segunda, 09 dezembro 2019

A vida tem destas coisas... de CONSCIÊNCIA

quarta, 20 novembro 2019 00:19
Há coisas na vida que aparentemente não têm qualquer tipo de justificação, ou pelo menos nós pensamos não ter. Talvez sejamos nós que não queremos encontrar justificações, talvez sejamos nós que temos dificuldade em observar com alguma clareza o que muitas vezes está mesmo à nossa frente. Na realidade o nosso cérebro, talvez inconscientemente, tende a procurar soluções tendencialmente proteccionistas para nós próprios perante determinadas situações que se nos vão deparando ao longo do percurso. Não raras vezes esse refúgio é enganador e, de certa forma, pode até resolver o problema imediato mas adia e em muitos casos agrava o problema de fundo (tenho ideia de já ter escrito isto em algum lado). E é aí que chega a consciência. De facto, muitas acções das nossas vidas serão extemporâneas, quase inconscientes, ou pelo menos são realizadas sem a reflexão necessária à resolução efectiva dos problemas. No fundo o nosso cérebro tem tendência a reagir de forma, digamos que ardilosa, e tenta encontrar um subterfugio para nos livrar desses problemas. Desconstruir essa situação acaba por ser o mais difícil. Quando o conseguimos fazer a nossa consciência fica liberta e vivemos a nossa vida plena e sem remorsos de qualquer tipo.
 
Tenho para mim que a experiência aliada à idade ou a idade aliada à experiência faz com que o treino do nosso cérebro vá dando as respostas aos problemas de forma mais célere mas também de forma mais ponderada e eficaz, não que sejam somente estes indicadores que o influenciam mas que se revelam de alguma importância não tenho qualquer tipo de dúvida. Também é certo que à medida que a idade vai avançando, os filtros vão desaparecendo. Quantas vezes não ouvimos já dizer “Eu já não tenho idade nem para fazer fretes, nem para me calar só porque sim”… mesmo que essa falta de filtros nos traga algumas vezes alguns dissabores?
 

Depois de tudo o que se tem dito e escrito sobre este assunto, não consigo ficar indiferente ao tema mas, apesar disso, mesmo depois de muita reflexão, não consigo ter uma posição clara e precisa sobre o caso. Se por um lado sinto uma enorme revolta pela atitude daquela progenitora e me recuso a chamar-lhe mãe, por outro também não consigo deixar de ter pena por aquela pessoa que eventualmente terá chegado ao limite dos limites para cometer o acto hediondo que cometeu.

É certo que cada pessoa é uma pessoa e as acções e reacções não são, obviamente, as mesmas perante a mesma problemática. Talvez seja também a tal consciência que minimiza ou maximiza o sentimento resultante dessas acções. 
 
 E pergunta o leitor o porquê desta conversa… toda esta conversa tem um propósito muito claro que traz aliado um misto de indignação mas, se calhar, também de comiseração.
 
De acordo com as notícias emanadas de toda a comunicação social, uma jovem de 22 anos deu à luz uma criança do sexo masculino e abandonou-a num qualquer contentor de ecoponto, nua e sem qualquer cuidado em resguardá-la do frio. Por mera sorte foi encontrada com vida, em plena luz do dia, por um sem-abrigo que eventualmente procurava sustento. Isto aconteceu na capital de Portugal, em pleno século XXI e com toda a informação que existe que, talvez por ser tanta se dispersa e se perde por essas ruelas (mas isto daria para muita conversa e ainda mais aprofundada). A progenitora foi encontrada e detida pelas autoridades para interrogatório. Acabou por ficar em prisão preventiva e poderá ser condenada, entre outros, pelo crime de exposição ao abandono do menor ou infanticídio.
 
Depois de tudo o que se tem dito e escrito sobre este assunto, não consigo ficar indiferente ao tema mas, apesar disso, mesmo depois de muita reflexão, não consigo ter uma posição clara e precisa sobre o caso. Se por um lado sinto uma enorme revolta pela atitude daquela progenitora e me recuso a chamar-lhe mãe, por outro também não consigo deixar de ter pena por aquela pessoa que eventualmente terá chegado ao limite dos limites para cometer o acto hediondo que cometeu. No entanto, nada disto significa que não ache que a jovem, também sem-abrigo, não mereça ser condenada nas instâncias judiciais pelo acto praticado.
 
Questiono-me para onde caminha este mundo? Questiono-me como é possível ser-se só numa cidade com meio milhão de habitantes? Questiono-me o que terá passado pela cabeça daquela jovem mulher? Questiono-me se estará ela arrependida do acto? Questiono-me o que terá acontecido para que a sua esperança fosse rio abaixo?
 
Tenho para mim que o facto de aquela mulher viver em condições indignas para qualquer ser humano não é motivo, por si só, para cometer uma atrocidade como aquela. Antigamente, quem não conseguisse criar os seus filhos, entregava-os a instituições, a familiares, a alguém que cuidasse deles com o mínimo de dignidade ou até mesmo, não se querendo expôr, deixava-os à porta de alguém.
 
Isto não quer dizer que nunca tenham acontecido factos como este ao longo dos tempos. Existiram e, infelizmente, continuarão a existir.
 
Poder-me-ão dizer que muita da juventude dos nossos dias não tem valores enraizados, que só o imediato e o seu “eu” lhes interessa, não se preocupando com o semelhante o que, até certo ponto, eu até concordo (… e aí somos nós os culpados pelo que transmitimos aos nossos filhos).
 
Poder-me-ão dizer também que, por um lado, a juventude desta mulher talvez não lhe tenha permitido ter a “bagagem” para agir de outro modo… mas por outro lado, nós sabemos lá qual a “bagagem” desta jovem, que vida terá tido, quantas portas se lhe terão fechado, o que lhe terá usurpado a esperança?… por muito que se diga e se escreva, só mesmo ela é que sabe.
 
Ainda assim, apesar do apelo da humanidade que me assola, não consigo ter a capacidade de, racionalmente, compreender a atitude em si. Talvez não me consiga decidir pelo lado certo. Pensando bem… haverá um lado certo? Se calhar até há, o lado certo tem que ser o da criança por ser o lado mais frágil, e quando penso nisso a minha revolta regressa e o meu desejo que aquela jovem que deu à luz seja condenada de forma implacável cresce. 
 
Tudo isto me faz reflectir ao ponto de afirmar que nós, talvez não tenhamos feito as apostas certas e que elas têm que advir precisamente da forma como educamos os nossos jovens. Temos mesmo que insistir e persistir em tentarmos deixar bons filhos no mundo e a aposta, essa tem que ser feita nos valores mais básicos como são os afectos, a vida, o amor, a responsabilidade, a verdade mas também a solidariedade e a humanidade. E pronto… quando se fala em solidariedade e humanidade tudo regressa à estaca zero. Quando penso que, sobre este caso específico, tenho uma posição definida, vem a consciência (…ai a consciência!!) e baralha tudo. Enfim… a vida tem destas coisas que fazem com que muitas lutas se façam na consciência e o que acontece é que, não raras vezes, não há vencedores nem vencidos nessas mesmas lutas. Tudo isto porque, por norma, há pessoas de ambos os lados... pessoas que, apesar de tudo, não deixam de o ser.
 
* Professor Luís Parente
 
Modificado em quarta, 20 novembro 2019 18:03

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segunda, 11 março 2019 15:09
Nunca foi mãe, é certo. A natureza assim não quis. Mas é preciso ser-se biologicamente mãe para se ser efectivamente mãe? Não! Está mais que provado que não! Muitas das vezes mãe não é quem tem, é quem cuida e cria. Sempre ouvi este termo e ao longo da minha vida, pessoal e profissional, tenho verificado e confirmado a veracidade da mesma. O meu texto de hoje volta a incidir numa perspectiva muito pessoal e familiar e tem precisamente a ver com estas relações em que o sangue “não passa” pelo coração.
 
Durante quase quarenta anos a minha sogra conseguiu ser MÃE mesmo não o sendo biologicamente. Há quase quarenta anos, quando se casou com o meu sogro, assumiu a responsabilidade de cuidar dele, dos filhos dele, entrando na sua vida sem condições ou restrições mesmo sabendo das eventuais dificuldades e tendo também a noção de que, a partir daí nada seria como dantes. Ela pegou numa criança de 8 anos que não lhe era absolutamente nada e amou-a com todas as suas energias, deu-lhe o carinho de uma verdadeira mãe, enxugou-lhe as lágrimas, curou-lhe as feridas, tratou-a, ensinou-a, partilhou alegrias com ela, deu-lhe muitas vivências que certamente não mais serão esquecidas, aliviou-lhe as tristezas, deu-lhe colo, transmitiu-lhe sabedoria, ensinou-lhe que nem tudo é um mar de rosas, abriu-lhe portas e encaminhou-a para a vida. Durante quase quarenta anos a minha sogra transmitiu valores de excelência que ficaram enraizados nos corações dos seus “filhos”. Sim porque foram muitos os “filhos” que tiveram a sorte de serem guiados pelos seus ensinamentos e pela sua experiência, não foi só a minha mulher, foram todos os seus sobrinhos e até os meus filhos os que foram bafejados pela sorte de serem criados por ela. Para se ter esta capacidade de amar tanta gente, é preciso ter-se um enorme coração, e a “Ti Bia”, mesmo com o seu feitio por vezes difícil, sempre o teve. Conseguiu sempre com sagacidade, persuasão e empenho ajudar os seus mais próximos, e os mais próximos dela nos últimos, quase, dezassete anos foram, primeiro a Mariana, depois a Matilde e mais tarde ainda o Miguel. Os meus filhos foram, efectivamente, criados por ela, até aos três anos qualquer um deles passou os dias e algumas vezes as noites na sua casa. O apoio diário à nossa família foi imprescindível ao nosso próprio equilíbrio, aliás, tenho a certeza que nada seria igual na educação dos meus filhos se não houvesse uma “Ti Bia” que carinhosamente tratou os seus netinhos com alegria, entusiasmo, responsabilidade e essencialmente com amor.
 
