
Artistas e bandas como Luís Trigacheiro, Cláudia Pascoal, D.A.M.A., Iolanda, Napa e Os Quatro e Meia musicaram sonetos da calipolense Florbela Espanca para “Florbela”, álbum com direcção artística de João Só, editado na passada sexta-feira, 19 de Março.
Editado na véspera do Dia Mundial da Poesia, “Florbela” inclui 14 temas, unidos pela “lírica, as letras, o tipo de poemas”, disse o músico, produtor e compositor João Só, em declarações à LUSA.
“Isto é engraçado, porque da Cláudia Pascoal ao Luís Trigacheiro vai um salto musical grande, mas não sei como, o cunho da Florbela Espanca torna o disco todo mais homogéneo”, disse.
Criar músicas a partir de sonetos de Florbela Espanca (1894-1930) foi “o grande desafio” deste projecto, tendo em conta que “a baliza do soneto é difícil; a estrutura para uma canção [do] soneto é difícil”.

“E como é curto, normalmente, nuns casos repetiu-se uma parte, tivemos que ‘aldrabar’, ali um bocadinho para as canções não terem todas só um minuto. Mas a minha [‘Desejos Vãos’] foi um caso meio estranho, a canção parecia que se estava a escrever a ela própria. E foi esse gatilho que me entusiasmou a aceitar o projecto”, partilhou.
Antes de aceitar assumir a direcção artística, João Só quis compor uma canção, a que interpreta, “para perceber se era uma coisa que faria sentido ou não”, acabando por ficar “completamente apaixonado pela obra” de Florbela Espanca.
João Só musicou inicialmente “Desejos Vãos” desafiado por um amigo, João Afonso Oom de Sousa, que fez uma primeira selecção de cerca de 40 sonetos que poderiam ser musicados e que o músico acabou por reduzir para 14.
No processo de escolha, em alguns poemas imaginou logo quem lhes daria voz, caso de Carolina de Deus (“O Maior Bem”), dos Napa (“Amor que Morre”) e de Iolanda (“Vaidade”), outros foram os músicos que os escolheram.
Os Trovante, em 1987, popularizaram “Perdidamente”, soneto de Florbela Espanca que Os Quatro e Meia recriaram agora para “Florbela”.
“Já os tinha visto, no nosso processo de produção dos últimos trabalhos deles, a cantar a ‘Perdidamente’ tantas vezes em contexto de camarim, de festa, por isso eu sabia que aquilo ia ter um impacto engraçado tanto no público deles como no público geral. Eles inclusive cantaram com o Luís Represas nos dois espectáculos do MEO Arena e foi um momento muito bonito”, recordou João Só.
“Florbela” está disponível nas plataformas digitais e será editado também em CD e Vinil.
Para já não estão marcadas apresentações do álbum ao vivo, mas “a ideia é ter várias apresentações pontuais”.
“E o projecto não morre agora. Aliás, o projecto começa agora, por isso a ideia é agora desenvolver essa estratégia toda”, disse João Só.
Uma estratégia que poderá passar pelas escolas, algo que o músico gostaria muito.
Além de João Só, Cláudia Pascoal, Iolanda, Napa, Os Quatro e Meia, Carolina de Deus, Luís Trigacheiro e os D.A.M.A., participam também, no álbum “Florbela”, Ana Mariano, Edmundo Inácio, Jorge Pitacas e Mariza Liz, Joana Espadinha, Manuel Guerra e Mimi Froes.
com LUSA | Imagem: DR

