sexta, 24 novembro 2017

Descanse em paz, meu amigo

Escrito por  Publicado em José Lameiras segunda, 09 outubro 2017 18:49
Lembro-me bem do meu primeiro dia na Rádio Despertar. Lembro-me do sorriso com que me recebeu e da oportunidade que me deu. Já lhe agradeci, Padre Júlio. Lembro-me das conversas que tivemos e do respeito que tinha, e tenho, por si.
 
Tantas vezes me disse: "tens de ir um dia à minha aldeia e tens de ver a Tourada". Quis o destino que só fosse à sua terra na sua última viagem. Esta é a prova que devemos fazer as coisas no momento exacto e que não temos que esperar a altura que pensamos ser a melhor ou a mais cómoda. Como dizia muitas vezes, "os bons momentos são para ser vividos".
 
Há várias coisas que me deixam descansado. Uma delas, é que sei que teve uma vida boa, de partilha, de convívio, de realizações pessoais e profissionais. O seu sonho de criar uma rádio de referência foi cumprido com muito brilhantismo. Foi um autêntico visionário e, quando pensou colocar o nosso emissor no alto da Serra D'Ossa, a sua rádio "deu o salto" definitivo. A sua ânsia de comunicar, valeu a Estremoz uma rádio da qual se pode orgulhar e que é uma das suas grandes obras.
 
Muita gente passa por esta vida sem deixar a sua marca. Não é o seu caso, nem pouco mais ou menos. Nem sempre os seus actos e palavras criaram unanimidade, muito pelo contrário. Era preciso conhecê-lo para o entender. Tinha defeitos como todos nós temos mas sempre soube que não agradava "a gregos e a troianos". Tinha essa consciência e vivia bem com isso, sempre recebendo as críticas, as que tinham fundamento e eram sérias, com muito desportivismo.
 

Então passa bem, Zé Lameiras

Era exigente consigo e, por isso mesmo, muito exigente com os que o rodeavam. Não gostava de falhar nem gostava que os outros falhassem. Não era perfeito, nem pouco mais ou menos. Era um ser humano perfeitamente normal, com os seus defeitos e as suas virtudes. Como grande comunicador que era, facilmente chegava às pessoas e sabia escolher as palavras certas em cada ocasião e para cada público. Nunca deixou de dar, como dizia, "as alfinetadas" que eram necessárias e fosse a quem fosse. Era o seu estilo, que nem sempre agradava a todos.
 
A sua "Janela Indiscreta" mexeu com Estremoz. Nunca um programa da rádio foi tão controverso nesta terra. Era o seu programa e sempre será recordado, também, por isso. Quis o destino que fizesse comigo o seu último programa de rádio. Vou ficar, para sempre, com o que me disse assim que chegou ao estúdio: "Então as tuas meninas?" e também com o que me disse quando se foi embora : "Então passa bem, Zé Lameiras".
 
Descanse em paz, meu amigo.
* Jornalista José Lameiras
 
 

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  • Luisa Piedade
    Luisa Piedade
    segunda, 09 outubro 2017 22:41

    Grande verdade a descrição sobre o Padre Júlio sempre o admirei, mas nem sempre o entendi. Mas sempre foi convicto no que dizia, tenho muitas recordações positivas, aprendi muito com ele!!!! Que Deus o tenha no esplendor da sua luz perpétua, que descanse em paz......

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