A partir de agora tudo será diferente, o Miguel não mais irá ao parque com a avó, a Matilde não mais a ajudará a fazer experiências culinárias ou a coser, a Mariana não mais lhe ligará a perguntar o que tem para o almoço nem lhe pedirá para coser os distintivos da farda dos escuteiros. Nenhum dos três voltará a ir dormir à da avó nem a ir, com ela, semana após semana ao mercado de sábado aqui por Estremoz.
 

Mulher simples, trabalhadora, multifacetada e excelente dona de casa, a “Ti Bia” viverá agora numa outra dimensão que não a nossa, onde estiver olhará certamente por todos nós, ainda assim manter-se-á sempre connosco até ao último sopro de vida de cada um de nós.

Mulher simples, trabalhadora, multifacetada e excelente dona de casa, a “Ti Bia” viverá agora numa outra dimensão que não a nossa, onde estiver olhará certamente por todos nós, ainda assim manter-se-á sempre connosco até ao último sopro de vida de cada um de nós. Quem sabe um dia não nos voltemos a reencontrar todos para relembrarmos esta vida terrena e recordarmos todos os momentos, todas as partilhas, todas as angústias, todas as alegrias e voltarmos a sentir a felicidade desse mesmo reencontro e celebrarmos a partilha de um novo sorriso e de uma troca de olhares com esses bonitos olhos azuis.
 
Estou certo que muitas famílias terão uma “Ti Bia” e com certeza estarão também agradecidos pelo que eventualmente lhes terá dado, mas hoje, aqui a “Ti Bia” de que falo é a minha, aquela minha sogra que viveu para si e mais para os outros, aquela que pautou a sua vida pela humildade e honestidade, aquela que ajudou com entusiasmo e sem nada querer em troca todos os que dela necessitaram e a solicitaram. Ninguém tira férias da família, por muito que, eventualmente, se ouse pensar nisso. Seguramente a “Ti Bia” nunca o fez, viveu ininterruptamente para a sua família, sempre preocupada e alerta com tudo o que se ia passando ao seu redor, com o seu marido e os seus “filhos” e netos.
 
Quando se perde um ente querido a vida dá-nos um estalo com tal força que ficamos de certa forma atordoados, mesmo quando menos esperamos. É um estalo para nos acordar e verificarmos que todas as pequenas quezílias, as preocupações sem sentido ou os “problemazinhos” não interessam mesmo nada… nada importa nesta altura. Só o que a maioria das pessoas ainda não conseguiu foi que esse estalo os acorde para sempre… mais dia, menos dia quase todos voltaremos a preocupar-nos com pequenas coisas que não têm a mínima importância, voltaremos a ser intransigentes com determinadas situações, voltaremos a exigir demais dos outros sem nos olharmos ao espelho, voltaremos a esquecer-nos que existe o outro e que esse outro pode ter necessidades de diversos níveis.
 
Ultimamente, sem saber porquê, cada vez que entro no espaço de um velório penso “Quem será o próximo que virei velar?” ou “Será que é a vez de alguém me velar a mim?”. Imagino muitas vezes se já terá chegado a minha meia vida ou se eventualmente essa meia vida já passou. Se querem que vos diga não gosto muito de pensar nisto mas no nosso cérebro há milhões de coisas que ainda não conseguimos controlar, e esta é uma delas. Não sei se é da idade… não creio que seja, até porque com quase quarenta e cinco anos não me sinto minimamente “velho” para pensar em assuntos desta natureza, não sei sequer se a idade terá algo a ver com isto, não me parece, mesmo. O que é certo é que, cada vez com mais frequência tenho ido a velórios. 
 
Quando nos acontece perder alguém mais próximo parece que tudo o que gira à nossa volta pára e, por estes dias é tudo isto que nos está a acontecer.
 
Ninguém gosta de ver os nossos sofrer e se há dor que não conseguimos sequer minimizar é a dor de perder alguém chegado. Quando vejo os meus filhos chorar desalmadamente ao saberem da irreparável perda da sua avó, ao verificarem que o contacto diário com uma das suas “mães” não mais irá acontecer, não há muito a fazer a não ser tentar acalmar os seus corações e fazê-los ver a importância de tudo o que aprenderam e viveram com ela e de todos os momentos por que passaram em conjunto. Vê-los assim foi para mim muito difícil, o meu próprio coração ficou completamente partido com o sofrimento deles.  
 
Este texto é uma homenagem a essa mãe que não o foi mas que foi uma grande MÃE. Conheci-a há cerca de 25 anos e este tempo de convívio, que nem sempre foi perfeito (nenhuma relação o é), foi um tempo de grande aprendizagem, felizmente com mais bons momentos do que aqueles que nos “aborreceram”. Tanto que eu “ralhei” consigo “Ti Bia” por insistir em dar guloseimas aos meus filhos, para agora querer que lhos dê. Sabe o que lhe digo… ainda bem que lhas deu, foram essas guloseimas que fizeram deles os doces que são.
 
Obrigado “Ti Bia” por ter sido para nós mais do que uma mãe… obrigado pelos acepipes maravilhosos (que deixarão muitas saudades!!)… obrigado pela ajuda em tudo e mais alguma coisa… obrigado pelos conselhos práticos que mais não eram do que o fruto das suas experiências… obrigado pela defesa intransigente da sua/nossa família… obrigado por ter amado a minha mulher e os meus filhos com toda a força que sempre demonstrou… obrigado pelas fantásticas experiências de vida que lhes proporcionou, pela educação que lhes deu, pela cumplicidade entre vós, por todo o vosso incondicional amor.
 
Dizem que as homenagens deveriam sempre ser feitas em vida, na realidade partilho dessa opinião, mas neste caso específico o tempo não me deixou fazê-lo, houve um coração que parou quando menos esperávamos. Na verdade nunca se espera ver partir alguém para sempre e muito menos da forma como sucedeu. Cada vez estou mais convicto que deve ser diário o reconhecimento, se tivermos que dizer algo, que seja hoje porque pode mesmo não haver amanhã.
 
Obrigado “Ti Bia”… por tudo!!
 
Até um dia!               
 
* Professor Luís Parente
Modificado em terça, 12 março 2019 16:01

Dá para voltar aos anos 80?

terça, 19 fevereiro 2019 01:41
Talvez nos dias de hoje se tenha perdido a noção do ridículo e, fundamentalmente, do bom senso, vejam-se por exemplo os gastos astronómicos, autênticas fortunas, unicamente para, por exemplo, aumentar audiências televisivas. Já vale quase tudo. A este respeito, quando a caixa de Pandora se abriu em Portugal com o aparecimento do “Big Brother” poucos acreditariam que se chegasse ao ponto a que se chegou neste momento, desde pessoas a testarem os seus limites físicos e psicológicos, a lutarem por posições empresariais, por empregos ou a fazerem os maiores disparates pondo, muitas das vezes as próprias vidas em perigo. Só em Portugal já passaram uma boa quantidade de reality shows. Recorri à internet e destaco, naturalmente, o já mencionado “Big Brother”, o “Masterplan”, Survivor”, “Quinta dos Famosos”, “Acorrentados”, “Bar da TV”, “Confiança Cega”, “Peso Pesado”, “Ilha da Tentação”, “Casa dos Segredos”, “Supernanny”, “Masterchef”, “Love on Top”, “Casamentos à Primeira Vista” ou “Pesadelo na Cozinha”, entre outros. Nos Estados Unidos então são para cima de duzentos, o “Shark Tank”, “Face Off”, “The Apprentice”, “Jackass”, “Botched”… enfim uma panóplia de programas disparatados que pululam nas nossas televisões e que continuam, infelizmente, a cultivar a ignorância nos nossos jovens, fazendo crer que a vida é da forma como nos fazem crer que é sem sequer se ter o cuidado de efectuar o trabalho de desconstrução da falsa realidade. As pessoas consomem o que lhes apresentam e infelizmente a maioria não consegue perceber que não vivemos num mundo superficial, a realidade é muito mais cruel do que a que nos apresentam. Ainda assim os reality shows de cariz musical ou os de artes culinárias serão, no meu entender, os mais lúdicos. Se alguns provocam em nós o espírito empreendedor, outros mais não são do que autênticas aberrações tal a falta de educação e ética. Muitos destes programas são anteriores ao “boom” das redes sociais (que já não é assim tão grande) mas é minha convicção que com o exponencial crescimento destas os próprios reality shows se conseguiram adaptar, para o bem e para o mal. Existe, quanto a mim, um elo de ligação comum a todos estes programas, esse elo chama-se exploração de sentimentos, hoje em dia recorre-se a esta exploração sem haver preocupação com o indivíduo, com o que pode suceder a seguir, com as consequências dessa mesma exploração. Perdeu-se a noção de humanidade e sobriedade, parece que se vive ébrio na ânsia de se mostrar ao mundo algo que devia ser pessoal, particular. As redes sociais têm muita força no que a, também, este assunto diz respeito, a sua influência é enorme. Vejamos outro exemplo, aquele que se passou com as eleições presidenciais norte americanas de 2016 ou mais recentemente com as eleições no Brasil onde o recém empossado presidente fez grande parte da sua campanha eleitoral praticamente sem sair de casa recorrendo, para o efeito, precisamente às redes sociais. Isto só para focar a sua influência no plano político porque na vida das pessoas, a mesma revela-se gigantesca, quer seja positiva ou negativamente. Na realidade a utilização das redes sociais tem algumas vantagens, desde logo a comunicação mais fácil e rápida entre as pessoas, o acesso à informação, a partilha de ideias e ideais, imagens, momentos, o reencontro com pessoas que, por imperativos da vida de cada um, deixaram de se encontrar ou se ver. Quantas vezes não vimos ou ouvimos já dizer que alguém encontrou no Facebook ou no Instagram um colega ou amigo de escola do qual não sabia há anos? Haverá poucas pessoas a quem isso não tenha acontecido.
 
