

Sines confirmou o seu estatuto de referência energética nacional ao acolher o 1º Fórum Hispano-Luso de Hidrogénio Verde, evento que marcou o encerramento do projecto europeu FUTURETECH_H2.
A iniciativa atraiu mais de 400 participantes – 130 presencialmente e mais de 300 em formato de streaming -, reunindo especialistas, instituições académicas e entidades dos dois lados da fronteira em torno de um tema que se afirma como central para a transição energética europeia.
O projecto, cofinanciado pela União Europeia através do Programa Interreg VI – A Espanha -Portugal 2021-2027 (POCTEP), nasceu de um consórcio criado em Novembro de 2023 e envolveu seis parceiros das regiões do Alentejo e da Andaluzia. Do lado português, participaram a ADRAL – Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, o Instituto Politécnico de Portalegre e a Universidade de Évora.

Da parte espanhola, integraram o consórcio a FEDEME – entidade líder do projecto -, o Centro Avançado de Tecnologias Aeroespaciais (CATEC) e a Fundação Nao Victoria. O objectivo comum foi claro: desenvolver a cadeia de valor do hidrogénio verde na zona transfronteiriça ibérica, posicionando este vector energético como indústria estratégica do futuro.
O fórum sublinhou dois eixos fundamentais. Por um lado, a cooperação transfronteiriça entre o Alentejo e a Andaluzia, entendida como condição indispensável para liderar a produção, o uso industrial e o armazenamento de hidrogénio renovável. Por outro, a aposta na formação especializada, apontada pelos participantes como o pilar crítico para sustentar a industrialização do sector e fixar talento qualificado nas regiões envolvidas.

Entre os resultados mais destacados do projecto, sobressai o simulador digital de produção de hidrogénio verde, implementado como projecto-piloto e reconhecido pelo Interreg Europe como um caso de sucesso – distinção que coloca esta iniciativa transfronteiriça no mapa das boas práticas europeias em matéria de inovação energética.
O encontro encerrou com uma visita técnica à refinaria da Galp em Sines, momento que reforçou o papel da cidade como hub energético de excelência e ilustrou, de forma concreta, o potencial do território para liderar a próxima geração de energias limpas.
Para o Alentejo, que partilha com a Andaluzia condições naturais privilegiadas – sol, vento e espaço – para a produção de energia renovável, este fórum representa muito mais do que o encerramento de um projecto. É um ponto de partida para uma agenda regional que pode colocar o interior português na linha da frente da economia verde europeia.
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