domingo, 16 dezembro 2018

Marques Mendes pede demissão do Presidente da Câmara Municipal de Borba

Escrito por  Publicado em Região terça, 27 novembro 2018 03:32
Para Luís Marques Mendes, “António Costa não foi a Borba e devia ter ido” Para Luís Marques Mendes, “António Costa não foi a Borba e devia ter ido” DR
No seu habitual espaço de comentário no "Jornal da Noite" de domingo da estação televisiva SIC, Luís Marques Mendes analisou o grande tema nacional da semana — a tragédia de Borba — e começou por mostrar como Portugal continua a ser um país de contrastes. Por um lado temos a organização da Web Summit, “expoente máximo da modernidade tecnológica” e passadas poucas semanas dá-se “o colapso de uma estrada que dá origem à morte de pessoas”. “Dá que reflectir”, considera, sem poupar nas palavras ao olhar para o acidente como uma “falha do Estado”.
 
Em primeiro lugar, Marques Mendes apresenta a “falta de investimento público” como um dos maiores problemas, ao qual se junta a manutenção — “somos bons a fazer obra pública nova, mas falhamos sempre na conservação da obra pública que já existe” — e a fiscalização. Depois há que perceber que “temos as prioridades invertidas”. “Somos capazes de passar um tempo imenso a discutir coisas acessórias, como o IVA das touradas. Mas essa é uma questão que não é essencial. Só discutimos o que é essencial, como a segurança das nossas infraestruturas, quando há uma tragédia”. “Devíamos aprender um bocadinho”, considera.
 
E depois “há que apurar responsabilidades criminais, sem esquecer as políticas”. Marques Mendes destaca que “o Ministério Público abriu, e bem, uma investigação”, mas que isso não basta. Para o comentador político, as instituições e os seus representantes devem dar o exemplo e assumir as suas responsabilidades nesta tragédia.
 
Sem deixar de recordar a tragédia de Entre-os-Rios — “Quando caiu a ponte de Entre-os-Rios, demitiu-se o então ministro Jorge Coelho, porque a culpa não podia morrer solteira”, lembrou —, Marques Mendes considerou que caso estivesse em causa uma estrada nacional, todos “estariam a exigir a demissão do ministro”.
 
Como é uma estrada municipal, eu acho que há uma responsabilidade que tem de ser assumida. O presidente da Câmara já devia ter-se demitido ou deve demitir-se nos próximos dias. Quem está no topo da hierarquia tem de assumir as responsabilidades”. Segundo o comentador, só António Anselmopodia decidir encerrar” aquele troço, assegurando a “questão essencial da segurança dos cidadãos”.
 
Quanto à actuação do Primeiro-Ministro, Marques Mendes considera que António Costaage mal sempre” quando estão em causa tragédias e que repetiu a actuação dos incêndios. “António Costa não foi a Borba e devia ter ido”, tal como Marcelo Rebelo de Sousa foi, e devia ter falado logo em vez de só falar ao terceiro dia — “de uma forma fria, calculista”, afastando o Estado de qualquer culpa. “Quando estão a morrer pessoas, António Costa tem uma palavra de calculismo político”.
 
c/ João Miguel Salvador - Expresso

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