quarta, 23 agosto 2017

Nos céus do Alentejo, sobe, sobe, balão sobe...

Escrito por sexta, 04 novembro 2016 00:29
Entre os dias 6 e 12 de Novembro, os céus do Alentejo vão ser invadidos por balões de ar quente.
 
Os concelhos alentejanos de Alter do Chão, Elvas, Fronteira, Monforte e Ponte de Sôr são as localidades anfitriãs do Festival Internacional Balões de Ar Quente (FIBAQ), que este ano celebra a sua 20ª edição.
 
O evento, que traz pilotos de toda a Europa até ao Alto Alentejo, é organizado pela Publibalão, em parceria com o Alentejo sem Fronteiras – Clube de Balonismo, e vai contar com a presença de 35 equipas oriundas de diversos países, nomeadamente Portugal, Espanha, França, Bélgica, Reino Unido, Holanda e Luxemburgo, entre outros.
 
"Esperamos que seja um grande festival, o apogeu de duas décadas a voar no Alentejo, pois os pilotos estão muito motivados e esperemos que o tempo ajude para assinalar esta 20.ª edição com um grande êxito", disse à agência Lusa Aníbal Soares, um dos responsáveis da organização.
 
Um dos grandes atractivos do FIBAQ é a possibilidade de se poder voar gratuitamente num dos coloridos balões participantes. O programa de voos desta 20ª edição é o seguinte: Fronteira, dias 7 e 8, Monforte, dia 9, Elvas, dia 10, Alter do Chão, dia 11, e Ponte de Sôr, dia 12. Em cada localidade haverá dois Meeting Point’s, um durante a manhã, pelas 06.45 horas, e outro à tarde, quando forem 14.30 horas.
 
Para o responsável, que é também piloto profissional e sócio-gerente da Publibalão, o festival, que é o considerado o "maior evento" de balonismo em Portugal e "um dos melhores" da Europa, está "consolidado" e garantida a sua continuação, graças aos patrocinadores envolvidos e, em particular, aos municípios que têm "acreditado" na qualidade desta iniciativa.
 
Aníbal Soares referiu ainda que os objectivos deste evento passam pela “promoção da prática do balonismo em Portugal, pelo reforço da aposta no impacto do festival nas localidades aderentes e, naturalmente, o aumento do retorno mediático para patrocinadores e parceiros”.
 
O Festival Internacional de Balões de Ar Quente, o mais antigo do género em Portugal, conta com raízes no distrito de Portalegre, tendo servido de base para a abertura, em 2012, da primeira escola do país para pilotos de balões de ar quente, em Fronteira.
 
O 20º Festival Internacional Balões de Ar Quente, que este ano volta a apoiar a ASBIHP – Associação Spina Bífida e Hidrocefalia de Portugal, é patrocinado pelas Câmaras Municipais de Alter do Chão, Elvas, Fronteira, Monforte e Ponte de Sôr.
Desde há muito que o interior do país luta afincadamente para, não só fixar, mas também chamar pessoas para essa zona de Portugal Continental, procurando assim uma valorização dessa parte significativa do território, combatendo contra um envelhecimento populacional que está intrínseco. E olhando para essa luta constante, esta é sem dúvida uma boa notícia.
 
Segundo os ratings concelhios da Marktest, “os concelhos do interior de Portugal Continental têm mais qualidade de vida”. O estudo revela ainda que fica no interior alentejano o concelho com melhor qualidade de vida. E os seguintes também…
 
Em comunicado, a Marktest refere que “uma análise do rating de qualidade de vida mostra como os concelhos do interior obtêm melhores classificações, considerando globalmente os indicadores base deste rating, como amplitude térmica, taxa de mortalidade infantil, taxa de criminalidade, equipamentos de saúde ou cultura per capita, etc”.
 
O concelho de Castelo de Vide encabeça a lista dos concelhos com maior rating de qualidade de vida, com 16.9, numa escala de 1 a 20.
 
É seguido por outros concelhos do mesmo distrito de Portalegre: Sousel, Fronteira, Alter do Chão, Marvão e Arronches, que obtêm entre 15.6 e 16.2 pontos deste rating.
 
