sábado, 22 setembro 2018

Poluição de fábrica de azeite em aldeia no Alentejo origina queixas no Ministério Público

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Os habitantes da aldeia passaram "a fechar-se em casa para fugir aos maus cheiros e fumos provenientes da fábrica" Os habitantes da aldeia passaram "a fechar-se em casa para fugir aos maus cheiros e fumos provenientes da fábrica" DR
Dezenas de pessoas apresentaram no dia de ontem, quinta-feira, 17 de Maio, queixas no Ministério Público (MP) contra uma fábrica que acusam de poluir uma aldeia do concelho de Ferreira do Alentejo, onde há habitantes a queixarem-se de problemas de saúde.
 
Em causa está a alegada poluição provocada pela actividade da AZPO - Azeites de Portugal, uma fábrica de extracção de óleo de bagaço de azeitona que está situada perto da pequena aldeia de Fortes que labora desde 2009.
 
As pessoas querem que o MP "investigue a actividade da fábrica", por considerarem que "existem indícios da prática do crime de poluição" e "estão em causa os direitos fundamentais" da população da aldeia e de zonas limítrofes, explicou à agência Lusa Fátima Mourão, da plataforma "Problema Ambiental das Fortes".
 
Segundo Fátima Mourão, que reside em Fortes, as "cerca de 70" queixas de habitantes de Fortes e outros cidadãos foram entregues no MP de Ferreira do Alentejo, distrito de Beja, por um grupo representativo da plataforma.
 
A Lusa tentou sem sucesso contactar a AZPO - Azeites de Portugal.
 
Junto com as queixas, o grupo entregou fotografias tiradas e filmes gravados na aldeia nos últimos anos para o MP ver que se trata de uma situação "que não é de hoje, é recorrente, constante e que as evidências são flagrantes", disse.
 
Segundo o texto comum das queixas, a que a Lusa teve acesso, desde 2009 que o dia-a-dia da população de Fortes é "insuportável", porque sente "maus cheiros e fumos impregnados de substâncias gordurosas e partículas" provenientes das chaminés da fábrica, que fica a menos de 100 metros de algumas casas da aldeia.
 

"Quando o vento traz os fumos" para Fortes, "as pessoas têm de se fechar em casa", porque a aldeia "fica imersa numa neblina mal cheirosa, gordurosa, espessa, que faz com que não se consiga sair de casa, respirar bem e estender a roupa, é impossível e fica tudo sujo", contou Fátima Mourão.

Desde então, refere o texto, a população convive com "uma neblina branca e castanha" e com "partículas de cor castanha", que "saem continuamente das chaminés" da fábrica e se espalham na atmosfera, "projectando-se a mais de 30 quilómetros".
 
Já casas e viaturas dos moradores da aldeia "ficam cobertas por um resíduo oleoso e cinzas", provenientes das chaminés e do monte de pó castanho, ou seja, bagaço destratado, existente "a céu aberto" nas instalações da fábrica.
 
Também "existem pessoas que relatam problemas respiratórios, inflamações nos olhos e ardor na garganta", e um habitante da aldeia terá de mudar de residência "por indicação médica", já que "tem graves problemas respiratórios e pulmonares", lê-se na queixa.
 
Os habitantes da aldeia passaram "a fechar-se em casa para fugir aos maus cheiros e fumos provenientes da fábrica" e "as actividades diárias tornaram-se impraticáveis e penosas", como estender e recolher roupa para secar ao ar livre, já que as cordas têm de ser sempre previamente limpas e as peças "ficam sujas de pó castanho".
 
"Quando o vento traz os fumos" para Fortes, "as pessoas têm de se fechar em casa", porque a aldeia "fica imersa numa neblina mal cheirosa, gordurosa, espessa, que faz com que não se consiga sair de casa, respirar bem e estender a roupa, é impossível e fica tudo sujo", contou Fátima Mourão.
 
A população de Fortes, "maioritariamente reformada, sempre complementou o seu sustento com o cultivo de produtos hortícolas nas suas hortas", mas, desde o início da laboração da fábrica, que árvores, frutas e produtos hortícolas, como couves, alhos, batatas, cebolas e coentros, ficam "impregnados de pó castanho e ressequidos", relata a queixa.
 
Os queixosos querem que o MP e as entidades competentes ouçam a população de Fortes e façam as "análises devidas" à qualidade do ar da aldeia e às emissões que saem das chaminés e às descargas da fábrica, que "já provocaram a morte a 700 quilos de peixe" na Albufeira de Monte Novo dos Modernos, em Ermidas-Sado, no concelho de Santiago do Cacém, disse Fátima Mourão.
 
A população de Fortes já apresentou várias queixas a diversas entidades e "continuamente chama" o Núcleo de Protecção do Ambiente da Guarda Nacional Republicana (GNR), que já levantou vários autos de contraordenação à fábrica por infracções ambientais.
 
No entanto, a população "continua a sofrer com a laboração da fábrica", que "conduz a uma poluição ambiental", que afecta "um número ilimitado de pessoas, animais, fauna e flora" e "já existem pessoas doentes", lê-se na queixa.
 
"Queremos que as entidades venham ver o que se está a passar", porque "não sabemos o que é que sai daquelas chaminés, e precisamos de saber e ver dissipadas as nossas dúvidas", explicou Fátima Mourão, lamentando: "O que é facto é que a população anda a sofrer".
 
c/ LUSA

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