sábado, 23 março 2019

Este ano vai ser possível admirar a mão intacta da Rainha Santa Isabel

Escrito por  Publicado em País segunda, 04 janeiro 2016 18:28
Em 2016, comemoram-se 500 anos sobre a sua beatificação Em 2016, comemoram-se 500 anos sobre a sua beatificação DR
No Ano Santo da Misericórdia, que praticamente agora se iniciou, e no qual se comemoram os 500 anos da sua beatificação, vai ser possível venerar a mão da Rainha Santa Isabel.
 
Só com ordem do Bispo é que a mão da Rainha Santa Isabel, que se encontra praticamente intacta, pode ser mostrada e, para isso, é necessário uma ocasião especial.
 
De 1 a 13 de Julho, visitando o túmulo que está sepultado no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, os fiéis, ou simplesmente os curiosos, podem ver a mão da rainha, beijada durante séculos pela família real portuguesa.
 
Quase 300 anos depois da sua morte, dizem os autos oficiais da primeira abertura do túmulo, ocorrida em 1612, que o corpo estava "mui são, inteiro e sem corrupção, de maneira a que a cabeça estava com os cabelos inteiros, louros e sãos, de maneira que pegando por eles estavam fixos. A testa e todo o rosto coberto pela mesma carne, muito alba e bem proporcionada, com nariz, orelhas, olhos e boca, sem corrupção".
 
Aquando desta abertura, provocada pelo processo de canonização, médicos, professores da Universidade de Coimbra e entidades religiosas levantaram a mão para testemunhar o inédito.
 
O túmulo passou então a ser visitado pelos membros da família real em cada deslocação que faziam a Coimbra, para beijar a mão da Rainha.
 
Um túmulo, conta António Rebelo, presidente da Confraria da Rainha Santa Isabel, difícil de abrir porque "sempre que alguém da família real vinha a Coimbra trazia uma das chaves, porque o túmulo tinha três chaves: uma confiada ao bispo de Coimbra, outra à abadessa e outra ao Rei".
 
Em 1852, Dona Maria, Rainha de Portugal, visitou o túmulo e decidiu mandar trocar as mortalhas da Rainha que é Santa. Quando o fizeram "despiram o corpo com receio que os ossos se desconjuntassem, mas nada aconteceu. O corpo estava íntegro, as carnes bem consolidadas, os ossos muito bem colocados", explica António Rebelo.
 
Nos anos 30, já com a República e sem expectativas de se voltar à Monarquia, o corpo que permanecia intacto foi mandado isolar, deixando apenas à vista a mão direita. "Nós apenas removemos uma cortina que deixa ver a mão, porque dizem os antigos que nunca foi exposta sequer às pessoas da família real, seus descendentes, mais do que a mão para a beijarem", acrescenta.
 
Este ano, nas duas primeiras semanas de Julho, a mão da Rainha Santa Isabel, falecida em Estremoz, em 1336, volta a poder ser vista. "Olhando por um óculo de vidro, poderão ver a mão direita, a mão benfazeja da Rainha Santa, que era a mão que praticava as boas acções pelas quais ela ficou conhecida ao longo da história".
 
Uma mão seca pelo tempo, mas ainda com carne ligada às ossadas, que é descoberta, apenas em ocasiões especiais.
 
As últimas descobertas da mão aconteceram em 2012, aquando da celebração dos 400 anos da primeira abertura do túmulo, em 2000, porque foi ano de Jubileu, e em 1996, nos 300 anos da sagração da igreja da Rainha Santa.
 
A Rainha Santa Isabel ficou conhecida como a pacificadora, uma mulher culta dedicada à arte, à arquitectura e à liturgia, mas sobretudo notabilizada pela acção sócio-caritativa, sendo considerada a rainha amiga dos pobres.
 
A Confraria da Rainha Santa Isabel espera que milhares de pessoas passem pelo Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, entre 1 e 13 de Julho, para ver a mão da mulher que nasceu Isabel de Aragão, em Saragoça (Espanha), no ano de 1269, e que morreu em Estremoz, há 679 anos.
 
c/ TSF

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