Segundo os dados deste rating, a que o Ardina do Alentejo teve acesso, o concelho do distrito de Évora com melhor qualidade de vida é Viana do Alentejo, com 14.5 pontos, seguido por Portel, com 13.2, e Redondo, com 12.8 pontos.
 
No extremo oposto da tabela encontramos Felgueiras, com um rating de 5.5, a que se seguem os concelhos de Palmela, Lousada, Paredes e Benavente, que não excede um rating de 6.1.
 
O rating de qualidade de vida é composto por 13 indicadores que pretendem medir a qualidade de vida de cada concelho. Cada indicador foi classificado com uma notação de 1 a 20 tendo em conta a posição do concelho no conjunto dos 308 concelhos do país.
 

Está confirmada a existência de um aqueduto romano por baixo do Aqueduto quinhentista da Água de Prata. A revelação foi feita no passado Domingo, dia 30 de Outubro, pela Câmara Municipal de Évora, no decurso do “Watch Day”, dia dedicado à divulgação deste monumento eborense no âmbito da sua inscrição no “World Monument Watch 2016-2017”, promovido pelo World Monument Fund (WMF).
 
Os vestígios de material construtivo do período romano, alguma cerâmica da época, a detecção de silhares de granito e de uma sapata de um pilar tendo por base a métrica construtiva romana, constituem alguns dos fortes indícios de estarmos perante uma construção romana. José Rui Santos, arqueólogo ao serviço da Câmara Municipal que liderou a equipa de investigadores no terreno, afirma que “os vestígios romanos levam-nos a crer que o aqueduto seria uma superestrutura” que “possuiria uma altura bastante maior do que o quinhentista, podendo levar assim a água à cota topográfica mais alta da cidade (Fórum)”.
 
Os achados arqueológicos vão ser ainda complementados por estudos preliminares das argamassas, levados a cabo pelo laboratório de investigação Hércules, da Universidade de Évora, mas que já permitem concluir tratar-se de duas estruturas construídas em épocas diferentes, como confirmou António Candeias, director do centro de investigação.     
 
A descoberta foi enquadrada no Programa de Consolidação e Valorização do Aqueduto da Água da Prata apresentado dia 30, nos Paços do Concelho, cujo propósito é o de preservar e valorizar o monumento. A captação de financiamento através do mecenato (na ordem dos 600 mil euros) poderá permitir, no futuro, investir em iluminação cénica e, eventualmente permitir que o Aqueduto volte a distribuir água à população. Neste sentido, Carlos Pinto de Sá, presidente da Câmara de Évora, anunciou que em 2017 vai ser realizada uma exposição para celebrar a chegada da distribuição de água à Praça do Giraldo.

 
Refira-se que o passado Domingo começou com uma caminhada ao longo do Aqueduto que permitiu conhecer os trabalhos de prospecção arqueológica dos últimos três meses, a qual contou com a adesão de mais de uma centena de participantes e contou com a presença de Eduardo Luciano, vereador com o pelouro do Património da autarquia.
 
Durante a tarde foram também lançadas duas publicações sobre o Aqueduto: uma banda desenhada, da autoria do investigador Francisco Bilou, com a história do monumento, visando a sensibilização da população escolar para a importância do Aqueduto da Água de Prata; e o livro / álbum com desenhos do aqueduto da autoria de Urban Skecthers.
 
c/ Município de Évora
 

Distritos de Évora e Beja afectados pelo mau tempo

Escrito por terça, 25 outubro 2016 01:04
O vento forte e a chuva que se fizeram sentir na noite de ontem, segunda-feira, dia 24 de Outubro, provocaram quedas de árvores, que condicionaram o trânsito em algumas estradas e várias inundações nos distritos de Beja e de Évora.
 
Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Beja indicou à Lusa que foram registadas quedas de quatro árvores de grande porte na estrada entre Quintos e Salvada, no concelho de Beja.
 