 

 Cada vez mais penso que a forma como concebo a utilização das redes sociais não se coaduna com os dias estranhos (muito estranhos!!) em que o mundo vive. Para mim as redes sociais servem para a diversão, para o sorriso, para o conhecimento, para a alegria, de forma a conseguir equilibradamente partilhar aquilo que quero com quem quero mas sempre “na desportiva”… isso de destilar veneno não é para mim.

Na realidade todo o mundo da Internet alterou o outro mundo, aquele que nós, das gerações de 60, 70, 80 do século XX conhecíamos. O mundo evoluiu, é certo, mas não quer dizer que tenha evoluído de forma totalmente positiva. Quanto a mim, com o decorrer dos anos, foi-se perdendo o essencial e imprescindível equilíbrio tão necessário a toda e qualquer acção das nossas vidas. O radicalismo em muitos aspectos da sociedade tem ganho terreno de forma muito preocupante. Esta coisa do tudo ou nada continua a ser, para mim, difícil de compreender e interiorizar. Agora tudo tem que ser para ontem, hoje em dia os afectos são quase que informáticos, a coragem está nas palavras que se escrevem e não nas atitudes que se tomam. Essa mesma coragem que se demonstra nas redes sociais não é transposta para a realidade, as pessoas refugiam-se atrás do ecrã do seu computador ou do smartphone para, não raras vezes, proferirem impropérios ou ofensas que, cara a cara não conseguiriam nunca fazer. Aliás, já Umberto Eco dizia criticamente sobre as novas tecnologias que as redes sociais dão direito à palavra a uma “legião de imbecis”, o que é certo é que hoje toda a gente conjectura e tem uma opinião sobre tudo e mais alguma coisa. As pessoas deixaram de saber esperar, querem tudo no imediato… a exposição pública é de tal forma elevada que a privacidade quase que deixou de existir (nós também o permitimos, consciente ou inconscientemente, ao aceitarmos, concordarmos e ignorarmos as políticas de privacidade dos sites)… o sucesso é baseado no número de likes, de amigos, seguidores ou leitores… a estatística serve para tudo… os telefones são inteligentes, têm aplicações que servem para tudo, servem, imagine-se, até para telefonar (aparentemente o menos importante nos dias em que vivemos). Reconheço que muitas das inovações têm revolucionado o nosso mundo. O campo da medicina é paradigmático nesse sentido e a evolução tem sido muito significativa. Sim, é verdade, as tecnologias quando utilizadas para o bem são, de facto, fantásticas e ajudam muito. No entanto o que tem que ser também considerada é a falência e a incapacidade para controlar e minimizar até, pelo menos, tornar residual a parte maléfica da tecnologia. Esse é o grande desafio mas também a grande dificuldade dos dias de hoje. Agora existem “Youtubers”, os “Youtubers” são pessoas que conseguem fazer vida (alguns) do número de visualizações das suas páginas ou vídeos publicados na Internet. Muitos destes “Youtubers” são denominados também de “Influencers”, mais não são do que pessoas que publicam conteúdos sobre certos e determinados temas em que são ou se tornaram especialistas (muitos no absurdo!!) e conseguem ter milhões de visualizações e seguidores. Quando isso acontece são as próprias marcas com nome no mercado que se associam a essas pessoas tal não é a influência que existe sobre os tais seguidores. No fundo são uma espécie de influenciadores de decisões, de comportamentos e opiniões que com a valorização das suas próprias opiniões conseguem impor as suas ideias a outros.
 
De facto não me preocupa a forma como eles conseguem fazer daquilo vida, preocupa-me sim aquilo que é publicado e consumido pelos nossos jovens e adolescentes quando não existem quaisquer filtros que impeçam a visualização de conteúdos impróprios e inadequados às suas faixas etárias. Ainda que existam mil e uma aplicações de controlo parental, o que é certo é que há outras tantas que fazem o trabalho inverso.
 
A minha preocupação com isto das redes sociais tem vindo, de certa forma, a crescer. A propagação de notícias falsas, de boatos, a destruição de vidas, a difamação, a criação de falsos perfis com objectivos, no mínimo, estranhos, a proliferação dos mais diversos crimes informáticos, a desinformação e o seguidismo são o que mais me preocupa. Cada vez mais penso que a forma como concebo a utilização das redes sociais não se coaduna com os dias estranhos (muito estranhos!!) em que o mundo vive. Para mim as redes sociais servem para a diversão, para o sorriso, para o conhecimento, para a alegria, de forma a conseguir equilibradamente partilhar aquilo que quero com quem quero mas sempre “na desportiva”… isso de destilar veneno não é para mim. Dada a conjuntura actual do nosso mundo chego a pensar, com algum saudosismo é verdade, na inocência dos anos oitenta, sem internet, sem redes sociais de âmbito informático, sim porque as redes sociais da altura eram as da rua, do jogo da bola, dos amigos de infância. Será que não dá para voltar aos anos 80? Pois… não é possível! Aguentemo-nos, equilibradamente, com o que temos mas sempre sem que algo ou alguém nos subjugue a liberdade do pensamento e dos ideais e nos influencie no que quer que seja… Difícil, não é? 
 
* Professor Luís Parente
Modificado em terça, 19 fevereiro 2019 10:27

Vamos à escrita?

quarta, 02 janeiro 2019 19:19
Um ano e meio se passou sem que tivesse escrito uma única palavra para o “Ardina do Alentejo”. Dezoito meses de “zanga” com a escrita. Poder-me-ão perguntar porquê mas a minha resposta é simples… não faço a mínima ideia, não sei porquê, sinceramente! O meu vigésimo sétimo texto para o “Ardina” nasce hoje, curiosamente no vigésimo sétimo dia do mês de Dezembro de 2018, para já, e enquanto o escrevo não imagino sequer que título lhe hei-de dar, quem sabe no final chegue a alguma conclusão.
 
Talvez esteja na altura de “degustar” as letras, as sílabas, as palavras como outrora. Talvez seja agora o reinício de uma “vida” que temporariamente esteve interrompida sei lá por que motivos.
 
Apesar de “ausente” fui sempre acompanhando a evolução mais do que positiva do “Ardina”, fruto da visão futurista do Pedro Soeiro, que é o rosto mais visível deste projecto, mas também do Ivo Moreira que também tem trabalhado intensamente no site. A eles uma especial e pública saudação pelo trabalho e dinamismo desenvolvido até aqui. É também por isto que ainda hoje me continuo a sentir honrado por fazer parte desta pequena/grande equipa.
 
“Ano novo, vida nova” não é o que recorrentemente se diz, ano após ano normalmente no final de cada ciclo de doze meses? Pois para mim será ano novo, hábitos antigos, pelo menos no que à escrita diz respeito, é claro.
 
Durante estes dezoito meses de interregno muitas alterações surgiram no mundo e na vida de quase toda a gente, e na minha não foi, efectivamente, diferente. Na realidade, e sem querer estar a fazer-me de vítima do que quer que seja, foi um tempo, de certa forma, complicado para mim mas o que é certo é que saí dessa fase muito mais forte e com uma capacidade de regeneração e aprendizagem muito maior.
 

 Durante estes dezoito meses de interregno muitas alterações surgiram no mundo e na vida de quase toda a gente, e na minha não foi, efectivamente, diferente. Na realidade, e sem querer estar a fazer-me de vítima do que quer que seja, foi um tempo, de certa forma, complicado para mim mas o que é certo é que saí dessa fase muito mais forte e com uma capacidade de regeneração e aprendizagem muito maior.

Em dezoito meses vivi várias vidas, desde logo, e naturalmente, a minha, mas vivi com muito mais intensidade, fruto de inúmeras contingências e acontecimentos, a vida de outras pessoas. No fundo vivi de perto com a injustiça, com a impotência e com a incapacidade de resolução célere de problemas de saúde de familiares muito próximos. A este propósito continua a irritar-me o facto desses mesmos problemas andarem sempre muito mais velozes do que as soluções mas contra isso é mesmo muito difícil dar a volta. No entanto, durante este espaço temporal, também vivi lado a lado com a força, com a capacidade criativa, com a persistência, com a solidariedade, com o apoio, com a amizade, com a resiliência e com a efectiva noção de realidade, realidade essa que, a determinado momento, resolveu “dar-me um estalo” para me acordar de forma a conseguir relembrar-me que nós, humanos, não somos senão pó.
 
