível a qualquer residente: basta inscrever-se nos locais habituais e comprometer-se a caiar a fachada da sua habitação. Em troca, a Câmara Municipal oferece cinco quilos de cal por participante – um incentivo concreto que ajuda a reduzir o custo da operação e a tornar a tradição mais apetecível para quem ainda hesita.
A participação no evento estará sujeita à recolha de imagens e eventual publicação de fotografias e vídeos, no âmbito da divulgação do programa – uma forma de mostrar ao mundo a beleza renovada das terras de Sousel.
Inscrições abertas até 30 de Abril
Quem quiser participar nesta 10ª edição tem até ao final de Abril para o fazer. As inscrições decorrem até 30 de Abril e podem ser realizadas presencialmente, na Junta de Freguesia da sua localidade ou por correio electrónico, através de posto.turismo@cm-sousel.pt.
Uma aposta que vai além da estética
Por detrás de um balde de cal e de um pincel esconde-se uma visão mais ampla de território. A cal é um material natural, respirável, com propriedades antibacterianas e de baixo impacto ambiental – qualidades que a tornam não apenas esteticamente adequada ao Alentejo, mas também ecologicamente coerente com os desafios do presente.
Ao chegar à décima edição, “Caiando a Nossa Terra” demonstra que é possível preservar tradições sem as musealizar – mantendo-as vivas, úteis e desejadas por quem habita e ama estas terras. Em Sousel, a Primavera cheira a cal. E isso é motivo de orgulho.
Cartaz: DR