Na Estrada Nacional 260, entre Serpa e Beja, ocorreram também várias quedas de árvores e muitos destroços caíram na via, numa extensão de três quilómetros, assim como na estrada que liga a Mina de São Domingos, no concelho de Mértola, a Serpa, onde foram igualmente registadas várias quedas de árvores, numa distância de alguns quilómetros, adiantou a mesma fonte.
 
Segundo o CDOS, até às 23:30 horas, caíram ainda duas árvores nos concelhos de Vidigueira e Castro Verde, e ocorreram cinco inundações em habitações, quatro em Beja e uma em Serpa.
 
Fonte da GNR disse que nenhuma estrada esteve cortada ao trânsito devido às quedas de árvores, embora algumas tenham estado temporariamente com o trânsito condicionado.
 
No distrito de Évora, segundo o CDOS, registaram-se até cerca das 24 horas de segunda-feira, dez inundações em habitações em vários concelhos, seis em Reguengos de Monsaraz, duas em Portel, uma no Alandroal e uma em Évora, tendo ainda ocorrido, no concelho de Reguengos de Monsaraz, uma queda de árvore e de um sinal de trânsito.
 
c/ LUSA
Considerando a situação "alarmante" porque pode comprometer a segurança dos alunos, o deputado do PSDAntónio Costa da Silva manifestou-se preocupado com a falta de funcionários em pelo menos 10 escolas do distrito de Évora.
 
O parlamentar social-democrata afirmou que "de uma análise global que fiz a um conjunto de informações que obtive, pelo menos 10 escolas do distrito de Évora, mas são mais, estão com problemas".
 
O deputado eleito pelo círculo de Évora falava a propósito de duas perguntas que dirigiu ao Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, subscritas também por Amadeu Albergaria e Pedro Pimpão, sobre a falta de assistentes operacionais nas escolas.
 
Numa das perguntas, os três deputados descrevem os problemas em 10 escolas ou agrupamentos dos concelhos de Évora, Borba, Arraiolos, Montemor-o-Novo, Estremoz, Reguengos de Monsaraz e Vendas Novas.
 
Afirmando que se trata de "uma situação alarmante", porque pode vir a existir "um problema de insegurança", Costa da Silva disse ter sido alertado para esta situação por "associações de pais e também por algumas direcções de escola".
 
"Tivemos gimnodesportivos que estiveram encerrados por falta de auxiliares e escolas que deveriam ter três funcionários só têm um", exemplificou, referindo que casos como estes "passam-se em vários concelhos".
 
Tendo em conta que só no concelho de Évora está identificada a carência de 44 assistentes operacionais, o deputado do PSD calcula que faltem "mais de 60 ou 70 auxiliares" nas escolas de todo o distrito.
 
O parlamentar social-democrata exigiu conhecer a dimensão do problema, qual a solução e quando será tomada, acusando o Governo de estar a "tentar esconder o problema" e os partidos que o apoiam de permanecerem "muito silenciosos".
 
"Andam a fingir que o ano letivo arrancou com uma estabilidade enorme quando é tudo mentira", criticou, realçando que as escolas "continuam a ter os problemas que sempre tiverem, agora, mais agravados por causa da falta de auxiliares".
 
Com a outra pergunta, Costa da Silva adiantou que os deputados do PSD pretendem que o Governo esclareça se mantém o compromisso de financiar a contratação de 38 novos auxiliares para as escolas do concelho de Évora.
 
"As informações mais recentes que obtive indicam que o Ministério das Finanças não está a aceitar a transferência dessas verbas [para a câmara municipal], o que seria um problema gravíssimo para Évora", acrescentou.
 
c/ LUSA
Com a participação de dezenas de expositores, com claro destaque para os produtores do Alentejo, realiza-se em Borba, entre os dias 5 e 13 de Novembro, a XXV edição da Festa da Vinha e do Vinho.

 
Durante nove dias, o Pavilhão de Eventos da cidade alentejana volta a receber um certame dedicado ao vinho e à vinha, que recebe todos os anos milhares de visitantes, e que irá promover, sobretudo, os vinhos do Alentejo, com a participação de vários produtores que apresentam as suas marcas para degustação e venda.
 
A festa inclui um conjunto de eventos temáticos dedicados aos vinhos e enoturismo, gastronomia, produtos e doçaria regionais, artesanato e equipamentos e serviços vitivinícolas.
 