De facto vivi neste ano e meio em dois estádios diferentes, ou duas estações, como preferirem, uma espécie de estação do bem e outra do mal. Se calhar até vivemos sempre com elas mas nesta altura senti-as mais nitidamente e com mais intensidade na minha vida. Existiam fronteiras nessas estações, ainda assim elas não só se cruzavam mas se interligavam e muitas das vezes se tentavam fundir. No entanto, quando isso aconteceu tive o discernimento e a felicidade de, em conjunto com a família e os amigos, conseguir ter a capacidade de delimitar de novo essas fronteiras para que um estádio não se sobrepusesse ou condicionasse o outro, mantendo dessa forma o necessário e natural equilíbrio. Essa superação foi realizada com muito esforço e foi muito difícil, mas aconteceu “cá dentro”, e acontece sempre quando transformamos a descarga das energias negativas em sorrisos e amor. Não que o amor não exista quando a lágrima escorre pelo rosto… não que o amor não exista quando lutamos contra adversidades… ele existe e existirá sempre em ambas as situações, na alegria e na tristeza. Uma coisa é certa, em ambas as estações de que falei consegui tirar ensinamentos e experiências de vida que me fizeram chegar de novo até aqui, à ponta desta caneta BIC que suja de novo o papel branco (sim continuo a preferir a escrita manual à electrónica!). Agora me apercebo que a fluidez com que essa tinta “escorre” no papel me trouxe a uma espécie de balanço dos meses em que estive ausente, logo eu que não sou nada apreciador de balanços. Na verdade a vida é para ser vivida de acordo com o rumo que a própria vida tomar, baseado ou não nas opções e nas escolhas que vão surgindo, sem balanços, sem previsões… com expectativas sim, com ambições também, mas sempre vivendo o presente, retendo aprendizagens passadas e aguardando o porvir que a sorte trouxer.
 
Ainda que continue a não me considerar nenhum expert para escrever sobre tudo e mais alguma coisa, continuarei a revelar os traços da minha identidade, a minha forma de pensar e ver o mundo e a vida e, mesmo passados dezoito meses, regresso com igual entusiasmo e com a mesma vontade de escrever um pouco sobre esse mundo, um pouco sobre essa vida e até mesmo um pouco sobre mim. Assim os leitores tenham paciência para ler os meus, por vezes, extensos textos. Passado ano e meio regresso com a mesma expectativa e ambição e espero, naturalmente, pelo futuro na ponta da minha BIC. Vamos à escrita? (Olha… encontrei o título!). 
 
* Professor Luís Parente
Modificado em quarta, 02 janeiro 2019 19:24

Quase 12 anos

terça, 04 julho 2017 16:25
Há quase 12 anos, durante o mês de Agosto, o meu telefone tocou. Do outro lado a Margarida, que havia sido minha chefe um ano antes, disse-me que precisava de falar comigo e perguntou-me se podia dirigir-me à Escola de Avis. Sem hesitar disse que sim, que iria falar com ela, mas logo me surgiu o porquê e, da mesma forma que sem hesitar lhe disse que sim, lhe coloquei a questão. Na altura disse-me que não queria falar por telefone e eu, naturalmente acedi e respeitei a sua posição, tendo-me então deslocado à escola no dia seguinte. Quando lá cheguei, com o cabelo quase tão comprido como quando tinha 18 anos, os cumprimentos e as conversas de ocasião preencheram uma parte do dia. Foi então que a Margarida, a Lena e a Luísa puxaram o assunto que me levara lá. Começaram por dizer que tinham pensado em mim para um projeto que era a minha cara, ser Coordenador de um PIEF. Para os menos familiarizados com estas coisas das siglas da Educação, um PIEF é um Programa Integrado de Educação e Formação que integra alunos com algumas particularidades como são o exemplo dos comportamentos disruptivos ou do abandono escolar precoce. No entanto a proposta traria mais qualquer coisa, anexa a ela vinha também o convite para integrar a Direcção do Agrupamento de Escolas de Avis. Na altura confesso que fiquei em estado de choque e duvidei mesmo das minhas próprias capacidades para desempenhar tal cargo, para ser sincero ainda hoje duvido um bocadinho que as tivesse. O que me disseram era que seria só um ano lectivo ao que eu respondi que era demasiadamente desorganizado com papéis para poder aceitar. De imediato a Lena disse-me que também não percebia nada de papéis (tudo mentira!) e aí a minha insegurança esbateu-se um pouco. Propus então falar com a minha família para rapidamente lhes transmitir a nossa decisão. E assim fiz. Questionei a Zézinha, os meus pais, o meu irmão e todos me deram força para aceitar o desafio. Aceitei-o numa de viver a experiência do outro lado, e como era só um ano, talvez não fosse tão doloroso tratar de papéis. Depois de passado esse ano, e sem que tivesse sequer dado pelo tempo passar, vieram quase mais 11. Saiu a Lena, entrou a Ana Rosa… saiu a Luísa e a Ana Rosa, entraram a Ana Isabel e a Joana… saiu a Joana entrou a Lina… e eu que era só para ficar um ano fui-me mantendo com a Margarida até hoje.
 

 Aceitei-o numa de viver a experiência do outro lado, e como era só um ano, talvez não fosse tão doloroso tratar de papéis. Depois de passado esse ano, e sem que tivesse sequer dado pelo tempo passar, vieram quase mais 11. Saiu a Lena, entrou a Ana Rosa… saiu a Luísa e a Ana Rosa, entraram a Ana Isabel e a Joana… saiu a Joana entrou a Lina… e eu que era só para ficar um ano fui-me mantendo com a Margarida até hoje.

A primeira reunião a que assisti enquanto membro da Direcção da escola foi em Portalegre e a ordem de trabalhos era constituída por um único ponto, a abertura do ano lectivo. Começou às três e meia da tarde e terminou quase às dez e meia da noite. Foram quase 7 horas de “seca”. Sim, confesso que detesto reuniões! E tudo o que seja mais de duas horas e meia, três horas já não consigo ouvir nada. Sempre fui assim, muito mais prático que teórico. Felizmente consegui arranjar estratégias para me entreter nas horas seguintes, normalmente eram passadas a desenhar ou a pensar disparates. Quando o tempo de reunião ultrapassa o tolerável para mim, observo as particularidades de cada um, a forma como os oradores se expressam, se são fanhosos, se são meio gagos, se repetem determinadas palavras ou expressões. Sobre isto, chego mesmo a contar o número de vezes que o fazem. Observo a conjugação da roupa, os tiques, os penteados. Imagino-os a fazerem as coisas mais absurdas que se podem imaginar e chego mesmo a esboçar uns sorrisos que, muitas vezes, quase passam a risos incontroláveis só de pensar no absurdo das situações. O que é certo é que tenho que controlar o meu cérebro para não me deixar adormecer. Enfim, como podem imaginar, esta minha primeira reunião foi para mim um suplício e no final da mesma perguntei à Margarida se isto era sempre assim, é que se fosse eu recusava-me a ir a mais alguma. Ela descansou-me e disse-me que não. Felizmente nunca mais, nestes anos todos, tive uma reunião tão longa.
 
Foram quase 12 anos de muitas reuniões, é um facto. Mas também foram quase 12 anos de muita aprendizagem, de partilhas, de cumplicidade, de entreajuda, de comprometimento… Não querendo, de forma alguma, fazer o papel de um político em campanha (Deus me livre!!) acho que é importante espelhar aqui o que foram estes quase 12 anos. Foram quase 12 anos de obrigados mas também de desculpas… foram quase 12 anos de cooperação, de planeamento, de confiança, de adaptação, de criatividade… foram quase 12 anos de flexibilidade, de comunicação, de esforço… foram quase 12 anos de amizade, de risos (“muuuitos” risos), de choro, de angústia, de compreensão, de alegria mas também de tristeza, de desilusão e de sacrifício pessoal e familiar. Nestes quase 12 anos acertámos mas também errámos, trabalhámos todos em equipa, em sinergia, ouvimos, inovámos, motivámos, fomos proactivos, dinâmicos, tomámos decisões fáceis mas também difíceis… Nestes quase 12 anos relaxámos, concordámos, discordámos, tivemos visão, olhámo-nos nos olhos, discutimos, zangámo-nos, criticámos, fomos criticados, obtivemos resultados bons, menos bons, gerimos conflitos, trocámos experiências, descentralizámos, trouxemos modernidade, personalidade, transformámos a Biblioteca em Centro de Recursos, equipámos a escola com material didáctico, informático, construímos o tão ambicionado campo de jogos para os alunos, transformámos uns antigos balneários e arrecadações num auditório para 147 pessoas, criámos, com a ajuda de muita gente, um Centro de Formação Desportiva de Remo, fizemos a manutenção e recuperação dos espaços da escola e principalmente tentámos apoiar os nossos colegas e funcionários respondendo, sempre que possível às suas solicitações, angústias, e tentando sempre resolver os problemas que surgiram com equidade e equilíbrio. Fundamentalmente tentámos dar aos nossos alunos a auto-estima necessária para que pudessem aprender e participar na vida da escola de forma autónoma, natural, equilibrada, em paz, com alegria, espírito de entreajuda e promovendo os valores do respeito, da honestidade, da humildade, do amor.
 
Em Janeiro último pediram-me para escrever o editorial do jornal da escola e nesse editorial fiz questão de expressar a minha opinião sobre o que é para mim a escola, a minha escola. Partilho-o aqui convosco:  
 
A existência de um jornal numa escola é fundamental para transmitir a toda a comunidade o que realmente se passa cá dentro. No fundo é como que um abrir das portas às pessoas para que elas entendam que aqui há vida, que aqui se aprende, que aqui se sente… que aqui se partilham saberes, momentos… que aqui se aprendem valores essenciais para se viver em comunidade… que aqui se aprende a ser dialogante, cooperante, autónomo… que aqui há liberdade, trabalho e responsabilidade… para que as pessoas percebam que aqui se transformam crianças em jovens e que se pretende que esses jovens saiam daqui com vivências, aprendizagens e experiências fantásticas para a vida e se formem cidadãos responsáveis… Aqui, ensinar é o caminho… aprender é caminhar. Mas não é só.
 
