sexta, 24 novembro 2017

GNR de Portel descobre pastor vítima de escravidão

Escrito por  Publicado em Região quinta, 09 novembro 2017 02:36
Era disponibilizada à vítima, esporadicamente, comida enlatada e vinho Era disponibilizada à vítima, esporadicamente, comida enlatada e vinho DR
Um homem de 64 anos, alegadamente vítima de exploração laboral numa herdade no concelho de Portel, foi detectado pela Guarda Nacional Republicana (GNR) e encaminhado para uma instituição de acolhimento social.
 
Através de um comunicado, o Comando Territorial de Évora da GNR divulgou que o caso foi detectado na terça-feira, dia 7 de Novembro, na sequência de um acidente de viação, que envolveu o atropelamento de uma ovelha.
 
Chamados ao local, militares do Posto da GNR de Portel, no distrito de Évora, identificaram o condutor do veículo automóvel envolvido no acidente e o pastor responsável pelo rebanho de ovelhas.
 
Segundo a GNR, no âmbito do processo, os militares constataram que o pastor, de 64 anos, estava "a trabalhar numa exploração agrícola" naquele concelho alentejano, que "não era detentor de documento de identificação" e que estava, "alegadamente, retido pelo patrão".
 
Depois de procederem a diversas diligências, com vista a esclarecer a situação, a GNR averiguou que "o indivíduo era vítima de exploração laboral" e residia "numa casa cedida pela entidade patronal" e "sem as mínimas condições de habitabilidade".
 
No mesmo comunicado, pode ainda ler-se que "a vítima informou que não auferia qualquer vencimento, sendo-lhe apenas disponibilizada, esporadicamente, alimentação enlatada e vinho".
 
O proprietário da exploração agrícola, de nacionalidade portuguesa, mas cuja idade não foi divulgada pela GNR, foi identificado pelos militares da guarda por tráfico de pessoas, tendo o caso sido remetido para o Ministério Público.
 
Contactado pela LUSA, o capitão Bruno Ribeiro, do gabinete de imprensa do Comando-Geral da GNR, elogiou o trabalho dos militares mobilizados para o acidente de viação.
 
"Tratou-se de um atropelamento animal, como acontecem muitos no Alentejo, mas a história não batia certo" e os militares "notaram que o homem estava debilitado e maltratado em termos de aspecto".
 
Por isso, continuou, decidiram "ir mais além, no sentido de perceberem quem era aquele indivíduo", e conseguiram "detectar o caso de exploração e retirar a vítima" da herdade.
 
Segundo a mesma fonte, o pastor foi transportado para o Posto de Portel da GNR, onde os militares lhe forneceram uma refeição, e, posteriormente, foi encaminhado "para uma instituição, fora do Alentejo, que apoia vítimas de exploração e tráfico de pessoas".
 
"O homem já está a ser tratado e acompanhado por especialistas da instituição, que reabilita pessoas que foram vítimas deste tipo de exploração", acrescentou.
 
c/ LUSA
 

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