quarta, 20 junho 2018

João Maria Branco venceu mano-a-mano em Estremoz

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Mano-a-mano merecia um melhor curro de touros Mano-a-mano merecia um melhor curro de touros Ivo Moreira
Integrada no programa da edição número 29 da FIAPE, Feira Internacional Agropecuária de Estremoz, realizou-se na tarde do passado Sábado, dia 2 de Maio, na centenária e recentemente renovada Praça de Touros de Estremoz, uma corrida de touros, aguardada com muita expectativa, por tratar-se de um aliciante mano-a-mano entre os cavaleiros João Moura Caetano e João Maria Branco. As pegas estiveram a cargo dos Grupos de Forcados Amadores de Montijo, Arronches e Redondo, tendo sido lidados seis touros da ganadaria de Manuel Cary Herdeiros.
 
O público que marcou presença na Praça de Touros de Estremoz, e que encheu cerca de ¾ da praça estremocense, merecia mais. Merecia essencialmente, um melhor curro de touros. Os touros Cary até que estavam bem apresentados, mas saíram muito chatos, distraídos, e com um comportamento que não deixa saudades, excepção feita ao último da tarde, que calhou em sorte a João Maria Branco, e se quisermos ser benevolentes, ao quinto da tarde, o último de João Moura Caetano.
 
O cavaleiro de Monforte apenas teve oponente na sua última lide, um touro que se deixou lidar e que permitiu que João Moura Caetano fizesse uma actuação agradável, que culminou num bom ferro de palmo. No touro que abriu praça, Moura Caetano cravou apenas a ferragem da ordem, visto que o astado nunca se meteu na lide. No seu segundo touro, mais um Cary distraído que surpreendeu de vez em quando chegando a tocar algumas vezes na montada, destaque para dois soberbos ferros com o seu cavalo-estrela Temperamento.
 
João Maria Branco, que jogava em casa, não queria defraudar o seu público, mas os seus dois primeiros oponentes não lhe deram hipótese de triunfo. No seu primeiro da tarde, o jovem cavaleiro estremocense teve de trabalhar muito para cravar a ferragem da ordem. O segundo touro da série mostrou mais do mesmo. Com um astado difícil e que nada transmitia, Branco cravou uma série de compridos e curtos de boa nota, numa actuação, apesar de tudo, agradável. O melhor estava guardado para o fim. Podiam mesmo ter avisado o público que a corrida começava às 19.10 horas. João Maria Branco esperou o seu oponente à porta gaiola, numa clara atitude de quem quer triunfar em grande. Dois muito bons compridos, seguidos de uma série de curtos com fantástica batida ao piton contrário e remates de elevado destaque. A dupla Branco/Da Vinci deram lição de brega, que facilmente chegou ao público, e que proporcionou ao cavaleiro estremocense um redondo e vistoso triunfo.
 
No que à rapaziada das jaquetas das ramagens diz respeito, tudo dentro da normalidade, sem uma grande pega para a posteridade. Pelos Amadores do Montijo, foram caras Hélio Lopes e João Damásio, que pegaram ao primeiro intento. Os Amadores de Arronches também pegaram os seus dois oponentes à primeira tentativa, tendo sido caras Manuel Cardoso e Fábio Mileu. Pelos Amadores de Redondo, pegaram à terceira, Carlos Polme, e à primeira, Hugo Figueira.
 
Dirigiu a corrida Marco Gomes, que foi abrilhantada pela Banda da Sociedade Filarmónica Luzitana.
 
João Moura Caetano
“Foi uma tarde muito esforçada. Tive de me empregar ao máximo. Eu e os cavalos estamos programados para outro tipo de lide e outro tipo de touros. Os touros não serviram. Este último foi o mais colaborante, era manso mas não tinha perigo. Os outros dois foram muito complicados. Ao João Maria também lhe tocaram dois touros muito complicados e que não permitiram luzimento. As tardes são assim. A ganadaria também é nova e ainda pode melhorar muito. O toureio é isto mesmo. Acho que dei a volta possível aos touros que tive. Em relação ao resto da temporada posso dizer que há muitas corridas importantes. Eu sinto-me bem, penso que tenho uma quadra grande e capaz de responder aos desafios que aí vêm, portanto, é para a frente”.
 