Se perguntarmos aos antigos alunos da nossa escola qual o sentimento que nutrem por ela, a quase totalidade vos dirá que têm saudades desses tempos, das amizades, das brincadeiras, de alguns cheiros, de alguns sabores… lembrar-se-ão dos dias de chuva, de calor, dos dias de festa, de determinadas matérias, daquela conversa, daquele teatro, daquela música, daquele beijo às escondidas… lembrar-se-ão dos colegas, dos funcionários, dos professores. Fruto das suas próprias experiências de vida, muitos deles dirão também que se pudessem voltar atrás e estudar mais do que o que fizeram, talvez a vida se encarregasse de lhes dar mais e melhores oportunidades.
 
Todos sabemos que nem todos podem ser doutores mas todos também sabemos que sem esforço, determinação, sacrifício e trabalho nada se consegue. No fundo, o que mais orgulho me dá, é ver que os nossos alunos se tornaram boas pessoas, sejam eles doutores ou não, tenham mais ou menos sucesso nos seus percursos de vida. Na realidade é a colocação do meu grãozinho de areia na construção da identidade de cada um que me dá mais prazer. 
 
A escola não é só aprender e ensinar, é viver! É, naturalmente, uma fase das nossas vidas que ao passar não mais regressará e que devemos aproveitar positivamente enquanto podemos. 
 
Nos dias de hoje os alunos quase que passam mais tempo na escola do que em casa, por isso mesmo é importante que possam partilhar com as suas famílias e amigos um pouco do seu trabalho diário, um pouco das suas próprias vidas…
 
 Mas a escola, no seu sentido mais lato, não é só isto. Trabalhar como docente numa escola, nos dias de hoje, é uma tarefa quase hercúlea dada a quantidade de burocracia e de papéis que existem. Sobre a escola de hoje li há dias um texto que quero aqui reproduzir e cujo autor desconheço por completo mas que me fez reflectir bastante. Partilho convosco: 
 
"Somos o país das escolas vazias. E dos mega agrupamentos lotados. Onde há muitos professores sem trabalho e outros a enlouquecer pela quantidade do mesmo.
Somos o país onde na mesma sala há dois, ou três ou quatro anos escolares distintos. Mas não interessa, porque não há dinheiro para dois professores. Somos o país onde os programas escolares são gigantes e muitas vezes desenquadrados das necessidades de aprendizagem. Somos o país onde desde cedo se tem explicações, não porque os nossos alunos não sejam suficientemente inteligentes, mas porque o programa é louco. Onde os pais não conseguem ajudar a fazer os trabalhos de casa, agora mais exigentes e em maior quantidade. Somos o país onde não há praticamente psicólogos nas escolas, porque não há verba. Somos o país onde as crianças ou não têm tempo para brincar, ou já não sabem brincar. Somos o país onde o ensino especial é só para alguns e a diferença não é contemplada, sendo grande parte das vezes, só alvo de rótulo. Somos o país onde cada vez mais há crianças a entrar com 5 anos para a escola, anulando-lhe a possibilidade de mais um ano de brincadeira para melhor crescer e para desenvolver de forma consistente a concentração e atenção, fundamentais para o processo de aprendizagem. Somos o país onde o número de crianças com hiperatividade e de défice de atenção é, no mínimo, bizarro, onde a imaturidade reina e a falta de controlo de comportamento também. E de regras, com certeza. Somos o país com programa de ensino desfasado do desenvolvimento das suas crianças. Somos o país onde algumas crianças trabalham mais horas que adultos. Somos o país que premeia os quadros de mérito, mas não premeia a excelência humana. Que pena, talvez se assim fosse, os níveis de violência nas escolas fossem menores. Somos o país de pais cansados e desorientados. Somos o país de professores angustiados e revoltados. Somos um país de cortes. Que corta em tudo. E mais precisamente, no futuro do seu próprio país. Somos um país cheio de tanta coisa, mas vazio do que realmente interessa. Somos um país que precisa de dar um murro na mesa e defender aquilo que é seu. Nosso. A escola. As crianças."
 
Este texto reflecte, na generalidade, a parte pior daquilo que penso da escola de hoje, a escola que dá mais importância aos números do que às pessoas. Para ser o mais sincero possível, desde o primeiro dia que comecei a dar aulas até hoje, não senti que houvesse evolução no estado da educação no nosso país. A quantidade de vezes que se mudam os modelos educativos ou os conteúdos programáticos por exemplo, à medida que há mudanças de governos, proporciona e propicia uma completa rebaldaria que só confunde os agentes educativos, principalmente os alunos. Não existe consolidação de nenhum modelo pelo menos desde que comecei a dar aulas há quase 20 anos e isso reflecte-se no estado a que isto chegou. Interessa passar alunos para que os números dos relatórios sobre a educação em Portugal melhorem, não interessa transitá-los com qualidade nas suas aprendizagens. Com isto não estou sequer a abordar a sempre polémica transição ou não dos alunos, o que, na realidade, me importa é que eles saiam da escola não só com conhecimento mas também com valores humanos consolidados para viverem saudavelmente em sociedade. Os nossos governantes esquecem-se sempre daquilo que os docentes nunca esquecem, os jovens de hoje são os Homens de amanhã. Na educação não importa só o agora, importa sempre o depois, e mais que os números estão as pessoas.
 
Durante estes quase 12 anos, mesmo cumprindo as orientações da nossa tutela (concordando ou não com elas), tentámos que a vida na nossa escola fosse vivida pelos nossos alunos baseada em valores de humanidade. Se conseguimos ou não, não sei. Sei que trabalhámos com honestidade, responsabilidade e empenho para o conseguirmos.
 
Trabalhar na escola de Avis não é fácil. Não é fácil trabalhar em escola nenhuma. Nenhum dia é igual ao outro, não existem muitas rotinas, a não ser as do toque da campainha (quando existe). Fazendo um breve balanço destes quase 12 anos, o que mais detestei foi dar “castigos” aos alunos… a sério, não faz parte da minha personalidade! Nem tudo foram rosas neste tempo, é um facto. Esta história de gerir recursos humanos tem muito que se lhe diga. E quando os recursos são adultos ainda mais difícil se torna. É impossível evitar o choque de personalidades. Gerir egos e personalidades completamente díspares é muitíssimo complicado, há que ter um jogo de cintura absolutamente brutal. Era, de facto, interessante que todos os docentes pudessem passar por uma Direcção de uma escola para observarem não só esta realidade mas também a imensidão de coisas que têm que ser feitas, de forma a entenderem que, não raras vezes, a implementação de determinadas regras são oriundas das hierarquias e que as decisões tomadas não são autónomas mas, muitas vezes, impostas. Também era importante que, de X em X anos os docentes fossem conhecer outras realidades, viverem um ano ou dois noutras escolas, mesmo que próximas, para perceberem que ser “dinossauro” numa escola nem sempre é bom, pelo menos não lhes dá o direito de quererem que, por exemplo, o orçamento de uma escola seja gerido como se de um orçamento familiar se tratasse, até porque as diferenças são abismais, ou quererem que a escola seja como era antigamente. Os paradigmas mudaram. Mudam dia após dia e há que seguir em frente.
 
Passados quase 12 anos é altura de dizer adeus a Avis. Cheguei aqui com menos 30 quilos, sem cabelos brancos e a fumar desalmadamente. Saio daqui enriquecido pelas vivências que vivi, pelas pessoas que conheci, pelas amizades que fiz e levo comigo não só uma vila mas um concelho lindíssimo que merece ser visitado.
 

Passados quase 12 anos é altura de dizer adeus a Avis. Cheguei aqui com menos 30 quilos, sem cabelos brancos e a fumar desalmadamente. Saio daqui enriquecido pelas vivências que vivi, pelas pessoas que conheci, pelas amizades que fiz e levo comigo não só uma vila mas um concelho lindíssimo que merece ser visitado.

Da escola levo muito mais, levo o meu coração cheio… cheio com muito mais do que a amizade dos assistentes técnicos e operacionais, levo a simpatia do Sr. Feijão e da D. Elisa, a disponibilidade, cumplicidade e lealdade do Sr. Domingos, as artes manuais do Sr. Antunes, do Sr. António Corrula e do malogrado Sr. João Silva, levo comigo as constantes e hilariantes brincadeiras da D. Celestina, a competência e solidariedade da D. Maria José Carago e a cordialidade da D. Maria José Varela e do Sr. António Joaquim, levo a excelente comidinha da D. Maria do Rosário (hum!!!), da D. Ana Maria e da D. Isabel Lopes, a humildade da D. Margarida Matias, a presença da Elsa, do Sr. Zé e da D. Maria José e o fundamental apoio da D. Paula e da D. Maria Joana, levo comigo as fantásticas coseduras da D. Margarida Carrilho, a cortesia da D. Fernanda, as sábias benzeduras da D. Vitória e a elegante perspicácia da D. Aurora, levo os belos bolinhos com creme da Zéfinha e da Belinha, o chão molhado e o equilíbrio da Filomena, a sobriedade da Carmen, a criatividade do Tiago e a lealdade da Cristiana e levo finalmente comigo a sabedoria, a experiência, a cumplicidade, a responsabilidade e o altruísmo da D. Rosa que foi muitas vezes quase nossa mãe.  A todos, sem excepção… MUITO OBRIGADO!
 
