
Évora ficou, desde o início de 2026, sem um espaço dedicado ao cinema alternativo. O Auditório Soror Mariana, situado em pleno centro histórico da cidade, com pouco mais de 50 lugares, suspendeu as suas actividades após a identificação de problemas de infiltrações e condições de salubridade que o tornaram impróprio para receber público.
A sala, propriedade da Universidade de Évora (UÉ), acolhia semanalmente sessões organizadas pelo núcleo de cinema da Sociedade Operária de Instrução e Recreio (SOIR) Joaquim António d’Aguiar e pelo grupo Cinema-fora-dos-Leões – dois núcleos de cinéfilos que, ao longo de vários anos, construíram um público fidelizado em torno do cinema de autor, independente e premiado nos grandes festivais internacionais.
“Custa pensar que Évora não tem agora um sítio onde se possam ver filmes das grandes referências do cinema“, lamentou à LUSA o presidente da SOIR Joaquim António d’Aguiar, Pedro Branco, sublinhando a gravidade da situação para uma cidade que se prepara para ser Capital Europeia da Cultura.
Problemas agravados pelo mau tempo

Segundo o Vice-Reitor para as Infraestruturas e Políticas para a Vida na UÉ, João Valente Nabais, “as infiltrações no edifício agravaram-se, no início deste ano, com a intempérie”, afectando a cobertura, uma casa de banho, o hall de entrada e os soalhos e mobiliário da sala. A academia garantiu que a intenção é renovar o imóvel e revelou que já foi contratada uma empresa para reabilitar a casa de banho danificada. Quanto ao restante, está ainda a ser feita uma avaliação dos trabalhos necessários antes de avançar para o procedimento de contratação, sem que tenha sido apontada qualquer data para o início das obras.
Um público fiel e números expressivos
Os dados falam por si: em 2025, o Auditório Soror Mariana realizou 118 sessões, que contaram com um total de 5.041 espectadores, de acordo com os números submetidos ao Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA).
Perante a indefinição quanto ao prazo de reabertura, os dois núcleos de cinéfilos já procuram salas alternativas, temporárias ou permanentes. “Se a operação for rápida, resolve-se mais ou menos tranquilamente, mas, se percebermos que se arrasta por um ano ou assim, inclusivamente entrando em 2027, isso preocupa-nos“, admitiu Pedro Branco, reiterando a preocupação por Évora não ter, neste momento, “um local onde se possa ver cinema com grandes referências” – e isto a poucos passos de assumir o papel de Capital Europeia da Cultura.
com LUSA | Imagem: DR