O certame, que serve de apresentação do vinho novo dos produtores locais pelo São Martinho, pretende ainda promover os produtos regionais, dando especial realce à produção vinícola regional e aos queijos, enchidos, pão, azeite, mel, frutos secos e doçaria regional.
 
O artesanato também marca presença e conta com expositores oriundos de várias localidades do país, nas mais diversas expressões, como o barro, tapeçaria, madeira e cortiça.
 
Durante os nove dias de duração, o certame engloba provas de vinhos, conferências, actividades culturais e desportivas, e uma diversificada animação musical e cultural.
Embora o programa da XXV Festa da Vinha e do Vinho não esteja ainda fechado, os nomes dos cabeças de cartaz do certame já são conhecidos. No dia inaugural, Sábado, 5 de Novembro, sobem ao palco os alentejanos de Beja, “Virgem Suta”. No Domingo, dia 6, o palco ficará entregue ao som dos anos 60, com os “The Lucky Duckies”. No derradeiro fim-de-semana da Festa da Vinha e do Vinho há música para todos os gostos. Na sexta-feira, 11 de Novembro, os eborenses “Àtoa” vão tomar conta do palco. Sábado, dia 12, mais alentejanos em palco. O projecto “Os Fabulosos Tais Quais”, com João Gil, Tim, Vitorino, Jorge Palma, Sebastião Santos, Celina da Piedade, Paulo Ribeiro e Jorge Serafim, prometem uma noite em grande. A edição 25 da Festa da Vinha e do Vinho termina, musicalmente falando, com o concerto de José Malhoa.
 
Com palco numa das mais importantes regiões vitivinícolas do Alentejo, a organização do certame está a cargo do Município de Borba, da Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo (ATEVA), da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) e da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.
O acordo assinado entre os governos português e chinês para facilitar a instalação de empresas chinesas na área logística de Sines é visto com "agrado" pelo presidente do município alentejano, que aguarda os potenciais investimentos com "expectativa".
 
Nuno Mascarenhas, autarca de Sines, disse ver "com o maior agrado o anúncio da possível vinda de empresários chineses para o concelho", que, destacou, "tem um papel fundamental enquanto pólo industrial e portuário" para a região e para o país.
 
O responsável pela autarquia diz ser importante ver a preocupação do primeiro-ministro e do Governo já que demonstra que os actuais “governantes têm plena consciência que Sines pode ter um papel fundamental, que já tem hoje em dia enquanto pólo industrial e portuário, mas que pode ter um papel fundamental no futuro para dinamizar a economia portuguesa", acrescentou.
 
Um dos oito acordos assinados no passado Domingo, em Pequim, entre os governos de Portugal e da China visa, segundo destacou em conferência de imprensa o primeiro-ministro, António Costa, a concretização na zona industrial e logística do porto de Sines "de facilidades para a instalação de empresas chinesas".
 
O acordo empresarial envolve o Haitong Bank, o China Development Bank e a Agência para a Internacionalização e Comércio Externo de Portugal (AICEP).
 
António Costa destacou também, num encontro com empresários chineses, as potencialidades do porto de Sines, bem como a localização "estratégica" da infraestrutura portuária na faixa atlântica para as ligações com África e com o continente americano.
 
Durante a visita oficial à China, em entrevista à televisão estatal, CCTV, António Costa afirmou também que Portugal está disposto a "participar activamente" na iniciativa chinesa “Rota Marítima da Seda”, uma iniciativa do governo chinês, anunciada em 2013, que pretende reactivar a antiga Rota da Seda, entre a China e a Europa, através da Ásia Central, África e Sudeste Asiático.
 
Para o autarca de Sines, o "importante" é perceber que há a "intenção do Governo português" e da China em colaborarem nessa iniciativa, "interesse esse também demonstrado há já algum tempo".
 
"Sines enquanto porto estratégico no Atlântico atrai um conjunto de investidores que percebem que este porto e a sua área logística associada pode ter aqui um papel de extrema relevância no contexto, não só nacional, mas principalmente internacional", defendeu Nuno Mascarenhas.
 