Para além disso, e como tenho um coração muito grande, levo muito mais gente, levo centenas de alunos (de que não me esquecerei, nunca!) e a maioria dos colegas que comigo compartilharam a vida na escola. No cantinho mais especial deste músculo que nos faz estar por aqui, levo as horas partilhadas com a Lena, as brincadeiras da Luísa, a seriedade da Ana Rosa e a invulgar capacidade de trabalho da Joana e levo, fundamentalmente, a parceria e habilidade da fantástica Lina, o genial profissionalismo e empenho da magnífica Ana Isabel, e o apoio, cumplicidade, solidariedade, inteligência e amizade da extraordinária Patrícia e da impetuosa mas versátil, sincera e honesta Margarida. Todas deram o melhor de si, de todas retirei ensinamentos e todas foram profissionais 5 estrelas… por isso… MUITO OBRIGADO!
 
Passados quase 12 anos é altura de dizer adeus a Avis. Saio daqui com a consciência tranquila do dever cumprido e de tudo ter feito em prole dos alunos. Saio com mais 30 quilos, com milhares de cabelos brancos mas pelo menos, deixei de fumar. É verdade, vou ter saudades do caminho, sempre diferente de dia para dia. Reafirmo que saio enriquecido pelas vivências que vivi, pelas pessoas que conheci, pelas amizades que fiz e levo comigo não só uma vila mas um concelho lindíssimo que merece ser visitado. Até sempre… ou até um dia AVIS!
 
* Professor Luís Parente
Modificado em terça, 04 julho 2017 18:21

Vamos dançar?

sexta, 28 abril 2017 20:20
Para ser sincero sou aquilo a que se pode chamar de autêntico “pé de chumbo”. Não tenho o mínimo jeito para dançar. Coreografias, movimentos amplos, movimentos curtos, de pés, de mãos, de ancas, não percebo nada, mesmo. Naturalmente que ao longo da minha vida, muitas foram as ocasiões em que tive mesmo que dançar, quer dizer… dançar não é o termo mais correto, talvez seja melhor chamar-lhe qualquer coisa como “ocasiões em que fui quase obrigado a efectuar movimentos ritmados ao som de uma música”. Adoro música, adoro bater o pé ao ritmo de uma música, adoro fingir que toco bateria, transformo qualquer coisa em baquetas para tentar reproduzir o som da percussão, canetas, talheres, as próprias mãos, tudo serve para fazer “barulho”, ao ponto de, por vezes, em casa, ter alguém a dizer-me que já chega… eu tenho a noção que às vezes é difícil controlar-me neste aspecto. Mas quando toca a dançar… Ui!!! Valha-me Deus!!! Quando era mais novo, para não fazer figuras tristes nos bailes ou nas discotecas, optei por uma situação que, de alguma forma me pudesse proteger para não cair no ridículo, em primeiro lugar observava atentamente tudo o que me rodeava (a bater ritmadamente o pé ao som da música), a forma de uns e de outros se movimentarem, o local onde punham as mãos, se elas próprias faziam ou não parte das criativas coreografias que por lá apareciam. Algumas eram talvez um pouco excêntricas. Ao fim e ao cabo depois de tanta observação eu já conseguia distinguir as clássicas das excêntricas, pelo menos pensava eu…
 
A este propósito, de danças estranhas, recordo-me, numas férias no Luso irmos com o nosso grupo de jovens amigos, que se juntavam todos os anos no INATEL daquela localidade, à discoteca do Grande Hotel curtir a música daqueles finais dos anos 80. De entre dez a quinze jovens rapazes e raparigas destacou-se claramente na inovação da sua dança o amigo Filipe, um rapaz de Matosinhos com um sentido de humor fantástico (típico das gentes do norte) que com os seus movimentos como se estivesse a fazer exercícios de ginástica ou a correr (parado), sempre naqueles 50 centímetros quadrados, fazia com que ao seu redor ninguém ficasse indiferente… era uma risada geral. O que mais me intrigou na altura foi o sucesso da sua coreografia, se é que assim lhe posso chamar, junto do público feminino. Como é que aquele rapaz franzino, que dançava de forma ridícula (fala o entendido…) conseguia dominar a pista de dança e… as meninas? Ele lá sabia! Sabia que os seus movimentos atraíam a gargalhada e tinham sucesso no sexo oposto, e por isso, descomplexadamente, não hesitava um único segundo e continuava a dar o seu “show” para gáudio do pessoal. 
 

Para ser sincero, o meu relacionamento com a dança é estranho, como disse não tenho jeitinho nenhum, mas há músicas que me fazem alterar completamente a noção de equilíbrio, há músicas que me fazem apetecer movimentar-me como um louco. Se estiver em casa ou até num grupo restrito de amigos até sou capaz de fazer a malta rir um bocadinho, se for em público adopto, naturalmente o “movimento horizontal de pés, esquerda encontra direita, direita encontra esquerda”.

Depois de reflectir não só sobre o que tinha ali assistido, mas também sobre a memória, sempre viva, dos meus pais a dançarem nos bailes da Sociedade dos Artistas (eles sim bons dançarinos!), onde o meu pai (que era de tamanho pequeno) dançava agarrado à minha mãe com a cabeça encostada ao seu peito, por ser até aí que a sua estatura o levava, formando ali um cenário igualmente engraçado e igualmente descomplexado, cheguei à conclusão que era altura de parar de só bater o “pézinho” e passar àquele que até hoje utilizo e se pode assemelhar a um passo de dança, o por mim chamado “movimento horizontal de pés, esquerda encontra direita, direita encontra esquerda”. Que nome mais estranho e comprido! (nem queiram saber o nome que eu inventaria se o passo de dança fosse mais complicado). Deste modo consegui arranjar uma boa forma de colocar e movimentar ritmadamente os pés, acompanhando com clareza a métrica da música. E então as mãos? O que é que fazia às mãos? Para saber o que fazer com elas também tive os meus momentos de observação, observei todas as suas formas de movimentos e a conclusão a que cheguei é que, nada melhor que dançar com uma bebida na mão, pelo menos só temos que nos preocupar com a outra, visto que uma já fica ocupada. 
 
Ultrapassada que foi a vergonha ou o receio do ridículo, comecei a desenvolver a técnica nos bailaricos das aldeias e em algumas discotecas da região. 
 
Na irreverência dos meus 18 anos entendi deixar crescer o cabelo e, quando o mesmo já estava efectivamente grande, sucedeu comigo o impensável. Eu era talvez 50 quilos mais magro e um dia, numa tarde de domingo, num grupo de amigos, resolvemos ir a uma matiné a uma discoteca em Elvas (naquela altura ainda havia matinés, agora, sinceramente, não sei se há). Montados na carrinha Peugeot 504 do João Carlos, aí fomos nós até à discoteca “Luigi”. Até aqui nada de estranho, o estranho passou-se lá dentro quando, pouco depois de me ter aventurado na arte do “movimento horizontal de pés, esquerda encontra direita, direita encontra esquerda”, um cromo, certamente com falta de vista, me confundiu com um elemento do sexo feminino e me pediu para dançar. Naquela altura a minha reacção foi só uma: “Desaparece daqui antes que te parta os…” enfeites, para não ser malcriado. O rapazito meteu o rabo entre as pernas e, obviamente, marchou-se. Naquele dia fiquei de novo a duvidar se a minha técnica de dança já estaria suficientemente consolidada para ser exposta ao público, cheguei a pensar se a mesma seria até efeminada. No entanto cheguei à conclusão que o problema era mesmo o tamanho do cabelo, ainda assim, e porque gostava de me ver com ele comprido, não o cortei mas tomei uma outra decisão para que não voltasse a acontecer nenhum episódio semelhante, deixar crescer a barba. Deu resultado! 
 
Talvez por não perceber nada da prática de dança (sim, porque a teoria sei-a toda!) tenha insistido para que, mais tarde, as minhas filhas frequentassem aulas de ballet na Classe de Dança do Orfeão de Estremoz “Tomaz Alcaide”, pelo menos tenho a certeza que não passarão muito tempo a observar, tímida e parvamente como o pai, as danças dos outros.
 
Para ser sincero, o meu relacionamento com a dança é estranho, como disse não tenho jeitinho nenhum, mas há músicas que me fazem alterar completamente a noção de equilíbrio, há músicas que me fazem apetecer movimentar-me como um louco. Se estiver em casa ou até num grupo restrito de amigos até sou capaz de fazer a malta rir um bocadinho, se for em público adopto, naturalmente o “movimento horizontal de pés, esquerda encontra direita, direita encontra esquerda”. 
 
Bem, mas o propósito que me faz trazer este tema ao “Ardina” não é demonstrar os meus feitos ou peripécias na arte da dança. O que me faz trazer este tema é, efectivamente, enaltecer e dar destaque a todos quantos fazem da dança uma forma de vida, ainda que não profissionalmente mas que vivem a dança com intensidade e o demonstram publicamente e com uma qualidade absolutamente extraordinária através dos inúmeros grupos que vão proliferando por esse país fora. 
 
Existem inúmeros géneros de dança, a primitiva, a étnica, a cerimonial, a tradicional, a clássica, o ballet, a dança contemporânea, a dança de rua, o fandango, o flamenco, a dança teatral, o funaná, o hip-hop, o jazz, o Kizomba, o kuduro, a lambada, o samba, a polca, o folclore, o swing, a salsa, a dança de salão, o sapateado, o zumba, a dança no gelo, o break dance, a dança do ventre, de sedução, o tango, as danças africanas, orientais, enfim estaríamos aqui, seguramente, muitíssimo tempo só a falar de tipos de dança e das suas infindáveis variações. Há, de facto, alguns géneros que criam em mim algum fascínio pela sua beleza estética, como são o caso do tango ou da salsa, no entanto, noutro sentido, delicio-me com a perfeição e rigor do ballet clássico e com a liberdade criativa da dança contemporânea.
 
