

Entre os dias 30 de Janeiro e 1 de Fevereiro, o Convento dos Agostinhos, junto ao majestoso Palácio Ducal, albergou a terceira edição da Feira de Doçaria Conventual de Vila Viçosa, que a partir da edição de 2026, passa a designar-se Feira de Doçaria Conventual Lurdes Ramos, em homenagem à doceira calipolense falecida no ano passado. Lurdes Ramos foi uma das mais fervorosas defensoras desta iniciativa, para além de ter sido uma pessoa fundamental na organização das duas primeiras edições.
Promovida pela Câmara Municipal de Vila Viçosa, a III Feira de Doçaria Conventual teve como principal objectivo salvaguardar e promover a doçaria conventual e tradicional do concelho, e consequentemente, da região e do distrito de Évora.
Durante três dias, Vila Viçosa voltou a ser a capital da Doçaria Conventual.
Ardina do Alentejo marcou presença no certame, e esteve à conversa com Tiago Passão Salgueiro, vice-presidente da autarquia de Vila Viçosa, que nos fez um balanço do evento e que perspectivou desde logo as próximas edições.
Ardina do Alentejo – Que balanço faz desta III Feira da Doçaria Conventual Lurdes Ramos?
Tiago Passão Salgueiro (TPS) – Em primeiro lugar, agradecer ao Ardina do Alentejo a oportunidade.
Realmente, o balanço é positivo. Ontem [sábado] tivemos um dia realmente excelente. Hoje [domingo], com as condições climatéricas um pouco mais adversas, mas mesmo assim temos registado uma afluência significativa de público, e de realçar, com muitos espanhóis.
Significa que o balanço é positivo. Tivemos também um crescimento em termos daquilo que foi o número de expositores. Utilizámos os espaços possíveis no interior do Convento dos Agostinhos. No fundo, este formato é para manter e tivemos aqui uma participação muito significativa e promovemos a nossa doçaria conventual, que era o mais importante, e dando vida também a um espaço que normalmente está encerrado ao longo do ano.
Ardina do Alentejo – O sucesso desta terceira edição faz perspectivar uma quarta, uma quinta, uma sexta edição?
TPS – Sim, a nossa ideia é dar continuidade à organização da Feira de Doçaria Conventual Lurdes Ramos, que é a homenageada a partir desta edição, uma vez que infelizmente faleceu no passado ano, e aquilo que pretendemos é realmente isso, dar continuidade a este evento.
No âmbito da nossa candidatura a Património Mundial, temos feito uma aposta naquilo que é o nosso património imaterial e as nossas tradições, e em Vila Viçosa a doçaria conventual tem uma ligação secular aos conventos, e nesse sentido, é também um pouco da nossa história que está aqui a ser divulgada.
A ideia é manter e muito provavelmente utilizar outros espaços do Convento dos Agostinhos, que ainda se encontram encerrados, e continuar com esta dinâmica.
Temos tido também a proposta de admissão de mais participantes, vindos de diferentes pontos do país.
O balanço é positivo e a iniciativa é para ter continuidade.
Ardina do Alentejo – Vila Viçosa está mais doce que em 2021?
TPS – Eu acho que sim mas é um pouco suspeito eu poder fazer essa auto-avaliação.
Mas eu acho que temos dado essa dinâmica, sempre em parceria com as associações, e eu não me canso de referir isso. E nessa lógica, eu acho que Vila Viçosa tem sido colocada mais vezes no mapa, por causa destes eventos que eu acho que são importantes, e as iniciativas que temos desenvolvido ao longo dos anos trazem pessoas a Vila Viçosa.
E ainda ontem o Presidente Inácio Esperança comentava isso mesmo. A taxa de afluência em relação às unidades hoteleiras é muito significativa. A restauração também tem registado bons números e bons valores. Pensamos que estes eventos, trazendo pessoas a Vila Viçosa, acabam por dar uma dinâmica também àquilo que são os pequenos negócios, e à hotelaria e restauração.
O Concurso de Doces Conventuais, que premiou o melhor doce do certame, foi um dos pontos altos da edição de 2026 da Feira de Doçaria Conventual, e que serviu igualmente para homenagear Ana Soeiro, falecida igualmente no ano passado, e também ela fundamental na organização das duas primeiras edições.
O “Toucinho do Céu”, confeccionado por Cesaltina Ramos, foi o grande vencedor do Concurso de Doces Conventuais Ana Soeiro, numa decisão unânime do júri.
Estiveram a concurso 14 doces, todos seguindo os padrões tradicionais da doçaria conventual.
A segunda posição foi ocupada pelo “Queijo do Céu”, de Olímpia Caia, tendo fechado o pódio, os “Rebuçados de Ovo de Portalegre”, da “Sonho Doce”.
A III Feira de Doçaria Conventual Lurdes Ramos contou com a Qualifica como parceira, e com o apoio da Delta Cafés e da Irmandade das Sementes do Verbo.
Imagem: DR