A "criação de emprego" e o "incremento da actividade portuária" são alguns dos reflexos que o autarca antecipa, caso se "concretize esta aposta", além dos benefícios "para a economia portuguesa".
 
c/ João Monteiro de Matos (Diário do Distrito)
Três dezenas de monumentos históricos, que se encontram em mau estado de conservação, de Norte a Sul do país, vão ser reabilitados e explorados por entidades privadas por períodos entre 30 a 50 anos, ao abrigo do programa “Revive”, recentemente criado pelo Governo.
 
No final do mês de Setembro tinham sido divulgados os 11 primeiros monumentos a concurso e, no dia de ontem, o site Diário Imobiliário avançou o nome de mais 13 imóveis que fazem parte do programa “Revive”, uma iniciativa conjunta dos Ministérios da Economia, da Cultura e das Finanças, que abre o património ao investimento privado para desenvolvimento de projectos turísticos.
 
Para que se conheçam os 30 monumentos abrangidos pelo programa “Revive” ficam apenas a faltar seis imóveis de uma lista que tem sido alvo de estudo e análise técnica e a qual o Governo não dá ainda por fechada.
 
Dos 24 já conhecidos, seis imóveis encontram-se em solo alentejano: o Convento de S. Paulo (Elvas); o Castelo de Portalegre (Portalegre); a Quinta do Paço de Valverde (Évora), a Fortaleza de Juromenha (Alandroal), o Forte de Nossa Senhora das Salvas e o Forte da Praia da Ilha do Pessegueiro (ambos em Sines).
 
Os outros monumentos já conhecidos são: o Castelo de Vila Nova de Cerveira (Viana do Castelo), a Fortaleza de Peniche (Leiria), o Mosteiro de S. Salvador de Travanca (Amarante), o Mosteiro de Arouca (Aveiro), o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (Coimbra), os Pavilhões do Parque D. Carlos I (Caldas da Rainha), o Paço Real de Caxias (Oeiras), o Forte do Guincho (Cascais), o Forte de S. Roque da Meia-Praia (Lagos), o Convento de Santo António dos Capuchos (Leiria), o Convento de São Bernardino (Peniche), o Quartel da Graça (Lisboa), o Forte do Rato (Tavira), uma das alas do edificado no terreiro do Cabo Espichel (Sesimbra), o Mosteiro de Lorvão (Penacova), o Forte da Barra na Gafanha (Aveiro), o Colégio de São Fiel em Louriçal do Campo (Castelo Branco), e parte do edifício da Alfandega do Porto.
 
O objectivo do Governo é o de “voltar a dar uso ao património, para que esteja acessível a todos e seja transformado em activo económico”, segundo Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo. No horizonte está a adaptação destes monumentos, no todo ou em parte, para que funcionem como hotéis, restaurantes ou salas de conferências.
 
Ana Mendes Godinho recusa que se trate de uma privatização de monumentos. “Os imóveis continuarão a ser do Estado”, garante. Está em causa, diz, o “desenvolvimento de actividades económicas a partir do património existente”, sendo garantida a “manutenção e valorização da identidade” dos edifícios.
 
Cada concessão será objecto de concurso público, garante o Ministério da Economia, comprometendo-se o Governo com a criação de uma “linha de financiamento” no valor de 150 milhões de euros.
 
O valor é totalmente reembolsável [a favor do Estado], estamos apenas a lançar condições especiais de prazo, amortização e carência para dar aos privados um primeiro impulso, mas o investimento privado espera-se superior a 150 milhões”, explica a Secretária de Estado.
 
O primeiro concurso foi lançado em Agosto e envolve o Convento de S. Paulo, em Elvas, cujo caderno de encargos implica a construção de um hotel. O concurso para a Quinta do Paço de Valverde, em Évora, que também acolherá um hotel de quatro ou cinco estrelas, arranca brevemente.
 