João Maria Branco
“Foi uma corrida de touros séria. A verdade é que quando parti para esta corrida, parti como sendo este mais um grande desafio na minha carreira, como todos os outros. A minha curta carreira tem sido pautada por sempre que toureio ser em datas importantes, com a máxima responsabilidade e onde é importante triunfar. 
Era a primeira vez que toureava um mano-a-mano, ainda por cima em Estremoz, na minha terra e para a minha gente. Não podia vir com mais responsabilidade e mais emocionado. Porque já não era lidada há algum tempo, não sabíamos como ia sair a ganadaria, e o que é verdade é que criou várias dificuldades ao longo da tarde. Foi uma corrida séria, uma corrida dura e onde não houve facilidades.
Acho que tive três lides distintas. A primeira de recurso, face a um touro bastante complicado. A segunda, com um touro também a pedir contas, uma lide séria, penso que como mandam os cânones da tauromaquia. A última acho que foi uma lide triunfal, onde consegui interpretar tudo aquilo que é o meu toureio, a minha tauromaquia. Consegui triunfar e dar essa lide que tanto esperava e gostava de ter dado em Estremoz. Das três vezes que aqui toureei penso que esta foi a lide mais redonda e até mesmo uma das mais redondas da minha carreira.
Sobre se fui eu o vencedor deste mano-a-mano, não estou no papel de responder a essa pergunta porque acho que como toureiros nos devemos respeitar uns aos outros. A verdade é que a corrida foi realmente dura, tanto para mim como para o João. Neste último touro consegui encontrar soluções e dar a volta ao oponente de forma a triunfar. Estou satisfeito acima de tudo porque saio daqui com os objetivos a que me propus cumpridos e realizados.
A temporada de 2015 não vai ser de muitas corridas em Portugal, mas penso que vão ser boas. Não podia ter começado da melhor forma. Tourear um mano-a-mano e triunfar acho que é sempre dignificante e bom para começar uma temporada que espero que seja forte, mas essencialmente baseada em Espanha”.
 
Ricardo Figueiredo - Cabo do Grupo de Forcados Amadores do Montijo
“A prestação do grupo foi boa perante dois touros que não foram difíceis. O grupo esteve por cima. Para esta temporada de 2015 estamos com algumas expectativas. Temos algumas corridas já marcadas e em sítios bons, que é onde gostamos de ir”.
 
Ricardo Porto Nunes - Cabo do Grupo de Forcados Amadores de Arronches
“Acho que estivemos perfeitos hoje. Era uma tarde de grande emoção para nós. Vínhamos com uma grande ilusão e acho que correspondemos a essa ilusão que trazíamos e acho que o demonstrámos em praça. As expectativas para esta temporada de 2015 são as melhores. Até este momento trazemos cinco corridas e só pegámos um touro à segunda tentativa. Esperemos que o resto da temporada corra assim. Vamos fazer os possíveis para que seja uma temporada de êxitos também por ser a minha última temporada, e quero que seja uma temporada de êxitos para mim e para todos os meus colegas. Vou-me despedir dia 29 de Agosto, em Arronches, num cartel por nós idealizado, um cartel de amigos”.
 
Domingos Jeremias - Cabo do Grupo de Forcados Amadores de Redondo
“Foi a primeira corrida que fizemos em 2015 e na primeira pega viu-se que estávamos ainda um bocadinho verdes. Tentámos sempre fazer o melhor, não correu da melhor maneira, mas acho que terminámos em grande, com esta segunda pega, e é para isso que cá estamos. Esta temporada estamos na época dos 15 anos, onde vou fazer a minha despedida. Queremos mais corridas assim como hoje, onde o mais importante é que ninguém se tenha aleijado. Até ao momento temos algumas corridas já faladas, outras já marcadas, mas essencialmente o que eu peço para esta temporada é que seja como foi hoje, onde ninguém se aleijou”.
 
Guilherme Cary - Ganadaria Manuel Cary Herdeiros
“Os touros cumpriram. Os primeiros touros pediam algumas contas, precisavam de ser entendidos, mas nunca se fecharam em tábuas, e eram uns touros que necessitavam de algum trabalho de volta deles. Na minha opinião, podiam ter transmitido um bocado mais, mas isto é uma carta fechada e espero que os próximos curros transmitam mais. 
Sobre se vamos ver mais touros da ganadaria Manuel Cary nas praças portuguesas, penso que sim. São projectos de muito tempo, de quatro anos, resumidos em duas horas de corrida e uma pessoa não pode desmoralizar quando não sai tão bem. Há-de haver outros que vão sair bem e vamos continuar”.
 

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