
Natural da Póvoa de Varzim, com 47 anos e uma licenciatura em Educação Física e Desporto a que juntou um mestrado em Ciências da Educação, Angélica Sofia Ferreira não planeou ser directora. O cargo foi chegando a ela – primeiro pelo reconhecimento dos colegas, depois pela força de um percurso construído escola a escola, de Vila Nova de São Bento ao Alandroal, de Borba a Nisa, até se fixar em Estremoz, onde vive há quase duas décadas e onde, como ela própria admite, “nem se tinha dado conta de como o tempo passou“.
Foi em Estremoz que construiu a sua vida pessoal – casou, teve filhos, criou raízes -, e foi também aqui que, de forma que descreve como natural, surgiu o convite para integrar a direcção da Escola Secundária Rainha Santa Isabel, em 2018, a pedido do então Director José Carlos Salema. Cinco anos de experiência na liderança, uma passagem pela docência no Agrupamento de Escolas de Estremoz e, finalmente, a decisão de se candidatar. Hoje, Sofia Ferreira é a nova Directora do Agrupamento de Escolas de Estremoz, à frente de uma equipa que diz ser aquela com que sempre sonhou: uma combinação entre a experiência acumulada e a energia de quem chega com vontade de fazer diferente.

Ao longo desta conversa com o Ardina do Alentejo, a Directora fala dos projectos para o mandato, da equipa que escolheu, da ligação que construiu ao Alentejo – “tenho o melhor dos dois mundos” – e da visão que tem para a escola: exigente, sim, mas acima de tudo humana. “Uma escola que não deixa ninguém para trás“.
Ardina do Alentejo – Comecemos pelo princípio. Quem é Sofia Ferreira?
Sofia Ferreira (SF) – A Sofia Ferreira é a professora de Educação Física e, actualmente, Directora do Agrupamento de Escolas de Estremoz. Mas, antes de tudo, é mãe, esposa e filha. É uma mulher trabalhadora, persistente e inconformada, que procura sempre fazer melhor. Sempre preocupada com os outros e com desejo de contribuir para uma escola mais humana.
Ardina do Alentejo – Como é que surgiu esta ideia/aventura de se candidatar à direcção do Agrupamento de Escolas de Estremoz?
SF – Como referi no meu discurso de tomada de posse, esta ideia/aventura não foi uma ambição pessoal definida desde o início, mas antes um caminho que se foi construindo ao longo do meu percurso profissional. Esse caminho foi sendo moldado pelas experiências que vivi e, sobretudo, pelas pessoas com quem me cruzei, em particular pelos professores. Tanto aqueles que fizeram parte da minha formação como aqueles com quem tive o privilégio de trabalhar tiveram um papel determinante nesta decisão. Muitos deles, que hoje são também amigos, foram reconhecendo em mim qualidades e capacidades que eu própria, durante muito tempo, não via. Esse reconhecimento, aliado ao sentido de responsabilidade para com a escola, acabou por me levar a abraçar este desafio.
Ardina do Alentejo – Quais são os grandes projectos para este seu mandato?
SF – O meu projecto de intervenção assenta, antes de mais, no reconhecimento do excelente trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no Agrupamento de Escolas de Estremoz pelos seus profissionais e que muitas vezes não é visível.
O que pretendemos é dar continuidade a esse percurso, introduzindo uma organização mais estruturada, articulada e coerente dos projectos e das dinâmicas já existentes.
O foco estará na melhoria das aprendizagens, no reforço do bem-estar de toda a comunidade educativa e na criação de condições que promovam um ambiente de trabalho colaborativo, onde cada um se sinta valorizado e parte integrante do projecto comum da escola.
Ardina do Alentejo – Como é que encontrou o Agrupamento de Escolas de Estremoz?
SF – Como referi, este percurso foi-se construindo ao longo do tempo. Durante vários anos, desde que concluí a minha licenciatura, concorri a nível nacional e acabei sempre colocada em escolas do Alentejo. Passei por locais como Vila Nova de São Bento, Évora, Alandroal, Borba, Nisa, Estremoz…
Mais tarde, quando já me encontrava na Escola Secundária Rainha Santa Isabel, e pensava que o meu caminho passaria por ali, a vida acabou por me conduzir até ao Agrupamento de Escolas de Estremoz. Em 2018 efectivei no Quadro de Escola do AEE e nesse mesmo ano o então Director, José Carlos Salema, convidou-me para assumir funções como adjunta do Director, em substituição de uma colega que tinha sido colocada mais perto de casa. Aceitei o desafio e permaneci ligada à Direcção durante cinco anos, uma experiência que marcou profundamente o meu percurso. Não posso deixar de referir a importância que a Escola Secundária Rainha Santa Isabel e as pessoas com quem aí trabalhei tiveram no meu percurso. Foi um contexto onde cresci muito, enquanto professora, e enquanto pessoa, e onde encontrei colegas que me apoiaram, incentivaram e marcaram este caminho. Levo comigo esse contributo, que faz parte daquilo que hoje sou e da forma como estou na escola.
Quando decidi sair da Direcção da ESRSI, passei a leccionar no Agrupamento de Escolas de Estremoz, ao qual pertenço. Estou cá há três anos e foi aqui que, de forma natural, este caminho foi ganhando sentido e me trouxe até à função que hoje desempenho.
Ardina do Alentejo – A nova equipa é um misto de continuidade com uma lufada de ar fresco… É a equipa com que sonhou?

