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quinta, 20 fevereiro 2020 02:03

Porque sou contra a Eutanásia

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A discussão do tema da eutanásia é de facto muito sensível. É muito difícil ter uma posição muito assertiva sobre esta matéria. Argumentos como as liberdades individuais, a compaixão e o amor por quem está num sofrimento extremo, devem e merecem ser respeitadas. Merecem-me um respeito profundo!
 
Na minha opinião pessoal, é de todo impossível fazer uma avaliação completa sobre esta matéria, que é demasiado complexa. Corremos o risco de entramos em fortes contradições.
 
Também sou da opinião que não basta uma avaliação meramente individual, sobretudo a um deputado que tem que fazer escolhas. Esta decisão é de grande responsabilidade individual e com fortes efeitos coletivos. Matéria que não pode ser esquecida.
 
Apresento, assim, os meus principais argumentos porque sou contra a prática da eutanásia:
 

Validar a prática da eutanásia é tornar uma decisão irreversível. Não há volta a dar! A partir daí é o escancarar de portas de um mundo claramente desconhecido. É tomar uma decisão irreversível, sobre a irreversibilidade da morte. Custa-me a aceitar essa opção!

 
1 – Esta é uma decisão sobre a vida. É uma decisão que se prende em valores de esperança na vida e não da morte. Sou daquelas pessoas que acredita que há sempre uma hipótese. Mais uma hipótese para a vida. Acredito na força e na esperança da vida, mas também nos rápidos avanços da ciência, os quais podem solucionar casos (mesmo dramáticos) que aparentemente não tem grandes expectativas. Sou sempre otimista em relação à vida. É a minha natureza!
 
2 – Validar a prática da eutanásia é tornar uma decisão irreversível. Não há volta a dar! A partir daí é o escancarar de portas de um mundo claramente desconhecido. É tomar uma decisão irreversível, sobre a irreversibilidade da morte. Custa-me a aceitar essa opção!
 
3 – Conheço as práticas em países claramente liberais. São demasiados os erros e as decisões egoístas que vão de encontro a valores com os quais não partilho. Algumas dessas decisões, que envolvem menores e pessoas em forte debilidade psíquica, são algo que me deixa claramente incomodado. Pactuar com algo semelhante é um equívoco histórico!
 
4 – As propostas que estão em cima da mesa mal foram discutidas com os portugueses. Muitas delas estão mal explicadas, ou mesmo sem qualquer explicação. Um debate cobarde! Um debate inexistente! Mais uma vez, estamos perante um mau serviço que a Assembleia da República faz para com os portugueses. Não posso concordar!
 
5 – Também as propostas de Lei são pouco claras. Adotam uma linguagem que não se percebe ao certo o que pretendem. Confunde-se por exemplo o “sofrimento extremo” com o sofrimento físico. Ficam abertas algumas nebulosas que podem permitir as práticas de países com as quais discordo profundamente. Não se percebe, também, a pressa em legislar mal! Ou percebe?
 
6 – Faço uma leitura, que apenas me responsabiliza a mim, de que esta é a vontade da grande maioria dos portugueses. Ser contra a eutanásia.
 
Por todas estas razões (e outras mais individuais) que me levam a não aceitar a eutanásia.
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em quinta, 20 fevereiro 2020 02:10