quarta, 28 junho 2017

O "Improvável" aconteceu no Casino

Escrito por sexta, 09 junho 2017 02:16
Lisboa, Casino Estoril. O Salão Preto e Prata encheu devido a um estremocense que, ainda por cima, dá-me a honra de ser meu amigo. Figuras públicas não faltaram e grandes músicos também não. Desta vez, foi o Nuno da Câmara Pereira, o Rodrigo, o Toy, o Tozé Brito, o António Pinto Basto, entre outros, que foram ver o Zé. O Zé gravou, em tempos, um disco em Estremoz e tirou uma foto encostado ao Arco de Santarém. "Já é cantado na Madeira ou nos Açores, o nosso Fado vai correndo Portugal", cantava o Zé na altura, sem saber que um dia iria encher este emblemático Salão e de facto percorrer Portugal com a sua música.
 
Há uns anos atrás, quando bebiamos um café às 9 horas na nossa Rádio Despertar, o Zé disse-me que tinha uma proposta para ir para Lisboa. Eu, sem hesitar, disse-lhe: "Vai. Há comboios que só passam uma vez". Disse isto e acreditei que este era o melhor conselho para um amigo. Não havia muito a pensar. O Zé tinha que estar ainda mais perto do "meio" onde tudo se passa. Ao pé do lume é que dá para nos aquecermos como deve de ser e só indo "para lá" ele estaria mais perto de todas as oportunidades.
 
O Zé, sei eu, não consegue ser mais um. Ele chegou e marcou a sua posição. Não se limitou a fazer os seus programas na Rádio Amália e a cantar de vez em quando. Começou a estar ainda mais perto dos amigos do meio, fez televisão, escreveu e compôs, mostrou bem ao que vinha. O Zé não deixou a "sua" Torre de Menagem só porque sim. 
 
O Zé, no Casino Estoril, cantou acompanhado pelo Ângelo Freire, que talvez seja o melhor na Guitarra Portuguesa. Cantou acompanhado pelo Júlio Resende que é "só" o pianista que ganhou a Eurovisão com o Salvador Sobral. Estava no palco, a noite era dele, mas não se esqueceu de onde veio. Agradeceu à Rádio Despertar, a Estremoz, aos estremocenses, aos amigos que o foram ver. Chamou para cantar aqueles que no início da sua carreira lhe deram a mão: Nuno da Câmara Pereira, Silvino Sardo, Rodrigo e António Pinto Basto. Chamou, para cantar consigo, outro Zé. Fez ao Zé Luis Geadas, aquilo que lhe fizeram em tempos e deu-lhe a oportunidade de mostrar o seu valor num palco destes e num acontecimento desta natureza.
 
Havia surpresas...e que surpresas. Ana Moura fechou a noite cantando com o Zé a "Maldição". Que luxo! A Ana Moura foi também, aí, anunciada como madrinha de um projeto solidário que o Zé apresentou e que vai angariar verbas para a Pediatria do IPO. Aqui, a expressão "Fechar com chave d'ouro" assenta que nem uma luva. 
 
Estive numa noite em que, sem dúvida, houve empatia entre público e artistas. Uma noite que tinha tudo para ser "Improvável" e foi mesmo. O "Improvável", o tal disco que foi apresentado nesta noite, é um sonho do Zé mas também uma maneira de celebrar a música. Um disco apenas ao alcance de quem escreve letras e compõe músicas como o Zé o faz.
 
O Zé, o tal que saiu de Estremoz um dia em busca de uma valorização profissional e também pessoal, está no melhor momento da sua carreira. Goste-se ou não do seu feitio e da sua maneira de estar ou até de cantar, o Zé é aquilo que todos vemos e ouvimos. Sabe de onde vem, sabe para onde vai e sabe bem qual é o caminho que deve seguir para chegar aos seus objetivos. Aconteça o que acontecer, há algo que já ninguém lhe vai tirar: o brilho nos olhos que todos vimos no Casino Estoril.
* Jornalista José Lameiras
 

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