SF – Sim, é uma equipa na qual me revejo muito. Desde o primeiro momento, tive bastante claro quem gostaria de convidar para este desafio e, de forma muito natural, todos aceitaram de imediato.
Procurei construir uma equipa que conjugasse experiência, conhecimento do Agrupamento e, ao mesmo tempo, uma nova energia e vontade de fazer.
O professor José João Espadinha traz uma experiência muito sólida e um conhecimento profundo do Agrupamento, conhece-o como ninguém e esta é, verdadeiramente, a sua casa. Não faria sentido não contar com esse saber e com essa ligação tão forte à escola.

O professor Miguel Godinho e a professora Rute Parreiras, são duas pessoas extremamente dedicadas, comprometidas com a educação dos nossos jovens e com um forte sentido de responsabilidade. Trazem uma nova visão, disponibilidade para aprender e uma enorme vontade de contribuir, o que considero fundamental.
Ardina do Alentejo – A Sofia já está no Alentejo há alguns tempos… É uma mulher do Norte já com uma costela alentejana?
SF – É verdade, sou uma mulher do Norte com uma costelinha alentejana. Vivo em Estremoz há quase 20 anos e, curiosamente, nem me tinha dado conta de como o tempo passou.
Foi aqui que construí a minha vida, conheci o meu marido, que apesar de ser de Barcelos fez também deste lugar a sua casa, e foi aqui que os meus filhos nasceram e estão a crescer.
O Alentejo acabou por me acolher e moldar, não só enquanto profissional, mas também enquanto pessoa. Ao longo dos anos, fui criando aqui uma família de amigos, vizinhos e colegas que fazem parte do nosso dia a dia e que são um verdadeiro suporte.
Ainda assim, mantenho uma ligação muito forte ao Norte, onde está a minha família. No fundo, sinto que tenho o melhor dos dois mundos.
Ardina do Alentejo – Para quem for ler esta entrevista, em especial para todos aqueles que têm alguma ligação com o Agrupamento de Escolas, quer sejam alunos, Encarregados de Educação, Professores ou auxiliares, que mensagem lhes deixa?
SF – A mensagem que deixo é, acima de tudo, de confiança e de compromisso. Eu confio nas pessoas que fazem parte deste Agrupamento, alunos, professores, assistentes operacionais e técnicos, técnicos especializados, encarregados de educação, porque são elas o verdadeiro motor da escola. Confiem também!
É compromisso da minha parte, e da equipa que me acompanha, em trabalhar com proximidade, responsabilidade e dedicação para continuar a construir uma escola cada vez melhor.
Queremos uma escola exigente, mas também humana, onde todos se sintam respeitados, valorizados e parte integrante deste projecto comum. Uma escola que não deixa ninguém para trás e que acredita no potencial de cada aluno.
A todos, deixo o convite para que participem, se envolvam e caminhem connosco. Só em conjunto conseguimos fazer a diferença.
Imagens: DR

