quinta, 21 setembro 2017

Em protesto contra falta de auxiliares, pais fecham escola de Beja a cadeado

Escrito por  Publicado em Região segunda, 06 fevereiro 2017 15:13
Após a intervenção da PSP, responsáveis da associação de pais retiraram os cadeados Após a intervenção da PSP, responsáveis da associação de pais retiraram os cadeados Paulo Cunha / LUSA
Em protesto contra a falta de auxiliares, os portões da Escola Básica de Santiago Maior, em Beja, foram esta segunda-feira fechados a cadeado por pais de alunos. A falta de auxiliares tem provocado vários problemas, como o aumento de casos de violência.
 
O fecho dos portões da escola, num protesto promovido por pais com o apoio da Associação de Pais e Encarregados de Educação, impediu os alunos do 1.º ciclo do Ensino Básico de terem aulas no 1.º período da manhã, e os do 2.º e 3.º ciclos de comparecerem às primeiras aulas de segunda-feira. Após a intervenção da PSP, responsáveis da associação de pais retiraram os cadeados e abriram os portões de acesso ao edifício onde funcionam as aulas dos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e ao Centro Educativo do 1.º ciclo.
 
Em declarações à agência Lusa, Sofia Monteiro, da associação, explicou que o protesto serviu para “mostrar o mal-estar crescente e denunciar os problemas que pais têm vindo a reportar desde o início do ano lectivo devido à falta de auxiliares” na escola. A falta de vigilância e de acompanhamento de alunos nos intervalos das aulas, o que “vai dando origem a casos de violência” entre alunos, que têm “aumentado”, e de “crianças que acabam por ficar perdidas”, é um dos problemas denunciados por Sofia Monteiro.
 
Segundo a responsável, devido à falta de auxiliares, há problemas de higiene e limpeza dos espaços, na portaria e “caos no refeitório” do Centro Educativo do 1.º ciclo, porque “não há funcionários suficientes para apoiarem as crianças na hora das refeições e algumas acabam por não comer em condições”. Sofia Monteiro denunciou também casos de alunos com necessidades educativas especiais, como o seu filho, de 10 anos, com deficiência, que “não têm direito a intervalo e têm de ficar nas salas de aula porque não há funcionários para os acompanhar”.
 
Segundo Sofia Monteiro, desde o início do ano lectivo que a Associação de Pais tem reportado os problemas à direcção do Agrupamento de Escolas n.º 1 de Beja, do qual a Escola Básica de Santiago Maior faz parte, e aos serviços do Alentejo da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE). No entanto, “a reposta tem sido sempre a mesma: o Agrupamento de Escolas n.º 1 de Beja cumpre o rácio de pessoal não docente e não há mais auxiliares para colocar”, lamentou, referindo ter sido esta a informação que a Associação de Pais recebeu na semana passada do director dos serviços do Alentejo da DGEstE.
 
Por isso, alguns pais organizaram-se, de “forma espontânea”, e com o apoio da Associação de Pais e Encarregados de Educação fizeram o protesto de hoje e “provavelmente iremos fazer outros se não houver uma resposta satisfatória às nossas exigências”. Em declarações à agência Lusa, o subdirector do Agrupamento de Escolas n.º 1 de Beja, José Ferro, disse que a direcção do agrupamento está “preocupada” com a situação e “compreende a posição dos pais”, mas “não tem capacidade de resposta”.
 
Para os pais, o actual número de auxiliares da Escola Básica de Santiago Maior “é um problema”, mas para o Ministério da Educação e Ciência, o Agrupamento de Escolas n.º 1 de Beja “cumpre o rácio e até ultrapassa em três o número de funcionários que devia ter de acordo com a lei”, disse José Ferro.
 
O agrupamento faz o que pode. De acordo com o rácio, há três auxiliares a mais no agrupamento, mas a realidade é que não tem capacidade para dar resposta às necessidades”, disse José Ferro. Segundo José Ferro, a direcção do agrupamento “não pode transferir mais funcionários” para a Escola Básica de Santiago Maior, porque “o cobertor é curto e quando tenta tapar a cabeça destapa os pés e quando tenta tapar os pés destapa a cabeça”.
 
c/ LUSA

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