sábado, 27 novembro 2021
domingo, 12 setembro 2021 23:48

Cidadã alemã, apaixonada pelo Alentejo, promove campanha de boicote à fruta produzida em estufas

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Os promotores do protesto acusam os sucessivos governos portugueses de descurarem as políticas de distribuição pública de água Os promotores do protesto acusam os sucessivos governos portugueses de descurarem as políticas de distribuição pública de água DR

As culturas intensivas do Alentejo e do Algarve estão debaixo de fogo na Alemanha, onde está em marcha uma campanha, que se iniciou na cidade de Frankfurt, contra estas explorações agrícolas.
 
Friederike Heuer é o rosto da campanha contra as estufas de abacate e frutos vermelhos que, de acordo com o manifesto, consomem a pouca água existente, degradam os solos e exploram os "escravos modernos da Ásia, de África e da Europa de Leste". Apaixonada pelo Alentejo, onde organiza viagens de grupo para turistas alemães, a activista ficou chocada com o que viu nas últimas férias.
 
Em declarações à SIC Notícias, Friederike Heuer referiu que viajou para a Zambujeira do Mar e “não foram férias! Estava tudo plastificado até às falésias, os antigos caminhos foram encerrados, privatizados, e havia uma explosão de casos de Covid na comunidade imigrante”.
 
Ilustrado por Joana Mink, o manifesto circula nas redes sociais alemãs e está a ser distribuído, em papel, pelo Centro do Livro de Língua Portuguesa de Frankfurt. O texto fala em 40 mil trabalhadores imigrantes no Alentejo, vivendo em condições desumanas, em espaços colectivos exíguos pelos quais pagam elevadas rendas.
 
Os promotores do protesto acusam os sucessivos governos portugueses de descurarem as políticas de distribuição pública de água e exortam os consumidores alemães a boicotarem os produtos com origem nas culturas superintensivas do Alentejo e do Algarve. Para breve, está agendada uma nova acção de rua com o apoio dos sindicatos da região alemã de Essen.
 
Eles vão fazer comigo um evento sobre este tema. O assunto central será o Alentejo mas vamos convidar, acho eu, também pessoas do Sul de Itália e do Sul de França porque este é um problema de todo o Sul da Europa” frisou a activista alemã, promotora desta campanha onde a palavra “Boykott” (boicote em alemão) surge como uma “declaração de guerra” a este tipo de culturas intensivas que existem no Sudoeste Alentejano e no Algarve.
 
O movimento alemão de protesto contra as culturas superintensivas do Alentejo coincide com uma série de notícias da imprensa alemã, a última das quais publicada em Agosto, pela prestigiada revista Der Spiegel, sobre a produção de frutos vermelhos, um negócio que, pelas contas da publicação, ascende aos 247 milhões de euros por ano.
 
c/ SIC Notícias
Modificado em quarta, 15 setembro 2021 12:01

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