segunda, 17 junho 2019
sexta, 21 dezembro 2018 21:16

Tempo para Viver

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O Natal e o final do ano, porque são sempre tempos de reflexão, mas também de partilha, devem servir também para analisarmos a forma como estamos a viver e a real importância que damos às coisas. Se olharmos para trás, percebemos que muita coisa aconteceu em pouco tempo. Um ano, é pouco tempo, se fizermos questão de viver.

Acontecem sempre coisas que nos fazem pensar. Vidas que acabam num instante e que deixam outras destruídas, pais que choram morte dos filhos, filhos que sofrem pela partida dos pais. Nesses momentos, e o ser humano é mesmo assim, é que nos questionamos o porquê de não termos feito isto ou aquilo. Deixamos quase sempre tudo para mais tarde e grande parte das vezes esquecemo-nos que isto está a passar muito depressa.
 

E assim, passamos pela vida até ao dia que chegue a nossa hora. Pois, é isso mesmo. Deixamos de fazer o que mais gostamos, deixamos de estar com quem mais gostamos, deixamos de fazer aquilo que realmente nos fazer sentir bem e até é de borla: estar perto dos "nossos". Hoje, que sou pai, reconheço a importância de um sorriso de um filho no final de um dia difícil. As crianças, com quem os adultos têm muito a aprender, devido à simplicidade que colocam nas coisas, ensinam-nos que há muitas coisas que não se resolvem com um sorriso mas que esse mesmo sorriso faz com que tudo pareça menos difícil.

Usamos, nesta vida, muitas vezes a expressão "qualquer dia". "Qualquer dia tenho de ir levar a minha avó a almoçar", "qualquer dia tenho de ir visitar os meus pais", "qualquer dia tenho de levar o meu filho ao parque e brincar com ele sem estar a olhar para o relógio". É esse mesmo relógio que nos controla. Outra expressão, que usamos muitas vezes como desculpa, é "não tenho tempo". "Hoje não tenho tempo de ir buscar o meu filho à escola", "hoje não tenho tempo de levar a minha mãe ao supermercado", "não tenho tido tempo de ir visitar os meus pais", são coisas que dizemos e ouvimos dizer a quem está, como nós, completamente absorvido pelas obrigações da vida adulta.
 
E assim, passamos pela vida até ao dia que chegue a nossa hora. Pois, é isso mesmo. Deixamos de fazer o que mais gostamos, deixamos de estar com quem mais gostamos, deixamos de fazer aquilo que realmente nos fazer sentir bem e até é de borla: estar perto dos "nossos". Hoje, que sou pai, reconheço a importância de um sorriso de um filho no final de um dia difícil. As crianças, com quem os adultos têm muito a aprender, devido à simplicidade que colocam nas coisas, ensinam-nos que há muitas coisas que não se resolvem com um sorriso mas que esse mesmo sorriso faz com que tudo pareça menos difícil. Somos escravos do trabalho, principalmente porque queremos que eles tenham tudo e mais alguma coisa, e às vezes esquecemo-nos que eles só querem atenção. Se pudessem perceber e escolher, poucos seriam os filhos que trocariam a presença do pai ou da mãe por mais um brinquedo ou um jogo para o computador.
 
Nesta época de Natal, queremos que os nossos filhos tenham tudo, mas não nos podemos esquecer também de perceber o que é o "tudo" para eles. A partilha, o convívio, parecem coisas simples de dizer mas cada vez mais díficeis de fazer. A família, que para mim é base da sociedade e o nosso porto mais seguro, deve ser a nossa prioridade. Os amigos, que para mim são essenciais, são os nossos parceiros nesta difícil caminhada que é a vida. É preciso chegarmos a Dezembro, para juntarmos à mesa em vários jantares e almoços de Natal e, algumas vezes, com amigos que mal vemos ao longo do ano. Nos restantes onze meses, devemos criar condições para estarmos mais tempo perto uns dos outros. Devemos cumprir as nossas obrigações enquanto trabalhadores, mas também enquanto pais, filhos ou netos. Quando temos mesmo vontade, o "não tenho tempo" é ultrapassado e o "qualquer dia" passa a ser esse mesmo dia. Há tempo para tudo, acredito mesmo nisso, até há tempo para viver.
 
Façam Natal.
 
Umas Boas Festas para todos.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Modificado em sexta, 21 dezembro 2018 21:26

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