

A Câmara Municipal de Campo Maior decretou três dias de luto municipal na sequência da morte de José Valter Cunha Canastreiro, bombeiro voluntário da corporação local e militar da Guarda Nacional Republicana (GNR), que faleceu este sábado, 7 de Fevereiro, durante uma operação de apoio às populações afectadas pelo mau tempo.
O bombeiro, de 46 anos, morreu no decorrer de uma acção de patrulhamento, reconhecimento e vigilância na Estrada Nacional 373 (EN373), numa zona de confluência com o Rio Caia, em Campo Maior, segundo informação da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC). O alerta foi dado cerca das 13:30 horas.
Consternação na vila
O presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, afirmou à Lusa que foi com “grande consternação” que a população da vila recebeu a notícia. O autarca destacou o “espírito de missão e a forma activa” com que José Valter Canastreiro desempenhava as suas funções no dia-a-dia, tanto como bombeiro, quanto como militar da GNR.
“É um dia muito trágico em que acabam por partir dois bombeiros, um de uma forma [doença prolongada] e outro em missão“, lamentou Luís Rosinha, enviando condolências “a todos os familiares, à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Campo Maior e à GNR pela perda do elemento“.
Comandante revela circunstâncias
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Campo Maior, Pedro Tomé, explicou à Lusa que a morte ocorreu durante uma acção de patrulhamento e vigilância motivada pelo mau tempo. “Algo se passou, [ele] sentiu-se mal, algo deste género, e entrou numa linha de água“, relatou o comandante, que lamentou profundamente a perda e sublinhou que o pessoal da corporação ficou “em baixo” com o ocorrido.
Na sequência do incidente, já deu entrada na corporação uma equipa de psicólogos para acompanhar os restantes elementos dos Bombeiros Voluntários de Campo Maior.
Condolências oficiais
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou pesar pela morte do bombeiro, elogiando o seu “exemplo de abnegação e dedicação à causa pública“. Numa mensagem publicada no site da Presidência, o Chefe de Estado destacou que José Valter Canastreiro faleceu “ao serviço de apoio às comunidades afectadas pela intempérie“.
Também o Ministério da Administração Interna (MAI) expressou “profundo pesar e consternação” pela morte do militar do Posto Territorial de Campo Maior, “vítima de um acidente na Ribeira de Caia, no decorrer de um serviço de apoio à Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Campo Maior, durante o seu período de descanso“.
Balanço do mau tempo
José Valter Canastreiro é uma das 14 vítimas mortais registadas em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também centenas de feridos e desalojados.
O temporal causou destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, queda de árvores e estruturas, fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, cortes de energia, água e comunicações, além de inundações e cheias. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afectadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade, até 15 de Fevereiro, para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
com LUSA | Imagem: DR