No próximo sábado, dia 29 de Abril, comemora-se o Dia Internacional da Dança. O objectivo da UNESCO em 1982 foi o de criar um dia que pudesse universalizar aquela arte, independentemente dos povos, das culturas, da ética, da religião ou dos sistemas políticos. 
 
Ainda que a UNESCO o não tivesse feito, teríamos sempre que reconhecer a importância da dança ao longo dos tempos, desde a pré-história, ao antigo Egipto, à Grécia antiga, à Idade Média, ao Renascimento, até mesmo aos nossos dias. De uma forma ou outra a dança revelou-se de extrema importância para a evolução do Homem, por isso mesmo há que a celebrar. Celebrar a dança é respeitar o rigor e movimentar-se entre silêncios… é revelar controlo no descontrolo… é ensinar mas também é aprender… Celebrar a dança é valorizar a expressão das emoções, dos sentimentos… Celebrar a dança é dar ao corpo a capacidade do movimento articulado ao som da música… Celebrar a dança é trazer para fora o que a alma transmite… é trazer liberdade ao som e à expressão corporal… Celebrar a dança é viver de ideias, é viver de ideais… Celebrar a dança é trazer o amor para fora… Celebremos então a dança! 
 
Da minha parte celebrá-la-ei sempre com o seguro, discreto e habitual “movimento horizontal de pés, esquerda encontra direita, direita encontra esquerda”.
* Professor Luís Parente
Modificado em sexta, 28 abril 2017 20:33

Idiotas precisam-se

sexta, 31 março 2017 12:10
A ideia hoje é falar de idiotas. Há idiotas em todo o lado, literalmente. No futebol, na igreja, no café, no espectro político, na rua, enfim, em todo o lado… mesmo! Onde quer que haja uma pessoa há um idiota. Quando falo em idiotas não falo só da forma depreciativa que o termo acarreta, falo também da maravilha da ideia. As duas palavras (ideia e idiota) diferem bastante quanto ao seu significado. De acordo com os dicionários que consultei, para tentar entender um bocadinho mais sobre os seus significados e estabelecer, de certa forma, um paralelismo, verifiquei, efectivamente, a diferença entre eles. Se por um lado a ideia nos traz palavras como pensamento, lembrança, memória e fantasia entre muitos outros, idiota leva-nos mesmo para a imbecilidade, para a estupidez, para a ignorância, para a palermice ou mesmo para a burrice. Ainda assim continuo a achar que faz todo o sentido interligar uma com a outra, sim porque há ideias aparentemente idiotas que se provaram mais que acertadas quando efectivamente provadas.
 
Inúmeras ideias que foram surgindo no decorrer dos tempos, muitas delas absolutamente geniais que acabaram por mudar os diferentes paradigmas do mundo, terão partido certamente de completas idiotices, palermices sem aparente sentido. O que é certo é que acabaram por se revelar de grande utilidade para a humanidade em determinada altura. A roda que fez com que tudo mudasse, a bússola que se revelou de extrema importância na expansão do mundo que se conhece principalmente dos séculos XV a XVII, a imprensa do alemão Johannes Gutenberg, a lâmpada eléctrica de Thomas Edison, o telefone de Graham Bell ou mais recentemente a rádio, a televisão, a internet e todo um novo mundo que se desenvolveu a partir destas e de outras supostas idiotices sem qualquer nexo.
 

Quando falo em idiotas não falo só da forma depreciativa que o termo acarreta, falo também da maravilha da ideia. As duas palavras (ideia e idiota) diferem bastante quanto ao seu significado.

Há riscos, quanto a mim, ao se ser idiota. Os riscos que se correm podem ser divididos em diferentes dimensões, a dimensão do crer (acreditar), do querer (ter vontade de), do tentar, do almejar o sucesso mas também do esbarrar no ingrato insucesso. Senão vejamos, como completo absurdo (ou não… não sabemos… ainda) eu creio que aquando da morte na Terra, o nosso ser nasce num outro planeta, um planeta com um centro gravitacional idêntico ao nosso, numa outra galáxia não de nome via láctea (que é aquela onde ainda estamos), mas uma galáxia ainda sem nome. Proponho que ela se chame “AMOR” (sim, assim mesmo em Português). Quero muito que nessa galáxia haja planetas como o nosso mas que o ciclo da vida seja inverso, como já li algures num texto muito discutido sobre a sua verdadeira autoria, ou seja, quero que a vida comece pela morte, siga para a velhice, da velhice para a vida activa, para a adolescência, posteriormente para a infância e que termine num prazeroso acto físico. Quero que nos planetas dessa galáxia viva unicamente o amor nas suas mais variadas derivações (daí o nome para a galáxia), a amizade, a partilha, a verdade, e todos os verbos, adjectivos, etc. que demonstrem positividade. No fundo o que eu quero é um mundo perfeito. Será possível? Não sei! Aqui na Terra, no nosso mundo, não me parece! Ainda que eu e muitos outros continuemos a tentar fazer dele um mundo melhor, esbarramos mais vezes no insucesso do que almejamos o sucesso. No entanto cada pequeno sucesso é uma alegria e por isso mesmo continuaremos a ser os idiotas suficientes para que, quem sabe algum dia, algum ignorante, não tenha uma ideia completamente absurda, estúpida e sem qualquer sentido que consiga mudar o rumo do mundo. Será possível? Se calhar, enquanto estivermos nesta galáxia não! Mas alguém cá ficará e, mesmo na estupidez, poderá fazer acontecer algo que muitas vezes já aconteceu, mudar isto tudo. O mundo precisa mesmo de idiotas… e de ideias!
 
Enquanto a nossa mente for efectivamente maior do que o nosso corpo… enquanto nós conseguirmos que o nosso consciente viva da persistente emoção positiva… enquanto houver estímulos químicos, eléctricos ou mecânicos que façam acontecer os impulsos nervosos para os neurónios trabalharem… enquanto tudo isto acontecer, para falar com sinceridade, ainda acredito na humanidade… nem que seja noutra galáxia!
 
* Professor Luís Parente
Modificado em sexta, 31 março 2017 12:17

Cuidar

terça, 07 março 2017 02:38
Já não é a primeira vez que trago o assunto da terceira idade ao conjunto de palavras que mensalmente escrevo, (já que alguém encontrou em mim, digamos que, uma laranja com sumo suficiente - o limão é um bocadinho o oposto do que sou - para poder escorrer linha sobre linha nesta plataforma de notícias). Resolvi então voltar ao assunto dos idosos e voltarei a fazê-lo sempre que sentir que o devo fazer.
 
Eu costumo dizer que tenho “às minhas expensas” oito velhotes com idades entre os 69 e os 89 anos. Felizmente, e ainda bem para todos, as expensas são divididas por mais pessoas. Hoje só quero falar de cinco, vou retirar desta equação a minha mãe e os meus sogros. Hoje quero mesmo é falar daquelas cinco pessoas que também foram e continuam a ser peças de importante relevância e valia no puzzle que é a minha vida. Falo orgulhosamente e com um enorme sentido de gratidão dos meus tios. Poucas vezes se fala dos tios e, da parte que me toca, acho que é da mais elementar justiça enaltecer o papel que eles sempre tiveram na construção das nossas personalidades. Quando digo nossas, falo na minha mas também na do meu irmão, que se reverá certamente naquilo que aqui escrevo. De todos retirámos ensinamentos e todos eles “plantaram penas” no nosso ser para que pudéssemos voar pelo mundo fora.
 
Para sermos o que somos, ouvimos mil e uma histórias da História de Portugal contadas quase até à exaustão e até encenadas pela sabedoria ímpar do tio António.
 

Hoje quero mesmo é falar daquelas cinco pessoas que também foram e continuam a ser peças de importante relevância e valia no puzzle que é a minha vida. Falo orgulhosamente e com um enorme sentido de gratidão dos meus tios. Poucas vezes se fala dos tios e, da parte que me toca, acho que é da mais elementar justiça enaltecer o papel que eles sempre tiveram na construção das nossas personalidades.

Para amarmos, mas também para sofrermos com o futebol, contámos com a paixão única e desmesurada de quem nos levou à bola e nos fez apaixonar por um BENFICA de dimensão inigualável, o tio Jorge fê-lo na perfeição.
 
Para conhecermos o Alentejo à nossa volta, a disponibilidade e enorme paciência do tio Zé transportou-nos de “camionete” inúmeras vezes para muitas terras à nossa volta, tudo para ficarmos a conhecer aquilo que nos rodeia. Se nos dias de hoje isto de se conhecer as terras à nossa volta pode ser considerado, de certa forma, banal, há trinta e tal anos isso afigurava-se quase como um luxo.
 
Para pensarmos mais à frente do nosso tempo terão contribuído as personalidades evoluídas e emancipadas da tia Madalena e da Helena (que não sendo tia é como se fosse… pelo menos assim a consideramos).
 
Naturalmente que nas nossas memórias não está só o que aqui mencionei como meros exemplos, no hipocampo do nosso cérebro estão e estarão um sem número de histórias, de partilhas, de vivências, de palavras e também de afectos transmitidos pelos nossos tios. Poderei reconhecer que ter tios solteiros ou mesmo casados e sem filhos, não sendo assim tão linear, pode evidenciar mais a proximidade entre todos. Ainda assim estou certo que o amor que sempre nos deram seria igualmente próximo e intenso se assim não fosse. Eu costumo dizer que à dádiva da partilha das suas vidas connosco terá sempre que haver um retorno, ou seja, esse amor transmitido por palavras ou actos terá sempre que ser retribuído nem que seja como uma forma de agradecimento, e não, não considero que seja uma obrigação, acho que é um dever retribuir esse amor.
 
