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sábado, 11 abril 2020 13:08

A Europa está a ser destruída

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Estamos a viver um dos períodos mais graves no processo de construção europeia. A última decisão do Eurogrupo e todas as mentiras propagandísticas que dali resultaram, são mais um condimento para ajudar a destruir a Europa (entenda-se União Europeia).
 
A falta de estadistas, associada aos egoísmos nacionais e regionais são outros elementos altamente perturbadores no processo de consolidação da União Europeia. A falta de solidariedade e a incapacidade de se tomarem decisões coletivas são os aspetos mais graves.
 
Associado a isto, uma forte incapacidade da União Europeia em dar respostas aos problemas concretos, tal como é exemplo a mais recente luta contra os efeitos nefastos provocados pelo Coronavírus.
 
A última “facada” foi a decisão desta semana do Eurogrupo. As mentiras atrás de mentiras. Incompreensões atrás de incompreensões. Impotência envoltas em incompetências. Um desastre!
 

Ora vejamos, quando ‘’esmiframos’’ a noticia como deve ser, chegamos à conclusão que o acordo do Eurogrupo sobre os 500 mil milhões de euros para combater os efeitos nefastos do Coronavírus, são na realidade dinheiro que já estava previsto.

E depois o que se faz? Finge-se. Mente-se. Não há nada melhor para alimentar os populismos crescentes que a mentira descarada de muitos políticos democraticamente eleitos.
 
A notícia que nos era dada é que os ministros das Finanças da Zona Euro chegaram a acordo, dia 9 de abril, sobre os apoios económicos para fazer face à pandemia do covid-19. E mais, ‘’a informação referia que o Eurogrupo chegou a acordo sobre o pacote de ajuda económica para a crise do novo coronavírus. “A reunião terminou com os ministros a aplaudir”, anunciou o porta-voz de Mário Centeno no Twitter.
 
Ora vejamos, quando ‘’esmiframos’’ a noticia como deve ser, chegamos à conclusão que o acordo do Eurogrupo sobre os 500 mil milhões de euros para combater os efeitos nefastos do Coronavírus, são na realidade dinheiro que já estava previsto. Em termos práticos estamos a falar de verbas do SURE (110 milhões anunciados na semana passada pela Comissão para financiar os layoffs), associada uma linha de crédito do BEI de 200 mil milhões de euros, acrescentando ainda os 240 mil milhões do Mecanismo Europeu Estabilidade, que já estava prevista a sua flexibilizado para despesas em saúde.
 
A realidade é que este acordo não trás praticamente nada de novo. Mas tudo é feito como se estivéssemos perante uma grande medida, sendo que, apenas se aceitaram as propostas que a Comissão Europeia já tinha anunciado.
 
E andamos nisto, uma grande incapacidade da União Europeia em dar respostas fortes, solidárias e coletivas.
 
Infelizmente prevejo um mau futuro para um projeto que tanto gosto.
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em sábado, 11 abril 2020 16:18