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Moura perde um dos seus filhos mais ilustres: morreu Mário Zambujal, aos 90 anos

Moura está de luto. Mário Zambujal, um dos mais queridos escritores e jornalistas portugueses da sua geração, morreu hoje, dia 12 de Março, aos 90 anos. Natural da cidade alentejana, onde nasceu em Março de 1936, Zambujal partiu cedo da sua terra natal. Com cinco anos viveu na Amareleja, seguindo depois com a família para o Algarve e, já adulto, fixou-se em Lisboa, cidade onde construiu uma carreira notável e multifacetada. Mas as raízes no Alentejo nunca o abandonaram, e Moura sempre se orgulhou de o contar entre os seus filhos mais ilustres.

A vocação para a escrita manifestou-se desde muito jovem. Aos 15 anos, publicou o seu primeiro texto, um conto, no semanário satírico Os Ridículos, dando os primeiros passos numa carreira que o levaria às mais importantes redacções do país. Foi jornalista d’A Bola, subdirector do Record, chefe de redacção d’O Século e do Diário de Notícias, director do jornal de espectáculos Se7e e do semanário Tal & Qual, e ainda colunista do diário 24 Horas.

Na televisão, tornou-se um rosto familiar dos portugueses como jornalista desportivo da RTP e apresentador do programa “Grande Encontro”. Na rádio, a sua voz e o seu humor ficaram para sempre associados ao “Pão com Manteiga”, na Rádio Comercial, que animou ao lado de Carlos Cruz.

Mas foi a literatura que lhe garantiu um lugar permanente no coração dos leitores. Em 1980, estreou-se com “Crónica dos Bons Malandros”, obra que se tornaria um dos títulos mais emblemáticos da ficção portuguesa contemporânea, adaptada ao cinema por Fernando Lopes e a uma série de televisão realizada por Jorge Paixão da Costa. Seguiu-se uma bibliografia vasta e diversificada, que inclui “Histórias do Fim da Rua”, “À Noite Logo se Vê”, “Primeiro as Senhoras”, “Dama de Espadas”, “Longe É um Bom Lugar”, “Romão e Juliana”, “Já Não se Escrevem Cartas de Amor”, entre muitos outros títulos.

Ao longo da carreira, foi galardoado com o Prémio Gazeta de Mérito, atribuído pelo Clube de Jornalistas em reconhecimento pelo seu percurso exemplar.

Com uma escrita marcada pela ironia e pela observação fina do quotidiano, Zambujal tornou-se uma das vozes mais singulares da cultura portuguesa contemporânea. Preferia, no entanto, uma apresentação mais modesta: a de alguém que gostava simplesmente de contar histórias.

Com a sua morte, Portugal perde um contador de histórias inigualável. Moura perde um filho que a nunca esqueceu.

com RTP | Imagem: DR

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