sábado, 25 novembro 2017

Ponte romana e sítios arqueológicos destruídos para plantar amendoal

Escrito por  Publicado em Região segunda, 09 outubro 2017 15:56
São quase diárias as queixas e os alertas apresentados que dão conta da destruição de património arqueológico São quase diárias as queixas e os alertas apresentados que dão conta da destruição de património arqueológico Rui Gaudêncio
O património arqueológico está a ser sacrificado ao plantio de diversas monoculturas de olival, amendoal, vinha, eucaliptos e até pinheiros no Alentejo.
 
São quase diárias as queixas e os alertas apresentados que dão conta da destruição de património arqueológico.
 
O caso mais recente que se conhece, entre os vários que têm tido lugar, foi denunciado pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo (DRCA) junto do Ministério Público (MP) em Beja e da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC).
 
A empresa de capitais espanhóis De Prado Portugal S. A. arrasou, entre Abril e Agosto, quase duas dezenas de sítios arqueológicos, que estavam devidamente assinalados no Plano Director Municipal de Beja. Uma área com cerca de 3 mil hectares onde será plantado amendoal, situada a seis quilómetros da capital do Baixo Alentejo, mesmo junto ao IP8.
 
A maior parte dos sítios estava identificada como sendo dos períodos do calcolítico, Idade do Ferro, período romano, medieval e moderno, com destaque para as referências arqueológicas da presença romana. Segundo informações facultadas ao Público, os trabalhos de ripagem do terreno foram executados com maquinaria pesada e envolveu a extracção de pedra que existia em grande quantidade no espaço intervencionado.
 
As operações de movimentação de terra destruíram, entre outros vestígios, uma ponte, um aqueduto e uma villa da época romana.
 
Nos esclarecimentos que prestou ao Público, Ana Paula Amendoeira, directora Regional da Cultura do Alentejo, disse que os serviços intervieram logo que tomaram conhecimento da operação de ripagem numa parte de território de grande sensibilidade arqueológica. Os promotores do projecto agrícola foram notificados pela DGPC para pararem os trabalhos mas o pedido não foi respeitado.
 
Ao mesmo tempo, foi dado conhecimento à autarquia e ao Ministério Público de Beja para que fossem “suspensos de imediato os trabalhos em curso”, para que pudessem ser aplicadas “medidas cautelares de avaliação dos impactos no património arqueológico existente no local e o estabelecimento de consequentes medidas de minimização dos mesmos”.
 
O Público procurou obter informações junto do Ministério Público mas este apenas avançou que dera entrada no dia 31 de Agosto uma “queixa-crime” contra a empresa visada pela DRCA e que “continuavam a decorrer as investigações” sobre este caso.
 
No terreno intervencionado observam-se abundantes fragmentos cerâmicos e pedras trabalhadas, presumivelmente do período romano. E as intervenções no terreno prosseguem.
 
Contactada pelo Público, a De Prado escusou-se a prestar declarações.
 
com Público e Carlos Dias

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