Em alguns casos, os concursos definem à partida o tipo de projecto turístico que o Estado pretende. Noutros casos, será a iniciativa privada a apresentar propostas. Depende da localização do imóvel e da oferta já existente na região, entre outros factores. O prazo de concessão terá um mínimo de 30 anos e um máximo de 50, findo o qual o contrato pode ser prorrogado ou o monumento pode voltar a ser inteiramente público.
 
A iniciativa, que tem levantado alguma polémica, não encontra porém opositores, pois há a consciência de que algo urge fazer para reabilitar património imobiliário e arquitectónico nacional para o qual o Estado não dispõe nem de meios financeiros para o fazer, nem vocação para estruturar projectos coerentes, susceptíveis de garantir a sua sustentabilidade.
 
Conheça mais detalhes sobre os seis monumentos “alentejanos” que integram o programa “Revive”…
 
Convento de S. Paulo, em Elvas
Exemplo da arquitectura setecentista, o Convento de São Paulo constitui a quarta e última casa da Ordem de 
São Paulo, começada a construir em 28 de Outubro de 1679 e concluída em 31 de Dezembro de 1721.
Após a extinção das ordens religiosas, o Convento entrou num processo de degradação que culminou no incêndio que o arrasou definitivamente. 
Segundo informou o edil local, o Grupo Vila Galé ganhou o concurso público internacional lançado pela Câmara Municipal de Elvas, em 29 de Julho de 2016, e ali irá instalar um hotel de 5 estrelas.
 
 
Castelo de Portalegre (Portalegre)
Castelo medieval construído no reinado de D. Dinis, por volta de 1290. Nesta fortificação, relacionada com a defesa da fronteira alto-alentejana, destaca-se a Torre de Menagem, com pavimentos interiores cobertos por abóbadas e planta quadrangular regular, bem integrada na muralha característica da arquitectura gótica militar. Existem ainda três torres, das doze que possuía inicialmente, uma das quais a Torre Norte que actualmente, pela sua altura, constitui o verdadeiro símbolo cenográfico do passado medieval da cidade.
O Castelo sofreu já obras de restauro, tendo ainda sido alvo de intervenção de modo a poder ser instalado no seu interior um museu, actualmente em funcionamento.
 
Quinta do Paço de Valverde (Évora)
Quinta com paço episcopal, cuja origem teve início no século XVI, por iniciativa da diocese eborense, ou Mitra de Évora, perto da Ribeira de Valverde, e que serviu de local de descanso aos seus membros. Posteriormente, o Infante Dom Henrique fundou, nos terrenos da quinta, um convento de frades capuchos, cuja comunidade aí se instalou em 1517. Do primitivo edifício quinhentista conservam-se muitos vestígios arquitectónicos, alguns de feição manuelina, como é o caso da capelinha existente na cerca conventual, pavimentada com azulejos da primeira metade do século XVI. No denominado Jardim de Jericó, sobressai o lago dos Cardeais, iniciado na segunda metade do século XVII e decorado em volta da estátua de Moisés.
Destaca-se ainda, pelo seu valor arquitectónico, a capela do convento. Um perfeito exemplo de micro-arquitectura renascentista.
Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, todo o conjunto acabou por ficar na posse do Estado.
 
 
Fortaleza de Juromenha (Alandroal)
Segundo os especialistas, “É um caso de estudo, um modelo de evolução da fortificação dentro da Península Ibérica. Nas ruínas é possível ler, numa conjugação rara, a série contínua dos períodos históricos – medieval e moderno, islâmico e cristão, de taipa, de pedra, vertical e horizontal – numa sintonia de numerosas e fortes torres, em contraste com poucos mas robustos e extensos baluartes...”.
Dada a sua situação, em plana raia fronteiriça, passou de mãos várias vezes, só sendo recuperada definitivamente em 1808. A partir de então foi entrando em progressiva decadência, e em 1920 ficou despovoada. No ano de 1950, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais iniciou obras de recuperação do espaço, numa campanha que se prolongou até 1996.
 
