
Estremoz perdeu este sábado, 7 de Março, um dos seus filhos mais ilustres. O General António Eduardo Queiroz Martins Barrento, Chefe do Estado-Maior do Exército Português, entre Março de 1998 e Março de 2001, faleceu aos 87 anos, deixando um vazio profundo não só nas Forças Armadas como na terra que o viu nascer.
Ao longo de uma carreira dedicada inteiramente ao serviço de Portugal, Martins Barrento foi-se afirmando como muito mais do que um oficial de alta patente. Tornou-se uma referência intelectual incontornável no debate sobre segurança e defesa nacional, distinguindo-se pela clareza do pensamento e pela firmeza dos princípios que sempre nortearam a sua conduta. O comando do Exército, que exerceu durante três anos no final do século passado, foi o culminar de uma trajectória construída com rigor e sentido de missão.
Em comunicado divulgado esta tarde, o Exército Português manifestou “profunda consternação” pelo desaparecimento do militar, prestando condolências à família e amigos. A nota destaca o percurso de Barrento como exemplo de “ética, rigor e sentido de serviço público“, e enaltece a sua “excepcional lucidez intelectual e elevada estatura moral“. Para a instituição castrense, Portugal perde “um dos seus mais notáveis soldados“.

O General defendia que a solidez da defesa de um país não reside apenas no poderio militar, mas assenta, acima de tudo, nos valores, na experiência acumulada e no desenvolvimento permanente do conhecimento – uma visão que continua actual e que deixa marca nas gerações de militares que com ele aprenderam.
O Exército sublinha que a vida e o legado de António Martins Barrento constituem “motivo de profundo reconhecimento e perene respeito“, e que a sua carreira permanecerá como fonte de inspiração para todos os que servem Portugal de farda.
As cerimónias fúnebres
O velório terá lugar na segunda-feira, 9 de Março, entre as 16 e as 23 horas, na Capela da Academia Militar, em Lisboa. Na terça-feira, 10 de Março, o velório será retomado às 10 horas, seguindo-se a Missa de Corpo Presente, às 11 horas. O cortejo fúnebre seguirá depois para o Cemitério dos Olivais, onde a cremação está marcada para as 13 horas.
Estremoz despede-se assim de um homem que, tendo partido jovem para abraçar a vida militar, nunca deixou de carregar consigo as raízes alentejanas que moldaram o seu carácter.
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