Esta semana li algures numa publicação nacional que os idosos portugueses são dos mais abandonados da Europa. Segundo parece, e de acordo com dados de 2016 há mais de quarenta mil idosos a viverem sozinhos ou isolados. Será que aquelas pessoas não fizeram o suficiente durante a vida para ter alguém que pudesse CUIDAR delas numa das fases mais difíceis das suas vidas? Acredito que sim, acredito que, na generalidade, as suas consciências estarão tranquilas e que o apoio que muitas vezes lhes falta terá certamente, para os seus mais próximos, uma justificação mais ou menos plausível. Mas existe algum tipo de justificação para deixar alguém abandonado à sua sorte numa fase tão fragilizada da vida? Creio que não! Dir-me-ão que cada um tem a sua vida, os seus trabalhos e que os tempos de hoje não nos deixam margem nem tempo para CUIDAR daqueles que já foram nossos e que, assim sendo, creio, a pouco e pouco vão deixando de ser. Às vezes não basta colocá-los num qualquer lar, por muito boas que as condições sejam, por muito afecto que haja por parte das pessoas que estão na instituição, é preciso que as famílias sejam presentes, é preciso que aos idosos seja dado um motivo para quererem estar, para quererem ser, para quererem viver. Tenho para mim que quem tem o papel de cuidador tem que ter uma enorme capacidade de planeamento. Reconheço que não deve ser fácil esse papel, no entanto, há que se fazer uma reflexão intensa e ponderada para se tomar a decisão de ser cuidador de idosos, devem ser analisados com muito cuidado os prós e os contras duma decisão dessa natureza. São inúmeras as questões que têm que ser formuladas antes dessa tomada de decisão, do espaço à segurança, da mobilidade ao apoio da restante família, da conciliação da vida profissional à higiene do idoso. Ter um idoso em casa não é com certeza tarefa fácil. Felizmente as opções são algumas, da casa ao lar, do centro de dia à Universidade Sénior tudo tem que ser pensado para que o idoso consiga ter uma qualidade de vida que lhe permita fazer algo com alguma independência. Sim porque sentir-se, na totalidade, dependente deve ser o pior que lhes pode acontecer. Daí eu achar que o papel das famílias é preponderante para o bem-estar, nem que seja psicológico, já que o físico, naturalmente vai quebrando com o passar do tempo. Seja em casa, no lar ou onde quer que seja, nestas idades, eles precisam é de apoio e amor, mais do que tudo o resto. Eu costumo dizer que para percebermos o que os outros sentem devemos sempre tentar pôr-nos no seu lugar, e eu acredito que nesta fase da vida eles precisam de alguém que os oiça, que os ajude e que os ame.
 

Da minha parte, tudo farei para que aqueles que muito me deram tenham aquilo que merecem ter. Quero muito fazer valer como certa a expressão não material de “dar para receber”.É bom ouvir das minhas tias velhotas expressões como: “Oxalá quando fores velhinho também tenhas quem cuidar de ti como nos fazes a nós!” ou “És um anjinho que caíste nas nossas vidas”.

Nestes dias, por motivo de saúde de um dos tios, tive que me deslocar ao Hospital de Évora por dois dias. Certamente muitos dos leitores já terão tido, por uma razão ou outra, essa experiência da espera de resultados num qualquer hospital. O que eu observei naqueles dias deixa-me, por um lado esperançoso no futuro da medicina mas por outro triste. Se por um lado observei mais humanidade nos profissionais de saúde com quem lidei, destaco as duas médicas de tenra idade que tudo fizeram para nos dar respostas, agindo profissionalmente de forma humilde e carinhosa para com os doentes, afastando de mim o pensamento de sobranceria que muitas vezes vejo recair naquela classe, por outro lado verifiquei que o número de profissionais é claramente insuficiente para que não surjam as habituais reclamações de tempo de espera.
 
A propósito do apoio das famílias aos idosos, durante o tempo que estive nas urgências do Hospital de Évora, houve uma coisa que me chocou, ver uma idosa, seguramente com mais de oitenta anos, talvez mesmo próxima dos noventa, completamente desorientada e aparentemente esquecida pela família, perguntando incessantemente pela condição do seu marido que estaria no interior das urgências e entrando e saindo do local inúmeras vezes procurando também no exterior o apoio familiar que tardou (várias horas), sabe-se lá porquê, em aparecer. Tenho a certeza que aquelas horas terão parecido dias para aquela senhora. É certo que, no interior, muitas pessoas se aperceberam do seu desnorte e se disponibilizaram para a ajudar, mas aquela falta de apoio familiar, que com certeza teria uma justificação, tocou-me de sobremaneira.
 
Da minha parte, tudo farei para que aqueles que muito me deram tenham aquilo que merecem ter. Quero muito fazer valer como certa a expressão não material de “dar para receber”.
 
É bom ouvir das minhas tias velhotas expressões como: “Oxalá quando fores velhinho também tenhas quem cuidar de ti como nos fazes a nós!” ou “És um anjinho que caíste nas nossas vidas”. Já lhes disse milhares de vezes que não aceito obrigados. Eu é que tenho que lhes agradecer, a todos, aquilo que sou. Com eles, até onde puder ajudar, cá estarei. Quando não puder pelo menos uma coisa eu sei, presente sempre estarei, nem que seja só para os amar… podem ter a certeza!
* Professor Luís Parente
Modificado em terça, 07 março 2017 02:47

Mais ou menos um poema

domingo, 12 fevereiro 2017 12:44
Gosto de verbos! Gosto de os conjugar, 
de brincar com eles, de os entrelaçar noutros, 
gosto que o verbo me agarre e me sujeite ao significado, que me empurre e derrube no tempo…
gosto de, com eles, fazer misturas como se de tintas numa tela se tratassem… 
gosto de ver neles submissão, mas também ditadura (como se uma palavra e outra não estivessem intimamente ligadas…)…
gosto quando o verbo me dá tudo e quando nada me traz …
gosto dos regulares, dos irregulares…
gosto deles no passado, no presente e mais ainda no futuro…
gosto quando o cantar traz o dançar, quando o comer traz o prazer, quando o saber traz o lugar…
gosto quando o verbo ir me leva incerteza, quando arriscar me obriga à coragem…
gosto de gostar que o amar traga o sonhar, que o desejar traga o amar
gosto de ver nos verbos os sentidos… gosto de os observar, de os cheirar, de os saborear, gosto não só de lhes tocar mas também de os ouvir
gosto deles em português, em inglês, em espanhol, francês, italiano e até alemão, e só não gosto em japonês porque a minha língua não me levou tão distante…
gosto quando o dar me leva a mim, quando o kiss vem com o beijo, quando ao reír se segue a gargalhada ou até quando o avoir traz a coisa, quando o sentire traz o coração e quando o haben vem com a saúde…
gosto sempre que o abraçar traga o sorrir e que nascer traga o crescer
gosto que no divertir esteja o saltar e no ajudar o merecer
gosto de beijar só por beijar, de namorar sem hesitar
gosto da junção do criar com o surpreender e do imaginar sem limitar
gosto do cozinhar sem o esturrar e do beber sem o tombar
gosto que no desfrutar esteja a amizade e nela o partilhar…  
gosto de chorar só com o rir e de pensar sem me obrigar
gosto de me passar com o golo e de enlouquecer com a vitória…
gosto de observar o luar, de contemplar o pôr do sol, de analisar o desenho das nuvens, de desenhar o que vejo no emaranhado de ramos de uma árvore despida…
gosto de dormir sobre um sonho de cheiro a mar e nesse mar encontrar respostas a para tudo o que me incomodar
Mesmo com o adjectivo, o substantivo, o advérbio ou o pronome por perto, gosto que o verbo seja verbo… Há até palavras que não são verbos mas que eu gostava que fossem… Saudade, por exemplo, não sei porquê mas gostava que saudade fosse um verbo, não imagino sequer como se conjugaria…
Mas… há verbos e verbos, para mim gosto dos bonitos mas se bonitos não são, talvez não goste deles não…
não gosto do sofrer muito menos para morrer, do perder para a seguir se ganhar
não gosto do chover junto com o trovejar, do escutar sem opinar, do cair e magoar
não gosto do correr para cansar nem do ocultar para não assumir
quase nunca gosto de ver nos verbos o levar para nunca mais trazer, o fazer sem a acção, o roubar sem o prender
não gosto do gritar sem o escutar, do obedecer sem questionar, do escaldar até queimar…
não gosto do hesitar sem decidir, do dividir para reinar nem do ingrato esquecer
gosto de acreditar, de estar, de ficar, de entregar… gosto de me emocionar, de proteger, de acompanhar, de estimular, de querer, de confiar… gosto de estimar, de respeitar, de apreciar, de entender, de ter, de oferecer… mas fundamentalmente gosto de gostar, de amar, de sonhar, de viver e gosto mesmo muito de ser… o que seria o Ser sem ser?
Felizmente são mais os verbos que gosto do que aqueles que não gosto… dependendo da perspectiva muitos dos que gosto não gosto e dos que não gosto, gosto. 
No fundo… eu gosto mesmo é de verbos, pronto!
* Professor Luís Parente
Modificado em domingo, 12 fevereiro 2017 16:51