quinta, 21 junho 2018

E agora, quem é que vai fazer de Éder?

Escrito por  Publicado em José Lameiras %AM, %13 %020 %2018 %00:%Jun.
Para os verdadeiros amantes do futebol, do jogo, da técnica e da tática, o Mundial é um momento solene. É o verdadeiro torneio e até é pena que só aconteça de quatro em quatro anos. Geralmente, por razões óbvias, o último vencedor do Europeu é sempre candidato a vencer o Mundial. Assim, Portugal é favorito. Não temos obrigação, nem pouco mais ou menos, de vencer a prova mas o estatuto ninguém nos tira.
 
As redes sociais, sempre elas, já estão a fazer o seu papel. Basta um empate ou derrota num jogo de preparação e pronto: "está tudo perdido, não jogamos nada e só lá vamos gastar dinheiro". Lembro-me de ler o mesmo há dois anos atrás. Desta vez mais contidos, é certo, mas "os velhos do Restelo profissionais" já por aí andam, apesar de terem abrandado depois da vitória categórica frente à Argélia.
 
Portugal, para mim, é mesmo favorito, independentemente de ter vencido o Europeu. Sei que esses "profissionais da desgraça" têm várias teorias, nomeadamente "a sorte", como se essa mesma sorte não fizesse parte do futebol e até da vida. O problema é que grande parte das vezes nos esquecemos que essa tal sorte dá muito trabalho. Portugal foi campeão, com mérito, fez um grande jogo na final e uma fase final muito inteligente que fez acreditar até o mais pessimista dos portugueses. No jogo decisivo, fizemos uma grande exibição mesmo depois de perder o nosso melhor jogador, tivemos um grande guarda-redes na baliza e marcamos no momento exato, através de um herói improvável. Quando se fala de lógica no futebol, é por isto mesmo que eu gosto mais de falar de momentos. É de momentos que se fazem os campeões e é nos momentos certos que se ganham as competições. O que Herrera fez este ano na Luz, só confirma precisamente o que estou aqui a escrever.
 

Portugal, para mim, é mesmo favorito, independentemente de ter vencido o Europeu. Sei que esses "profissionais da desgraça" têm várias teorias, nomeadamente "a sorte", como se essa mesma sorte não fizesse parte do futebol e até da vida.

Em dois anos, este herói improvável deixou de "caber" nos 23. E, curvo-me perante Fernando Santos pois não "cabe" mesmo. Foi um grande ato de gestão, de inteligência, de pragmatismo do nosso selecionador. Seria sempre mais fácil "fazer o favor" ao Éder de o levar e assim premiar aquele momento que ficará para sempre na nossa memória. A questão, é mesmo essa. É que esse momento vai ficar para sempre e há coisas que só acontecem uma vez na vida. Olhando ao que temos, Éder não tem lugar e essa é a realidade. 
 
Fernando Santos corre um risco, pois quando estiver a perder a 10 minutos do fim vai ouvir da bancada, "agora não tens o Éder", mas ele sabe disto e sabe que tem outras soluções que dão outro tipo de garantias. Ser selecionador é isto mesmo, é fazer opções que nem toda a gente concorda. Éder merece ficar para sempre como o héroi do Europeu. Isso ninguém lhe vai tirar.
 
Temos Guedes e Bernardo em forma, Gelson, André Silva, Quaresma e, claro, Ronaldo. Temos bons centrais, bons médios e um bom guarda-redes. Temos seleção para lutar pela taça, sem ter obrigação de a vencer. Os 23 que Fernando Santos escolheu, são os que terão o nosso apoio. Quem vai fazer de Éder, não sei. No entanto, desconfio que esse papel estará guardado para alguém. 
 
* Jornalista José Lameiras
 
 

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