Forte de Nossa Senhora das Salvas (Sines)
Também denominado como Forte do Revelim, localiza-se na freguesia, cidade e concelho de Sines.
Situado no Cabo de Sines, no extremo oeste da baía, tinha como função a vigia da costa, cooperando com o Castelo de Sines na defesa da vila contra os ataques dos corsários e dos piratas, então frequentes naquele litoral.
Foi construído no século XVII, altura em que foram construídas outras fortalezas com a mesma função ao longo da costa portuguesa, tendo albergado tropa até 1844. Desde 1978 que se encontra classificado como Imóvel de Interesse Público.
 
 
Forte da Praia da Ilha do Pessegueiro (Sines)
O Forte de Nossa Senhora da Queimada como também é conhecido, junto com o Forte de Santo Alberto, na própria ilha do Pessegueiro, constituíam um conjunto defensivo construído para protecção da costa, contra a pirataria. A construção dos dois fortes teve início durante a época dos Filipes, por volta de 1588, mas só terminou em 1690, já depois da restauração da independência portuguesa.
O terramoto de 1755 causou bastantes danos a este conjunto de fortalezas, e apesar de estarem classificados como monumentos nacionais, estão abandonados.
 
c/ Observador e Diário Imobiliário
 
 
 
 
 
O Agrupamento de Escolas de Reguengos de Monsaraz vai dispor de uma sala "Snoezelen", com equipamentos destinados ao relaxamento e à estimulação multissensorial dos alunos com perturbações neurológicas, intelectuais e emocionais.
 
"Nesta sala, as experiências sensoriais visam estimular os cinco sentidos básicos e também o equilíbrio e a relação com o outro", explicou à Lusa Marcelina Oliveira, professora que pertence à direcção do agrupamento escolar e supervisora da educação especial.
 
Segundo a docente, em Portugal, "em contexto escolar, não existem muitas destas salas", inspiradas num conceito criado na Holanda e cuja designação, "Snoezelen", tem a ver, precisamente, "com sentido e relaxamento".
 
"A filosofia da sala é direccionada, de uma maneira geral, para indivíduos com perturbações intelectuais, neurológicas e emocionais e pode ser utilizada por diferentes níveis etários", referiu.
 
Há uns anos, uma outra professora já tinha tentado implementar o projecto, mas, na altura, não avançou por falta de financiamento, segundo Marcelina Oliveira.
 
A iniciativa foi reestruturada e, agora, foi concretizada com o apoio da Fundação Oriente, da CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, da Câmara e Junta de Freguesia, da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens do concelho e de empresas locais.
 
"A sala deve começar a funcionar dentro de um mês, porque ainda estamos à espera que cheguem alguns equipamentos", afirmou a docente, indicando que, até ao momento, foram investidos no projecto "à volta de nove mil euros".
 
Esta valência, que vai contar com técnicos especializados, tem como objectivo proporcionar conforto através de estímulos multissensoriais, que "cruzam" música, notas, sons, luz, almofadas ou estimulação táctil, entre outros.
 
"O ambiente é escurecido e, depois, há todo um jogo de luzes, cores, sons e música relaxante. Todo este envolvimento convida a que a pessoa fique relaxada e num ambiente mais íntimo", precisou Marcelina Oliveira.
 
Uma envolvência "muito necessária" aos alunos que dela vão beneficiar: "São crianças com tempos de concentração e de atenção muito reduzidos, com grandes picos de hiperactividade", podendo esta terapêutica "trazer respostas positivas e muitas mais-valias", frisou.
 
Instalada na Escola EB N.º1 de Reguengos de Monsaraz, que ministra 2.º e 3.º ciclos, a sala, para já, vai dar resposta a alunos com deficiência intelectual, neurológica e emocional deste estabelecimento, mas também da Escola EB nº2 da cidade, dedicada ao 1.º ciclo.
 
"Temos salas de multideficiência nessas duas escolas, com um total de 14 alunos. Em princípio, vamos avançar com estes 14 na sala 'Snoezelen' e ainda com outros alunos prioritários que não estejam nas salas multideficiência", indicou a professora.
 
O objectivo seguinte, acrescentou, será "abrir" a sala à comunidade, numa lógica de apoio social, para que seja frequentada por "adultos com deficiência e que necessitem desta terapêutica" e por "idosos em lares que precisem de estimulação de relaxamento".
 
c/ LUSA
 

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