segunda, 12 abril 2021
terça, 20 novembro 2018 19:49

Autarca de Borba diz que “nunca na vida” foi alertado para perigo da estrada

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"Não quero ter responsabilidades com mortes, mas não fujo a coisa nenhuma" "Não quero ter responsabilidades com mortes, mas não fujo a coisa nenhuma" Terceira Dimensão
O presidente da Câmara Municipal de Borba diz que “nunca na vida” foi informado da alegada perigosidade da estrada junto às pedreiras, argumentando que empresários do sector queriam cortar a via, mas para ampliar a extracção de mármore.
 
Nunca na vida”, respondeu o autarca de Borba, António Anselmo, quando questionado pela LUSA sobre se, numa reunião com técnicos dos serviços regionais de Geologia, não tinha já sido alertado para a perigosidade da estrada onde, na segunda-feira, ocorreu um deslizamento de terras para uma pedreira, que provocou, pelo menos, duas vítimas mortais.
 
O presidente da câmara, que se encontra no local das operações da Protecção Civil, afirmou recordar-se, efectivamente, de há quatro anos ter participado “nessa reunião” com técnicos de Geologia e Minas da antiga Direcção Regional de Economia e com industriais do sector dos mármores.
 
Segundo António Anselmo, em ‘cima da mesa’ estava “a possibilidade” de interromper a estrada e “os empresários nunca se entenderam”, ou seja, “não houve consenso”.
 
Houve uma reunião em que os empresários não se entenderam relativamente ao corte da estrada. E ao corte não, ao partir da estrada para permitir a exploração” de mármore, alegou.
 
A “ideia”, de acordo com o presidente da câmara, “não era cortar a estrada, era partir a estrada para fazer exploração nesse sítio onde uma parte caiu”.
 
A estrada passava a ser pedreira, era essa a ideia”, explicou.
 
Remetendo mais esclarecimentos para momento posterior, por necessitar de consultar documentação sobre a reunião e por estar concentrado nas operações de resgate das vítimas, o autarca realçou ainda que as pedreiras de extracção de mármore que ladeiam a estrada que colapsou “estão licenciadas de acordo com aquilo que a lei permite”.
 
Na segunda-feira à noite, o autarca já tinha dito estar “de consciência completamente tranquila” e que o que tinha “em termos legais e de conhecimento” era que “a situação” da estrada “estava perfeitamente segura”.
 
As coisas estavam encaminhadas no sentido de ser seguro. Se me perguntar a mim se são seguras ou não voltamos ao mesmo: Se houver um sismo em Borba, há um sismo em Borba, cai uma estrada em Borba, cai uma estrada em Borba”, afirmou, na altura.
 
Nessa conferência de imprensa, o autarca disse também que a câmara vai “saber concretamente o que é que se passou e, se tiver alguma responsabilidade” a assumir, vai assumi-la: “Quem a tem sou eu, lamentavelmente. Não quero ter responsabilidades com mortes, mas não fujo a coisa nenhuma”.
 
com LUSA
Modificado em terça, 20 novembro 2018 20:07

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