terça, 11 dezembro 2018

Alentejo Food and Soul - um verdadeiro sucesso que merece repetição

Escrito por  Publicado em Reportagens quinta, 07 junho 2018 00:41
Mais de 20 chefes, inspirados pela gastronomia alentejana e pelos produtos regionais, criaram, à vista dos visitantes, pratos inovadores e variados Mais de 20 chefes, inspirados pela gastronomia alentejana e pelos produtos regionais, criaram, à vista dos visitantes, pratos inovadores e variados Ivo Moreira
Juntando produtores locais de enchidos, queijos, vinhos, azeites, legumes e doces, com jovens cozinheiros, com chefs nacionais e internacionais, de créditos firmados, realizou-se no passado fim de semana, nos dias 2 e 3 de Junho, no Convento das Maltezas, em Estremoz, a 1ª edição do Alentejo Food and Soul, evento gastronómico que se revelou, não só pela qualidade dos pratos apresentados mas também pela afluência de público, um verdadeiro sucesso.
 
Durante os dois dias do evento, produzido pela Amuse Bouche, promovido pela ERT – Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, e que contou com o apoio da Câmara Municipal de Estremoz e da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, os visitantes que passaram pelas instalações do Centro Ciência Viva de Estremoz puderam degustar as propostas de grandes nomes da gastronomia, chefs cujos restaurantes já foram consagrados com estrelas Michelin, como Alexandre Silva (Loco - Lisboa) e Miguel Laffan (L'and – Montemor-o-Novo), cozinheiros internacionais, como o austríaco Matthias Bernwieser ou o turco Semi Hakim, que apresentaram as novas tendências da cozinha mundial, para além da “prata da casa”, Michelle Marques (Mercearia Gadanha), Alberto Muralhas (Alecrim) e Alice Pôla (Cadeia Quinhentista), entre muitos outros.
 
Todos, inspirados pela gastronomia alentejana e pelos produtos regionais, criaram, à vista dos visitantes, pratos inovadores e variados, onde estavam também incluídos os vegetarianos, e cujos preços variaram entre os cinco e os sete euros.
 
Praticamente no final da edição de 2018 do Alentejo Food and Soul, o Ardina do Alentejo foi ao encontro de alguns dos chefs que marcaram presença no evento, para que fosse feito por eles o balanço de uma iniciativa que pode contar com eles no futuro. Falámos também com João Cavaleiro Ferreira, representante da ERT - Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, e com Paulo Barata, o homem que colocou de pé, em conjunto com a sua equipa, o Alentejo Food and Soul.

 
Para o chef António Nobre, do M´AR De AR Muralhas, em Évora, “pelo que vi e pelas doses de Sopa de Cação à Alentejana que vendemos, este evento teve uma grande aceitação e é para continuar, sem dúvida”.
 
Sobre a sua presença em próximas edições do Alentejo Food and Soul, o chefe não podia ser mais claro: “Agradeço muito que me convidem para estes eventos, não só pelo que damos a provar às pessoas, mas também pelo convívio entre colegas”.
 
O Doce de Melão e Poejo, do chefe Carlos Fernandes, foi um dos grandes sucessos do Alentejo Food and Soul 2018. Para este chefe que domina os doces sabores “apesar de ser a primeira, foi uma edição muito boa, muito concorrida, com uma afluência excelente e foi um bom momento de convívio, não só entre todos os cozinheiros que aqui estavam, mas também entre os curiosos que nos vieram visitar”.
 
O regresso do chefe Carlos a um Alentejo Food and Soul depende apenas do convite: “Se me convidarem, eu digo que sim”.
 
O chefe Filipe Ramalho, do Restaurante Basilii da Torre de Palma, em Monforte, praticamente que “jogava” em casa. “Para mim, enquanto alentejano, foi um evento fantástico e estou super-orgulhoso de poder receber este evento em Estremoz, sendo que nasci a vinte quilómetros desta cidade, poder ter estes chefes magníficos a trabalharem ao meu lado, a podermos trocar experiências… Melhor era impossível” referiu à nossa reportagem o chefe nascido em Vaiamonte
 
Para este chefe o envolvimento da gastronomia alentejana com este tipo de eventos funciona na perfeição: “Nós temos tudo, temos produto, temos receituário, temos sabor, temos os cozinheiros cá e só faltam mesmo é mais iniciativas deste género”. 
 
O regresso do chefe Filipe Ramalho ao Alentejo Food and Soul está praticamente garantido: “Estarei cá. E se ninguém quiser organizar a próxima edição, organizo-a eu”.
 
