• 965728026
  • info@ardinadoalentejo.pt
  • Estremoz - Alentejo - Portugal

Celebrar Clara Pinto Correia! “A Clara sentiu-se em casa em Estremoz”.

Na próxima quinta-feira, dia 8 de Janeiro, passa um mês sobre a morte da escritora e cientista Clara Pinto Correia.

De forma a assinalar a data, será celebrada uma Missa, na Igreja de São Francisco, em Estremoz, pelas 18 horas, numa iniciativa levada a cabo pela família de Clara Pinto Correia.

Numa nota enviada à nossa redacção, Margarida Pinto Correia refere que a irmã Clara “sentiu-se em casa em Estremoz, que adorava, e que muito bem a acolheu. Aqui sonhou, aqui sofreu, aqui muito produziu, aqui adorava receber amigos e família. Aqui adoptou o seu Sebastião, rafeiro alentejano que tanta alegria lhe deu. Deixou mil histórias com os vizinhos, mil planos por realizar e muita escrita publicada e por conhecer. Aos poucos a recuperaremos. Estremoz foi casa e colo, e sabemos o quanto a Clara gostaria de celebrar isso”.

Margarida Pinto Correia enviou-nos um texto, que passamos a transcrever:

Celebrar a Clara. Tarefa recheada de luz e sombras, peripécias e aventuras, grandes conquistas académicas e mil deslumbres mediáticos.

Celebrar a Clara em família é conhecer-lhe as meiguices e as fúrias, a teimosia e a persistência, a magia e a ironia caustica. Tudo numa só pessoa, numa só mulher, ainda por cima provocante.

Celebrar a Clara “por fora” é desenhar uma linha que parecia infinita, desde o deleite africano da infância, passando pelos estudos de Biologia, cruzados com jornalismo n’ O Jornal, dias sempre recheados com toda a imaginação do mundo, mil histórias com muito mais estórias dentro. Adorada como professora universitária ou revelada nos tempos da alfabetização no Alentejo e em Trás-os-Montes; desafiada na Ciência em Harvard, em Ahmerst, no Instituto Calouste Gulbenkian ou nas investigações de História da Ciência por que se apaixonou; devota de Stephen Jay Gould ou de Mísia… que miríade de pessoas dentro d’ela só!

Que impossibilidade de a resumir, ou até mesmo de a contar numa pincelada.

A Clara, dizia o Presidente da República na sua despedida, é como os corpos celestes que rasgam o céu, inesperados, muito visíveis, depois em nebulosa ou massa negra, depois em brilho ofuscante, depois invisíveis, mas sempre, para sempre, existentes.

É isso. Ficaremos a descobri-la durante muitos, muitos anos. Nos relatos. Nos livros. No que aparece deixado por ela feito, ou preparado, a cada dia novo. Nas pessoas que tocou anonimamente, e nos anónimos que por ela foram encorajados a ser mais e melhor. A que podiam ser mais eles. Nos testemunhos que continuam a chegar.

Se nos faltar imaginação, sabemos que podemos contar com ela. Bastará sintonia, bastará fazer-lhe jus à forma abundante com que se entregou a tudo e todos.

Em Estremoz, a Clara sentiu-se em casa. Foi acolhida. Inquirida, protegida, questionada, abraçada. Teve tudo, como quando estamos em casa.

Margarida Pinto Correia, irmã

Em Estremoz, a Clara sentiu-se em casa. Foi acolhida. Inquirida, protegida, questionada, abraçada. Teve tudo, como quando estamos em casa.

Fez amigos, amigos que honramos por tanto a terem acompanhado.

Fez curiosos, que adorava surpreender.

Fez parte.

E por isso queremos celebrá-la, no primeiro mês sobre a sua passagem, com todos os que se queiram juntar para brindar à sua luz, à sua imaginação, ao seu rasto.

Dia 8 de Janeiro, na Igreja de S. Francisco, em Estremoz, pelas 18 horas, celebramos a Clara em tudo o que ela é.

Cada um saberá qual a faceta dela que celebra, cada um escolherá como brindar. Mas estaremos juntos: a família a agradecer a Estremoz pelo colo, e Estremoz a despedir-se com suavidade deste seu cometa”.

Imagem: DR

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *