sexta, 18 agosto 2017

O "Improvável" aconteceu no Casino

Escrito por sexta, 09 junho 2017 02:16
Lisboa, Casino Estoril. O Salão Preto e Prata encheu devido a um estremocense que, ainda por cima, dá-me a honra de ser meu amigo. Figuras públicas não faltaram e grandes músicos também não. Desta vez, foi o Nuno da Câmara Pereira, o Rodrigo, o Toy, o Tozé Brito, o António Pinto Basto, entre outros, que foram ver o Zé. O Zé gravou, em tempos, um disco em Estremoz e tirou uma foto encostado ao Arco de Santarém. "Já é cantado na Madeira ou nos Açores, o nosso Fado vai correndo Portugal", cantava o Zé na altura, sem saber que um dia iria encher este emblemático Salão e de facto percorrer Portugal com a sua música.
 
Há uns anos atrás, quando bebiamos um café às 9 horas na nossa Rádio Despertar, o Zé disse-me que tinha uma proposta para ir para Lisboa. Eu, sem hesitar, disse-lhe: "Vai. Há comboios que só passam uma vez". Disse isto e acreditei que este era o melhor conselho para um amigo. Não havia muito a pensar. O Zé tinha que estar ainda mais perto do "meio" onde tudo se passa. Ao pé do lume é que dá para nos aquecermos como deve de ser e só indo "para lá" ele estaria mais perto de todas as oportunidades.
 
O Zé, sei eu, não consegue ser mais um. Ele chegou e marcou a sua posição. Não se limitou a fazer os seus programas na Rádio Amália e a cantar de vez em quando. Começou a estar ainda mais perto dos amigos do meio, fez televisão, escreveu e compôs, mostrou bem ao que vinha. O Zé não deixou a "sua" Torre de Menagem só porque sim. 
 
O Zé, no Casino Estoril, cantou acompanhado pelo Ângelo Freire, que talvez seja o melhor na Guitarra Portuguesa. Cantou acompanhado pelo Júlio Resende que é "só" o pianista que ganhou a Eurovisão com o Salvador Sobral. Estava no palco, a noite era dele, mas não se esqueceu de onde veio. Agradeceu à Rádio Despertar, a Estremoz, aos estremocenses, aos amigos que o foram ver. Chamou para cantar aqueles que no início da sua carreira lhe deram a mão: Nuno da Câmara Pereira, Silvino Sardo, Rodrigo e António Pinto Basto. Chamou, para cantar consigo, outro Zé. Fez ao Zé Luis Geadas, aquilo que lhe fizeram em tempos e deu-lhe a oportunidade de mostrar o seu valor num palco destes e num acontecimento desta natureza.
 
Havia surpresas...e que surpresas. Ana Moura fechou a noite cantando com o Zé a "Maldição". Que luxo! A Ana Moura foi também, aí, anunciada como madrinha de um projeto solidário que o Zé apresentou e que vai angariar verbas para a Pediatria do IPO. Aqui, a expressão "Fechar com chave d'ouro" assenta que nem uma luva. 
 
Estive numa noite em que, sem dúvida, houve empatia entre público e artistas. Uma noite que tinha tudo para ser "Improvável" e foi mesmo. O "Improvável", o tal disco que foi apresentado nesta noite, é um sonho do Zé mas também uma maneira de celebrar a música. Um disco apenas ao alcance de quem escreve letras e compõe músicas como o Zé o faz.
 
O Zé, o tal que saiu de Estremoz um dia em busca de uma valorização profissional e também pessoal, está no melhor momento da sua carreira. Goste-se ou não do seu feitio e da sua maneira de estar ou até de cantar, o Zé é aquilo que todos vemos e ouvimos. Sabe de onde vem, sabe para onde vai e sabe bem qual é o caminho que deve seguir para chegar aos seus objetivos. Aconteça o que acontecer, há algo que já ninguém lhe vai tirar: o brilho nos olhos que todos vimos no Casino Estoril.
* Jornalista José Lameiras
 

A Lição do Salvador

Escrito por sexta, 12 maio 2017 10:05
O Salvador Sobral deveria ser, para todos, um exemplo. Não por ser perfeito, porque isso não existe, nem por cantar melhor do que os outros. O Salvador deveria ser um exemplo pela sua história e pela sua forma de encarar a vida.
 
A vida é feita de sonhos e objetivos. Todos deveremos ter algo para fazer e algo para sonhar. Os sonhos serão impossíveis para quem não sonha e para quem não trabalha para que eles se realizem. O Salvador Sobral, é apenas um jovem que decidiu rapidamente qual o caminho que queria e dele nunca se desviou um milímetro. Sonhou com este momento, foi à luta, ouviu muitas vezes a palavra "não", mas isso não fez com que desistisse.
 
Teria sido mais fácil, para o Salvador, ser diferente. Seria mais fácil ser como os outros e pensar numa personagem. Nada disso. Convicto de que a genuídade é, também, uma virtude, Salvador tem sido igual a si próprio e assumiu os riscos disso mesmo. O seu "estilo", a sua maneira de cantar e falar, de estar em palco completamente descomprometida com o "parece bem" ou "parece mal", passa ao lado da crítica estrangeira, de quem gosta da música e de música, e apenas o seu talento é julgado. Parece simples, não é? Mas, por cá, não.
 

Ouvimos o Salvador falar e tudo parece mais simples. No "Alta Definição" da SIC, Salvador disse isto: "Tenho muito mais coisas boas do que más. Esta doença que eu tenho é o único problema que eu tenho na minha vida" . Ouvi-lo, faz-nos pensar que somos nós que, grande parte das vezes, complicamos as coisas. Somos nós que valorizamos demais aquilo que não tem importância e desvalorizamos o que é essencial.

 
Salvador é genuíno mas não é rebelde. Não é aquele, desculpem a expressão, "gajo" que diz que ser diferente é que é "fixe" e os outros são todos uns "totós". Nada disso. Quem se atreveria, em pleno Festival da Eurovisão, a gritar "LINDOOO" durante a sua música? Pois, ele sente o que canta e, digo eu, a forma como canta a sua música leva a que mesmo quem não conheça uma palavra de Português entenda o sentimento que o cantor coloca na sua voz. É como os estrangeiros nas Casas de Fado em Portugal, não entendem uma palavra, mas também não precisam.
 
Salvador deu-nos uma lição a todos. Seja qual for o resultado no próximo sábado, os portugueses voltaram a ter orgulho numa canção no Festival da Eurovisão. O país voltou a ver este evento. Quantas pessoas em Portugal se lembram dos representantes portugueses dos últimos anos? Eu, que até trabalho numa rádio, nem me lembrava que Portugal não tinha participado no ano passado e do nome da nossa representante em 2015. Tive que ir pesquisar na internet. Tivemos, de facto, boas prestações em 2008, 2009 e 2010, anos em que estivemos na final. Agora, neste caso, a diferença é que, fique onde ficar, o Salvador já tem o mérito de colocar os portugueses a falar sobre a Eurovisão, mesmo que possamos dizer que as redes sociais tenham dado uma grande ajuda.
 
Ouvimos o Salvador falar e tudo parece mais simples. No "Alta Definição" da SIC, Salvador disse isto: "Tenho muito mais coisas boas do que más. Esta doença que eu tenho é o único problema que eu tenho na minha vida" . Ouvi-lo, faz-nos pensar que somos nós que, grande parte das vezes, complicamos as coisas. Somos nós que valorizamos demais aquilo que não tem importância e desvalorizamos o que é essencial. Ele, ao contrário de muita gente, é aquilo que vemos e que ouvimos. É um rapaz simples e, também, um simples rapaz. É genuíno e, como se costuma dizer agora, "sem filtros".
 
Não deve ser um Ídolo, apesar de ter concorrido ao programa com esse nome. É, simplesmente, alguém que faz questão de ser puro, goste-se ou não, e de lutar por aquilo em que acredita. Não é politicamente correcto e nem o quer ser. É educado, bem formado, mas real. Tem outro grande mérito. Digo eu, que é o facto de ter feito, precisamente, muitas pessoas mudarem de opinião. Infelizmente, para muitos portugueses, foi preciso ouvirem a crítica internacional para aceitarem o seu valor e a sua qualidade. É triste, eu sei, mas é mesmo assim.
 
* Jornalista José Lameiras

O Futebol dos Campeões Europeus

Escrito por quinta, 13 abril 2017 14:41
Fomos Campeões da Europa e pouco aprendemos. Aliás, não aprendemos nada e agora continuamos a ser notícia, lá fora, mas pelas piores razões. No país Campeão, há um constante clima de suspeição em relação à arbitragem. As nomeações dos árbitros, semana após semana, entram na ordem do dia e parecem ser mais importantes que a preparação das equipas. São analisados, até à exaustão, os erros dos árbitros e estes rapidamente se transformam nos maus da fita.
 
No país que é Campeão Europeu, foi "montada" uma claque de apoio à Seleção, em que o seu rosto mais visível é o chefe da claque dos "Super Dragões" e que têm recebido, por esse mundo fora, medalhas de bom comportamento. A uma semana do clássico da Luz, a claque organizada e apoiada pelo FC Porto esteve no Estádio da Luz a apoiar a equipa da casa. Parece confuso? Não, é o Futebol Português. Seria até bonito se tudo fosse normal e se vivesse o futebol e o desporto de outra forma. Na realidade atual, e com estes protagonistas, só poderia dar no que deu: cânticos despropositados e ambiente hóstil, num jogo importante da Seleção de Portugal, a tal que foi campeã.

 
No país Campeão Europeu, os Diretores de Comunicação dos clubes grandes têm protagonismo. Aqueles que deveriam ser os responsáveis pela comunicação e imagem do clube, fazem questão de ser protagonistas e de, eles próprios, entrarem na guerra de palavras. Não basta os presidentes, jogadores, claques e treinadores, agora também toda a gente sabe os nomes dos Diretores de Comunicação.
 
No país Campeão Europeu, os árbitros têm medo de apitar certos clubes dos Distritais. Ou seja, em início de carreira, certos árbitros já têm medo e não sabem o que pode acontecer durante um jogo. O que falta para existirem punições severas para quem agride, tanto na justiça desportiva como na justiça cívil? O que pensarão os jovens árbitros quando vêm adeptos "visitar" o Centro de Estágios dos seus ídolos?
 

No país Campeão Europeu, não há adversários, há inimigos. Os adeptos não gostam de futebol, gostam sim do seu clube e querem que ele ganhe, seja de que maneira for. Os próprios adeptos, são levados para estas brigas por quem, tendo muita responsabilidade, faz questão de manter o clima tenso e de constante guerrilha. Interessa é ganhar e o inimigo perder, seja no futebol, no andebol, no ténis de mesa ou até no berlinde. Estas constantes guerras de palavras, e que felizmente ainda são só de palavras, fazem com que se cultive ódio pelo inimigo e pouco respeito pelo adversário.

No país Campeão Europeu, demora uma enternidade, numa competição profissional, a ser analisado um caso que escapou ao árbitro. Também neste país, são outros clubes que não estiveram no jogo em questão a realizar as queixas. Por falar em queixas, neste país, há quem ache que os árbitros se vendem por uns jantares e uma camisola. 
 
No país Campeão Europeu, os jornalistas são vistos como "queridos inimigos". A ideia que passa é que são deste e daquele clube e por isso escrevem isto ou aquilo. Se escrevem a nosso favor, são os maiores e isentos. Se lemos algo de que não gostamos, é porque são deste ou daquele clube e não conseguem disfarçar. Só quem está completamente fora da realidade, ou com más intenções, é que pode dizer que um jornalista veste a camisola de um clube quando está a trabalhar. Neste mesmo país, os comentadores de futebol recebem "cartilhas orientadoras". Seria, digo eu, muito útil se fossem esclarecimentos eficazes. Ataques aos "inimigos", bastam, e sobram, os que já existem.
 
No país Campeão Europeu, uma claque organizada e apoiada pelo seu clube dá-se ao trabalho de entoar cânticos onde mistura tragédias com futebol, para assim demonstrar ódio ao rival. Neste mesmo país, antes de um clássico, é lançada confusão com os bilhetes e colocadas em causa questões de segurança de quem apenas quer ir "ver a bola".
 
No país Campeão Europeu, não há adversários, há inimigos. Os adeptos não gostam de futebol, gostam sim do seu clube e querem que ele ganhe, seja de que maneira for. Os próprios adeptos, são levados para estas brigas por quem, tendo muita responsabilidade, faz questão de manter o clima tenso e de constante guerrilha. Interessa é ganhar e o inimigo perder, seja no futebol, no andebol, no ténis de mesa ou até no berlinde. Estas constantes guerras de palavras, e que felizmente ainda são só de palavras, fazem com que se cultive ódio pelo inimigo e pouco respeito pelo adversário. 
 
Depois, levamos certos "banhos" de fair-play como aconteceu no caso do Dortmund com o Mónaco. Partilhamos logo no Facebook e aplaudimos. Passado pouco tempo, já estão uns a gritar que o "Avião da Chapecoense deveria de ser o do Benfica". 
 
* Jornalista José Lameiras

"Amada Rádio"

Escrito por segunda, 13 fevereiro 2017 16:13
Escrevo este texto no Dia Mundial da Rádio. Geralmente este tipo de dias apenas serve para lembrar que há coisas que existem e de que todos gostamos muito... mas só neste dia. Com a rádio, não é assim. A rádio é todos os dias acarinhada, ouvida, mimada. Os ouvintes adoram a rádio. A rádio é a companhia de muita gente que está só. Mesmo onde a televisão chega em perfeitas condições, geralmente há sempre um rádio que está ligado grande parte do dia, nem que seja para que a casa tenha "som". 
 

No ano passado, neste mesmo local, escrevi sobre a "Magia da Rádio". Não me canso de escrever sobre a rádio. A rádio tem-me dado muito. Faço o que gosto, sei que não falo sozinho e que por vezes escolher a música ou a palavra certa pode mudar, para melhor, o dia de alguém. "Escolhe um trabalho de que gostes e não terás de trabalhar nem um dia da tua vida". Eu não escolhi a rádio, foi ela que me escolheu a mim. Foi ela que me agarrou ainda antes de eu saber que esta seria a minha profissão. 
 
Até parece que me soa mal quando digo que a rádio é a minha profissão. A rádio é uma das minhas paixões, é um dos meus amores. Fala-se no "bichinho da rádio", esse que morde uma vez e deixa marcas para toda a vida. Esse "bicho" existe mesmo, porque quem faz rádio uma vez parece que fica "contaminado" para a vida inteira. A rádio é a tal "escola" de que tantos comunicadores falam. Quando conseguimos manter as pessoas "coladas" ao rádio, apenas usando a palavra, estamos preparados para muitas outras coisas ao longo da nossa vida. 
 
Em 2016, em média, cada português ouviu três horas de rádio por dia. A faixa etária que mais ouve rádio, em Portugal, é a que se situa entre os 25 e 44 anos. São dados que nos deixam esperança para o futuro, sendo também verdade que todos percebemos que a rádio está de boa saúde e tem um lugar especial na vida dos portugueses. Todos nós ouvimos rádio mesmo porque gostamos, ouvimos rádio porque faz parte da nossa vida. 
 

Até parece que me soa mal quando digo que a rádio é a minha profissão. A rádio é uma das minhas paixões, é um dos meus amores. Fala-se no "bichinho da rádio", esse que morde uma vez e deixa marcas para toda a vida. Esse "bicho" existe mesmo, porque quem faz rádio uma vez parece que fica "contaminado" para a vida inteira.

Os ouvintes confiam na rádio. Os ouvintes sabem que o que ouvem na rádio é verdade e estabelecem afinidades com quem fala para eles. Isto é dificil explicar, mas é mesmo assim. Os ouvintes adoram vir à rádio, adoram conhecer quem com eles fala todos os dias, adoram participar, adoram dizer qualquer coisa e assim encurtar distâncias. Há rádios com mais ouvintes e outras com menos, é mesmo assim. Mas basta estar uma pessoa "do outro lado", para já valer a pena.
 
O Dia Mundial da Rádio não serve para recordar as pessoas de que existe a rádio. Isso não é preciso. Serve sim, para que a rádio seja ainda mais acarinhada neste dia, para que os ouvintes participem ainda mais e para que nós, aqueles que damos voz à radio, aproveitemos para agradecer tudo o que ela nos tem dado e tem permitido viver. 
 
Eu estou grato, e muito, a ti, "amada rádio".

A culpa é sempre dos mesmos

Escrito por quinta, 12 janeiro 2017 12:13
Como costumo dizer, o futebol é sempre um bom espelho da sociedade. Nem toda a gente gosta, é um facto, mas toda a gente acaba por ter uma opinião, umas vezes mais fundamentada que outras. Os árbitros, ou as equipas de arbitragem, são e serão sempre os "elos" mais fracos da cadeia. É caso para dizer que sobra sempre para eles e a sua margem de manobra é sempre curta e até por vezes nula. 
 
Para isso, têm sido pensadas muitas soluções para acontecer "a verdade desportiva" de que tantos falam. No Campeonato do Mundo de Clubes, a experiência com o vídeo-árbitro foi muito útil, na minha opinião, para confirmar que tal inovação não cabe no futebol. A ideia até poderia ser boa mas o facto é que o jogo não pode, ou não deve, parar para se decidir um lance pela televisão...e ainda por cima a decisão ser errada. Todos nós já vimos jogos em cafés ou em casa com amigos e num lance duvidoso, após dez repetições, ainda se mantém a dúvida e a discussão sobre se de facto foi ou não falta. Se por um lado sou um defensor do chip dentro da bola para acabar com dúvidas sobre a linha de golo, sou totalmente contra o vídeo-árbitro pois só vai servir para tirar ritmo ao jogo e para criar ainda mais polémica.
 

São raros os casos em que ouvimos "jogámos mal" ou "poderiamos ter feito muito mais". Não me lembro mesmo de ter ouvido algum dia um treinador dizer: " Errei nas alterações que fiz e não montei bem a equipa para este jogo" ou  "não estava preparado para esta equipa e acho que tenho ainda de trabalhar muito para ser um bom treinador". Geralmente, a culpa é sempre de "certas coisas que aconteceram no jogo e que nos têm prejudicado semana após semana" ou "daquele lance duvidoso que fez com que perdessemos o jogo".

O erro faz parte do futebol. No futebol, e também nas outras modalidades, erram os árbitros, os jogadores, os treinadores. Erra toda a gente e, acreditem, os adeptos mais indignados errariam muito mais que aqueles que têm a responsabilidade de decidir em segundos um lance polémico. Já imaginaram o que é estar, por exemplo, a "tirar foras de jogo" quando uns jogadores correm para um lado e outros para outro? Pois, alguém já se insurgiu contra um jogador que tem "jeito" especial para enganar os árbitros? Claro que não, a culpa é dos árbitros que passam o tempo a ser enganados.
 
Eu tenho uma teoria em relação a isto. Em Portugal, por exemplo, os três chamados "grandes", não podem, nem devem, atribuir ao árbitro uma derrota perante uma equipa, considerada, mais pequena. Mesmo existindo lances duvidosos, e há sempre para os dois lados, os orçamentos e as condições deveriam obrigar os protagonistas a olharem para o que de facto correu mal sem apontarem logo o dedo à equipa de arbitragem. Os jogos demoram 90 minutos e é tempo mais que suficiente para que um "grande" assuma a responsabilidade do jogo e marque golos a um "pequeno". Isto é, claro, a teoria, pois na prática não funciona assim e o futebol não é uma ciência exacta. Durante o jogo, há várias condicionantes que podem mudar o rumo dos acontecimentos, como por exemplo a motivação de cada equipa e a competência dos seus jogadores nas alturas decisivas. 
 
Com isto, quero eu dizer que acho "curto" quando o discurso, após um resultado negativo, é sempre para apontar o dedo aos árbitros e levantar desconfianças. Eu sei que vivo num país em que aconteceu um processo chamado "Apito Dourado" e as escutas estão no Youtube. Eu também já disse várias vezes entre amigos que o meu clube foi roubado e que é uma vergonha isto ou aquilo. Isto é futebol e faz parte da paixão que os adeptos têm pelo jogo. É perfeitamente normal que num jogo, levados pela emoção, os adeptos critiquem os árbitros e os dirigentes lhe peçam explicações. Acho mesmo, que isto alimenta o futebol, até ao ponto em que a discussão é civilizada.
 
São raros os casos em que ouvimos "jogámos mal" ou "poderiamos ter feito muito mais". Não me lembro mesmo de ter ouvido algum dia um treinador dizer: " Errei nas alterações que fiz e não montei bem a equipa para este jogo" ou  "não estava preparado para esta equipa e acho que tenho ainda de trabalhar muito para ser um bom treinador". Geralmente, a culpa é sempre de "certas coisas que aconteceram no jogo e que nos têm prejudicado semana após semana" ou "daquele lance duvidoso que fez com que perdessemos o jogo".
 
É claro que os árbitros não estão imunes à crítica. Na vida, e em todas as actividades, todos temos de as aceitar. Alguns são profissionais e não estão acima de críticas, desde que civilizadas e nos locais certos. No entanto, devem estar acima de ofensas e ameaças pessoais, de serem perseguidos e de verem exposta a sua privacidade. Isto, além de cobarde, é crime. 
 
* Jornalista José Lameiras

Um dia, poderá ser bem pior

Escrito por sábado, 19 novembro 2016 15:35
Tratamos, hoje em dia, as coisas com muita descontração. Quem utiliza as redes sociais com frequência, rapidamente discordará da primeira afirmação deste texto. Abrimos o Facebook, por exemplo, e todos têm uma opinião. Muitos se atropelam para serem os primeiros a criticar e a dizer que isto ou aquilo se devia fazer desta ou de outra maneira. Depois, fora do ecrã, a conversa é outra.
 
Quantos dos que criticaram a eleição de Trump, na América, vão votar em Portugal quando há eleições? Quantos conhecem claramente as ideias e intenções do novo presidente americano? Quantos acompanharam toda a campanha e não têm a opinião formada apenas por aquilo que nos chegava já filtrado? Quantos criticam apenas por ver os outros criticar? 
 
Eu não conheço bem o programa de Donald Trump, tal como não conhecia o de Hilarry Clinton. Se tivesse que votar na América, escolhia Clinton e nem sei bem explicar porquê. Talvez tivesse sido influenciado pela campanha que foi feita para a vitória de Hillary ou talvez não simpatize mesmo com a postura de Trump e com algumas das suas ideias disparatadas. 
 

...quem somos nós, que já elegemos em Portugal vários "artistas", para agora dizermos que os americanos estão ou são malucos? Nós vivemos num país onde o "Tino de Rans" teve 150 mil votos. Com todo o respeito que o Vitorino Silva merece, ficámos a saber que em Portugal há cerca de 150 mil pessoas que gostavam que o "Tino de Rans" fosse Presidente da República.

O que é certo é que Donald Trump ganhou. Ganhou porque quem quis a sua vitória foi votar e mobilizou-se para que outros votassem. Dito assim, até parece fácil. Viver em democracia é isto mesmo. Apesar de Hillary ter mais votos na urna, manda o sistema eleitoral que assim seja. Contra tudo e quase todos, Trump ganhou.
 
E ganhou porquê? Ganhou porque alguém votou nele. Trump é o exemplo do que hoje muitas vezes acontece em muitas eleições em muitos países. Lançam-se candidaturas que parecem "mortas" à nascença, seja pela opinião pública ou até pelos mais altos entendidos, mas depois toda a gente se esquece que é preciso ir votar. Eu, de um modo geral, confio em sondagens. No entanto, parece que cada vez mais elas são desmentidas no dia do acto eleitoral. Há candidatos vitoriosos antes do "jogo" começar e muitos possíveis derrotados. Depois, mandam as máquinas de mobilização e de contra-informação. Muitas vezes, o jogo vira-se e o fetiço atinge mesmo o feiticeiro.
 
Fiquei muitas vezes incrédulo a ouvir certos discursos de Donald Trump. No entanto, quem somos nós, que já elegemos em Portugal vários "artistas", para agora dizermos que os americanos estão ou são malucos? Nós vivemos num país onde o "Tino de Rans" teve 150 mil votos. Com todo o respeito que o Vitorino Silva merece, ficámos a saber que em Portugal há cerca de 150 mil pessoas que gostavam que o "Tino de Rans" fosse Presidente da República.
 
Olho para Trump como um produto da nova sociedade para a qual caminhamos, onde o "parecer" se torna bem mais importante do que o "ser". Este estado de coisas, onde o desinteresse político é preocupante e onde o populismo se instala rapidamente, é que faz eleger Trump's. A comunicação social tem aqui muita responsabilidade. Este é o veículo que leva as mensagens e que, naturalmente, forma opinião. A tal opinião, que ridicularizava Trump e que chegou a preconizar um passeio para Clinton. A candidatura do bilionário, na parte inicial, nunca foi levada muito a sério e esse foi, para mim, o seu grande trunfo.
 
O resultado é uma lição. É uma lição que não deve ficar só na América. É que, um dia, poderá ser bem pior.
 
* Jornalista José Lameiras

O Sonho da Carolina

Escrito por quarta, 26 outubro 2016 23:41
O ano de 2016 ficará para sempre marcado na história do futebol português. Depois do título no Europeu de Futebol em França pela equipa masculina, agora acontece este apuramento para o Europeu Feminino. É difícil perceber a dimensão deste feito mas é fácil perceber o que isto pode significar.
 
É difícil perceber a dimensão do feito pois em Portugal, e está é uma verdade incontornável, só há bem pouco tempo se começou a dar importância ao Futebol Feminino. Até pode não ser ainda a importância justa, mas o caminho está a fazer-se e as condições, para as meninas que querem jogar futebol, estão a aumentar. Braga e Sporting, sendo dois dos maiores clubes portugueses ao nível do futebol, já deram o exemplo e formaram equipa feminina. Belenenses e Estoril também aceitaram o convite endereçado aos emblemas da Liga NOS e fizeram o mesmo, juntando-se assim ao Boavista que já tinha futebol feminino. Benfica e Porto, pelo menos, deveriam fazer o mesmo. A criação da Liga de Futebol Feminino foi uma grande ideia e um passo decisivo rumo à tão desejada evolução. Este feito, da Seleção, é ainda maior se nos lembrarmos que nem todas as internacionais são profissionais. Muitas das jogadoras até jogam no estrangeiro, e em ligas competitivas como a Inglesa, Espanhola ou Sueca, o que prova a sua qualidade. Não é de espantar, pois, que tal como no futebol masculino a seleção tenha muitas jogadoras que jogam fora de Portugal. Até aqui, muitas delas eram desconhecidas do grande público mas agora tudo mudou. O jogo desta última terça-feira, foi o programa mais visto na televisão entre todos os canais do cabo. 
 
É fácil perceber o que isto pode significar. No dia seguinte, o Record, e muito bem, fez capa com este feito. O Futebol Feminino saiu um bocado da sombra e este é o maior retorno deste feito e que é preciso aproveitar. No seu Facebook, Carolina Mendes, a ilustre estremocense que foi uma das pedras fundamentais para este sucesso, falava num "sonho realizado", um sonho que era destas jogadoras e de tantas outras que passaram pela Seleção de Portugal, assim como de treinadores e dirigentes. 
 

Há muito tempo que o Futebol Feminino precisava disto e sonhava com isto. Carolina Mendes, é um bom exemplo da luta que foi travada. A perseguir o seu sonho e a sua ambição, já jogou em Espanha, Itália, Rússia e agora está na Suécia. Não se resignou e, é claro que também fruto da sua qualidade, tem aproveitado as oportunidades... e, Carolina, os estremocenses estão muito orgulhosos de ti.

Há muito tempo que o Futebol Feminino precisava disto e sonhava com isto. Carolina Mendes, é um bom exemplo da luta que foi travada. A perseguir o seu sonho e a sua ambição, já jogou em Espanha, Itália, Rússia e agora está na Suécia. Não se resignou e, é claro que também fruto da sua qualidade, tem aproveitado as oportunidades. Também nesse texto no Facebook, Carolina esclareceu: "Para quem está fora do país como eu, questionamo-nos muitas vezes se vale a pena abdicar da família, dos amigos, do nosso país, tudo pelo prazer de jogar futebol e não, não ganhamos milhões nem milhares...uns 'trocos' para quem sacrifica tanto por puro prazer ou simplesmente para ser melhor". Está tudo dito e, Carolina, os estremocenses estão muito orgulhosos de ti.
 
O Sonho da Carolina, é um sonho de muitas meninas e meninos que andam por esses campos ou pavilhões. É o desporto no seu estado mais puro, é o desejo de se fazer o que se gosta verdadeiramente e de ir conquistando objectivos. Parece pouco, mas não é. Muitos desses sonhos ficaram por realizar pois, naturalmente, muitos e muitas voltaram para trás. A Carolina, e as suas colegas, olharam em frente, não aceitaram os prognósticos pouco animadores e lutaram até ao fim. Elas acreditaram...e isso fez toda a diferença. Graças a esta geração, o Futebol Feminino em Portugal nunca mais será o mesmo.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 

E se um dia, simplesmente, acabar?

Escrito por sexta, 23 setembro 2016 08:14
Em 30 de janeiro de 2002, quis o destino que o Benfica tivesse de vir a Estremoz disputar a 3ª eliminatória da Taça de Portugal de Hóquei em Patins. O Pavilhão, como se esperava, ia rebentando pelas costuras. Os bilhetes, que custavam três euros, "voavam" e não chegavam. Só quem viveu essa noite pode mesmo comprovar que o nosso enorme pavilhão foi pequeno para tanta gente. 
 
O Benfica tinha uma das melhores equipas de sempre. Panchito era considerado o melhor do mundo, o mais habilidoso. Mas havia mais, muito mais. Além do astro argentino, estava também o seu irmão Mariano, Gaidão, Luís Ferreira, Fortunato, Miguel Dantas, Ricardo Pereira, na baliza Zé Carlos e no banco Carlos Dantas. Atenção, que estamos a falar de campeões do mundo e do melhor que Portugal já teve. Além de todos estes, por lesão de Alan Fernandes, foi chamado um júnior que tinha sido formado em Estremoz, Pedro Gomes.
 

Quando comecei, bem novo, a ir ver hóquei, via as bancadas do pavilhão compostas e um ambiente que era infernal para quem nos visitava. Fazíamos claque com bandeiras e tudo. Era o público que muitas vezes ganhava os jogos empurrando a equipa para a frente e desconcentrando os adversários. Em dia de hóquei, até se sentia uma atmosfera diferente em Estremoz.

Foi uma noite histórica. Lembro-me que entrámos bem no jogo e que o Rúben, o nosso guarda-redes, fez uma exibição sensacional. O Vasco marcou um "golão" que fez tremer as bancadas e o Rui Mata outro. Vibrava-se como nunca naquele pavilhão. Ao intervalo, 2-2 e uma meia-surpresa já conseguida. Na segunda metade do jogo, como se esperava, vieram ao de cima os mais fortes argumentos do Benfica e a goleada aconteceu por 11-2. Tudo normal e para a história uma exibição bastante digna e competitiva da equipa de Estremoz.
 
Antes do jogo, confidenciaram-me, foi este mais ou menos o discurso do Carlos Dantas, no balnerário do Benfica: "Meus amigos, atenção que isto não são favas contadas. Vocês vão jogar numa terra de hóquei e onde as pessoas gostam e vibram muito com isto. Por isso, olhos abertos e concentração. Já viram como está este pavilhão?" No discurso do treinador do Benfica, está todo o respeito que o CF Estremoz conquistou ao longo de muitos anos nesta modalidade. Não foi com um ou dois jogos que esse respeito foi conquistado. Foi um respeito conquistado com décadas de entrega, superação e muitos quilómetros percorridos, por todo o país, com condições que hoje não fariam qualquer atleta sair do sofá.
 
Para muitos, isto é muito pouco. Para alguns jogadores que nem sabem a honra que tiveram em vestir esta camisola, talvez tivesse faltado quem lhe passasse esta mensagem. Modéstia a mais, digo eu, é hipócrisia e por isso é bom reforçar tudo o que este clube já conquistou e que hoje é algo banalizado. 
 
Quando comecei, bem novo, a ir ver hóquei, via as bancadas do pavilhão compostas e um ambiente que era infernal para quem nos visitava. Fazíamos claque com bandeiras e tudo. Era o público que muitas vezes ganhava os jogos empurrando a equipa para a frente e desconcentrando os adversários. Em dia de hóquei, até se sentia uma atmosfera diferente em Estremoz. É disso que me lembro e, naquelas bancadas, sonhava um dia poder estar dentro do campo a sentir aquilo. Senti, ainda nas camadas jovens, muitas vezes essa energia, mas nada comparado com o orgulho que senti quando tive a oportunidade de pertencer à equipa principal do meu "Estremoz". Por isso mesmo, faz-me confusão como hoje, na maior parte das vezes, não se sente o mesmo.
 
Para nós, o hóquei não era só um hobby ou um desporto. O hóquei e o "Estremoz" era uma obrigação. Ainda nas camadas jovens, íamos para o pavilhão uma hora antes do treino só para lá estarmos mais tempo e nas vésperas dos jogos até tinhamos dificuldade em adormecer. Lembro-me, de ser míudo e ir na sexta-feira à noite ao Pavilhão só para ver o material dos séniores ser preparado para o jogo do dia seguinte.
 
Hoje, as coisas mudaram...e muito. Algo dessa mudança tem muito de normal, pois a oferta para ocupação de tempos livres é mais vasta. No entanto, para quem joga, essa mudança não deveria acontecer. Para quem se compromete e assume querer vestir aquela camisola, nada deveria ter mudado. Mudou, e muito, a quantidade de público que assiste aos jogos, que hoje até são de entrada livre. Quando há mais público num jogo de uma equipa da formação do que num jogo da equipa principal, está tudo dito. 
 
Alguns, ao ler este texto, vão dizer que em todo lado agora é assim. Não é em todo o lado, mas é uma realidade em outros locais. No entanto, a mim, só me interessa o "Estremoz". Se o hóquei em Estremoz não for apoiado e visto como ele merece por atletas, treinadores, dirigentes, encarregados de educação e público em geral, ninguém deve ficar surpreendido se um dia chegar a notícia de que, simplesmente, acabou.
 

A sorte, que a França não teve

Escrito por terça, 12 julho 2016 23:24
Acreditar, como já por aqui escrevi, vale sempre a pena. Não tínhamos a melhor seleção nem jogámos o melhor futebol, é verdade, mas ganhámos e é isso que fica para a história. As críticas à qualidade do nosso futebol valem o que valem. Quando vêm de gente parcial e ressabiada, então não valem mesmo nada. Valem o número de golos que Portugal sofreu nas meias-finais e final do Euro (zero).
 
É claro que não podemos dizer que apresentámos um grande futebol desde que a competição começou. É claro que não "massacrámos" nem dominamos os jogos todos, é claro que não mostrámos a tão falada "nota artística". No entanto, fomos eficazes e a Taça já cá está.
 
É verdade que empatámos os primeiros três jogos. No entanto, é bom recordar, que empatámos com quem mandou a Inglaterra para casa e participámos num dos melhores jogos do Europeu, no sofrido empate com a Hungria. A meu ver, o menos conseguido foi mesmo o nulo com a Áustria. Depois, entendemos que a Croácia tinha uma grande equipa e já tinha derrotado a campeã Espanha. Tapamos-lhe os caminhos e esperámos um erro deles. Fomos cínicos, dizem. Cá para mim, fomos realistas.
 
Depois veio a Polónia, uma equipa sem a qualidade da Croácia mas que tinha pouco a perder. Até sofremos primeiro mas fomos em busca do empate. Aí, voltámos a não nos destapar e vieram os penaltis. Fomos competentes e não falhámos nenhum. Rui Patrício defendeu um e Quaresma depois não tremeu. Seguiu-se outra das surpresas da prova. O País de Gales mandou para casa uma Bélgica que mostrava sinais de ser um "outsider" de respeito. Nesse jogo, soubemos respeitar o adversário mas também resolvemos bem e depressa depois do intervalo. A final voltava mesmo a ser uma realidade.
 
Como se não bastasse a motivação de jogar uma final, os nossos adversários fizeram questão de nos motivar ainda mais. Não há coisa que motive mais do que ser desvalorizado. No jogo decisivo, táticamente entendemos a França, tivemos um enorme Rui Patrício e um espírito de equipa fantástico. Fernando Santos lançou Éder na altura certa, passámos a ter bola na frente e o "patinho feio" resolveu. Irónico, pelo menos.
 
Há momentos que marcam esta caminhada e que em muito contribuíram para este final em festa. Desde logo, a união bem patente no grupo e a liderança exemplar de Cristiano Ronaldo. O sacrifício do capitão em prol do grupo, do primeiro ao último minuto da competição, foi decisivo. Os jogadores, entendendo humildemente a importância de Ronaldo, seguiram a sua crença e a sua enorme vontade de dar um título a Portugal. Foram grandes discípulos e uniram-se ainda mais na final, após a saída em lágrimas do capitão. Isto, foi decisivo.
 

Como se não bastasse a motivação de jogar uma final, os nossos adversários fizeram questão de nos motivar ainda mais. Não há coisa que motive mais do que ser desvalorizado. No jogo decisivo, táticamente entendemos a França, tivemos um enorme Rui Patrício e um espírito de equipa fantástico. Fernando Santos lançou Éder na altura certa, passámos a ter bola na frente e o "patinho feio" resolveu. Irónico, pelo menos.

Agora, Fernando Santos. Que cara terão feito agora aqueles que se riram quando ele disse que voltaria para casa só dia 11 de julho e seria recebido em festa? Pois. Para muitos, pareceu arriscado e até caricato Fernando Santos dizer que queria ser campeão. Aqueles que diziam que era Jorge Mendes que treinava a seleção desapareceram ou mudaram o discurso? E aqueles que diziam que o Ronaldo não joga na seleção metade do que joga no Real Madrid? E aqueles que diziam que Renato Sanches nem deveria ser convocado para o Europeu? Já nem vale a pena falar dos que dizem que Éder é um pino. Atenção que agora Éder não passou a ser, para mim, um grande ponta de lança. É o que temos e, pelos vistos, serviu muito bem. 
 
Aqueles que começaram o Europeu a dizer que Portugal não jogava nada, agora não têm a humildade de reconhecer que a equipa cresceu durante o torneio? Não há coragem para dizer que Fernando Santos foi realista e à sua vasta experiência se deve em grande parte este Europeu? Tivemos sorte? Sorte de quê? Tivemos sorte em ter o melhor guarda-redes da competição, o melhor jovem, o bola de prata, um dos melhores centrais, um dos melhores avançados e o melhor lateral esquerdo? Tivemos sorte em ter sofrido apenas um golo nos quatro jogos da fase a eliminar? Tivemos sorte em ter os emigrantes sempre por perto? Ah, já sei, tivemos sorte porque calhámos do lado que "não tinha tubarões até à final", "porque a Islândia marcou um golo nos descontos". O que é certo, é que derrotámos a equipa que passou pelo meio dos "tubarões", se é que eles existem mesmo.
 
Não sei se tivemos sorte ou não. O que sei é que a França não teve sorte em nos encontrar na final. 
 
* Jornalista José Lameiras
 

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