

O novo Hospital Central do Alentejo (HCA), em construção em Évora, só deverá entrar em funcionamento no último trimestre de 2027, de forma faseada, segundo informação prestada pelo Ministério da Saúde à Assembleia da República. A previsão representa mais um adiamento num projecto que já acumula vários atrasos desde o seu início.
A futura unidade hospitalar, que deverá servir toda a população alentejana, tem vindo a ver sucessivamente adiada a sua conclusão. As datas inicialmente anunciadas apontavam para o final de 2023 ou início de 2024, depois para o final de 2024 e Fevereiro de 2025 – ainda durante o Governo do PS –, e mais recentemente para o primeiro semestre de 2026, já com o executivo da Aliança Democrática (PSD/CDS-PP).
Em resposta ao deputado socialista Luís Dias, que questionou a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, sobre o tema, o Ministério admite que, de momento, “não é possível indicar uma data definitiva para a conclusão da empreitada“.
O Governo revelou que o contrato foi prorrogado até 29 de Agosto de 2026, determinando a elaboração de um novo plano de trabalhos com a definição de uma data previsível de conclusão da obra.
Vários factores na origem dos atrasos
Segundo a tutela, as sucessivas prorrogações resultam de diversos factores: dificuldades no arranque da obra, consignada a 30 de Julho de 2021 mas com início efectivo apenas em Fevereiro de 2022; a necessidade de ajustes no projecto original em alguns departamentos e serviços; e o cumprimento de normativos e aprovações técnicas posteriores ao lançamento do concurso.
A execução física da obra encontra-se actualmente em cerca de 75%. O Ministério indica que, “caso sejam rapidamente resolvidas as alterações em curso“, a conclusão da construção poderá ocorrer até ao final de 2026.
Contudo, será necessário um período de aproximadamente seis meses para a realização de testes a instalações e equipamentos, vistorias e licenciamento, o que empurra o início de funcionamento para o último trimestre de 2027, “de forma faseada, privilegiando as áreas de ambulatório“.
O gabinete de Ana Paula Martins assinala ainda que “a operacionalização do hospital dependerá do avanço das obras de infraestrutura externa – rodovias, abastecimento de água, saneamento e ligação à rede eléctrica –, sob responsabilidade do Município de Évora“.
Financiamento comunitário garantido
Apesar das derrapagens no calendário, o Governo garante que “os atrasos na obra não colocam em risco o financiamento comunitário“. A primeira fase, com um financiamento aprovado de 40 milhões de euros, já está concluída, enquanto a segunda fase, que conta com 17,726 milhões de euros de fundos europeus, “decorre dentro do prazo previsto“.
O novo Hospital Central do Alentejo é uma infraestrutura considerada fundamental para melhorar a resposta do Serviço Nacional de Saúde na região, uma das mais envelhecidas do país e com graves carências ao nível dos cuidados hospitalares.
com Ânia Ataíde – eco.sapo.pt I Imagem: DR
