

A Humana, entidade de economia social que opera no país, há mais de 28 anos, na recolha e tratamento de têxtil usado, deixou de assegurar este serviço em sete municípios portugueses, entre os quais Estremoz. Também saem do mapa de recolha os concelhos de Caldas da Rainha, Santarém, Entroncamento, Almeirim, Moita e Évora.
A decisão surge na sequência da recente alteração legislativa europeia que torna obrigatória a recolha de têxtil usado pelos municípios, exigindo uma mudança urgente na forma como os operadores são seleccionados e remunerados para a prestação deste serviço.
Modelo actual insustentável
Até agora, a recolha têxtil era realizada mediante o pagamento, por parte dos operadores como a Humana, de uma taxa de ocupação de espaço público – para colocação de contentores – ou de uma contrapartida financeira aos municípios. No enquadramento actual, este modelo deixa de ser adequado e, segundo a organização, tornou-se economicamente insustentável.
“Apesar da relação institucional saudável que mantemos com as entidades, é insustentável continuarmos a pagar para ter um equipamento que responde a uma necessidade municipal obrigatória“, alerta Sónia Almeida, promotora nacional da Humana.
A responsável avisa que, “se o benefício e serviço público inquestionável que os gestores como a Humana representam não for reconhecido de forma justa, corremos o risco de entidades como a nossa e o próprio sector colapsar e de não existirem alternativas, o que representaria um cenário desolador do ponto de vista ambiental“.
256 contentores retirados em todo o país
A Humana assumiu a dianteira e retirou vários equipamentos numa primeira resposta à actual situação do mercado e com o objectivo de manter a sustentabilidade da sua actividade, afectada também pelo aumento dos custos associados aos processos logísticos e operacionais.
Após a redução de equipamentos de recolha anunciada, a Humana passa a gerir 826 contentores de recolha têxtil em todo o território nacional, tendo retirado até ao momento 256 equipamentos – entre eles os que estavam instalados em Estremoz.
No ano passado, a Humana recuperou 3.919 toneladas de têxtil usado em 25 concelhos, com uma taxa global de reutilização na ordem dos 61%.
Fast fashion agrava problema
Sónia Almeida reforça que “o processo de gestão têxtil deve ser assegurado por entidades com competência comprovada, como a Humana, de forma transparente, garantindo a igualdade de oportunidades no cumprimento desta operação“.
A promotora nacional da organização garante disponibilidade para retomar negociações e, “se for caso disso, voltar a colocar os contentores nas ruas“, mas sublinha: “quando falamos de têxtil usado, a sustentabilidade não pode ser apenas uma bandeira simbólica. É indispensável assegurar condições que garantam a continuidade e a subsistência dos operadores que a tornam possível“.
A responsável aponta ainda que “com a proliferação da fast e ultra fast fashion e a consequente queda do valor de mercado destes materiais, a par do agravamento contínuo dos custos operacionais associados à recolha, triagem e gestão dos mesmos, torna-se insustentável continuar” no actual modelo.
A retirada dos contentores de recolha de têxtil usado deixa Estremoz e os restantes municípios afectados sem esta resposta ambiental, numa altura em que a legislação europeia obriga precisamente ao reforço deste tipo de serviços de economia circular.
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