Apesar de ter nascido do outro lado do Atlântico, Michelle Marques é já uma estremocense  e a sua Mercearia Gadanha uma referência no que à gastronomia alentejana diz respeito. Para a chefe Michelle, o Alentejo Food and Soul “foi muito positivo. Adorei a experiência e adorei ter feito parte deste projecto desde o principio. A escolha do sítio foi muito gira, um espaço fantástico, onde as pessoas podem circular e para nós correu muito bem, com as duas sugestões que trouxemos, uma salgada e outra de sobremesa. E acho que correu também muito bem para os nossos colegas, com quem tivemos trocas de experiências incríveis, percebendo também com os chefes que vêm de fora o que é que eles fazem com o produto da terra, não sendo uma cozinha tradicional alentejana é a visão deles do potencial do produto”. 
 
E no Alentejo Food and Soul 2019, a Michelle Marques marca presença? “Se me convidarem, claro que sim”.
 
Em declarações à nossa equipa de reportagem, João Cavaleiro Ferreira, da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, referiu que “sendo difícil fazer um balanço tão em cima do evento, posso dizer que correu muito bem, um balanço final que será decerto muito positivo. O dia de sábado foi realmente muito bom, muito fruto do Mercado de Sábado de Estremoz, que é uma realidade fantástica, e o dia de domingo, apesar do frio e vento que se fez sentir a partir das 18 horas, correu bem”.
 
Sobre a continuidade do Alentejo Food and Soul em Estremoz, o representante da ERT no evento frisou que “este evento tem como objectivo saltar de terra em terra, o que não significa que em Estremoz não se venham a fazer outros eventos porque Estremoz é cada vez mais uma cidade onde este tipo de eventos se pode e deve realizar, para além de que a Câmara de Estremoz deu um apoio extraordinário aos organizadores deste festival, à Amuse Bouche”.
 
Esta reportagem não podia ficar concluída sem ouvirmos Paulo Barata, da Amuse Bouche, o grande mentor deste Alentejo Food and Soul. Visivelmente satisfeito e com o sentimento de dever cumprido, Paulo Barata fez-nos o balanço do evento: “Superámos as expectativas e melhor era impossível. Para uma primeira edição foi incrível. Os chefes estão felicíssimos de terem estado cá, de terem mostrado o produto alentejano de uma outra maneira, com uma outra abordagem e o público acho que adorou. Está ganho e espero voltar”.
 
A pergunta tinha de ser feita: E esse espero voltar é a Estremoz? A próxima edição do Alentejo Food and Soul será em Estremoz? Paulo Barata referiu que “o conceito é ser itinerante mas eu não me importo de ficar por Estremoz, por causa de ti, por causa da Câmara Municipal, que foram todos tão incríveis, com um calor único, ajudando-nos em tudo, e eu tenho de ser grato. Se o Turismo do Alentejo me permitir ficar por cá, eu fico por cá. Não tem preço aquilo que Estremoz deu ao Alentejo Food and Soul. Estremoz tem mais outros sítios para serem «invadidos», para serem «ocupados» e porque não ficar cá? Sinto-me bem e há um calor imenso em Estremoz. Espero estar cá para o ano”.
 
E colocar de pé o Alentejo Food and Soul não é fácil… “É uma grande produção. São 15 chefes por dia, pedidos constantes, com coisas sempre a acontecer e esse é o grande desafio. Deu imenso trabalho, fui vezes sem conta a Lisboa, buscar coisas de última hora, mas tínhamos uma grande equipa e, mais uma vez, os estremocenses foram fundamentais nesta história. Provámos que é possível e fizémo-lo bem, com trabalho, com muito trabalho, e com muitas noites de insónia. Podíamos ter feito uma coisa mais simples, ou ocuparmos um espaço mais normal mas a beleza do que fizemos está precisamente aqui neste Convento, onde ninguém pensava que nós conseguíssemos aparecer”.
 
Sobre a gastronomia alentejana, o outrora fotojornalista salentou que “a gastronomia alentejana está no topo a nível nacional, mas precisa de ser mostrada a nível internacional. Tivemos cá a imprensa internacional que adorou os restaurantes de Estremoz, tendo provado coisas que nunca comeram como o cação ou o poejo. A cozinha alentejana merece mais, temos é de saber promovê-la bem lá fora. A cozinha alentejana tradicional é incrível mas podemos dar um passinho à frente. Não a queremos destruir, ela está catalogada e é única, queremos é usar esse património com novas abordagens, reinventar um pouco mas sem mexer no tradicional”.
 
No final desta breve conversa com o Ardina do Alentejo, Paulo Barata reforçou a ideia de que o Alentejo Food and Soul pode mesmo ficar definitivamente por Estremoz. “Este não é um adeus mas um até breve. Tudo depende do Presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo, do Dr. Ceia da Silva, mas eu por mim, fico cá”.
 
 
 
 
 
 

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