sábado, 23 setembro 2017

O Futebol dos Campeões Europeus

Escrito por  Publicado em José Lameiras quinta, 13 abril 2017 14:41
Fomos Campeões da Europa e pouco aprendemos. Aliás, não aprendemos nada e agora continuamos a ser notícia, lá fora, mas pelas piores razões. No país Campeão, há um constante clima de suspeição em relação à arbitragem. As nomeações dos árbitros, semana após semana, entram na ordem do dia e parecem ser mais importantes que a preparação das equipas. São analisados, até à exaustão, os erros dos árbitros e estes rapidamente se transformam nos maus da fita.
 
No país que é Campeão Europeu, foi "montada" uma claque de apoio à Seleção, em que o seu rosto mais visível é o chefe da claque dos "Super Dragões" e que têm recebido, por esse mundo fora, medalhas de bom comportamento. A uma semana do clássico da Luz, a claque organizada e apoiada pelo FC Porto esteve no Estádio da Luz a apoiar a equipa da casa. Parece confuso? Não, é o Futebol Português. Seria até bonito se tudo fosse normal e se vivesse o futebol e o desporto de outra forma. Na realidade atual, e com estes protagonistas, só poderia dar no que deu: cânticos despropositados e ambiente hóstil, num jogo importante da Seleção de Portugal, a tal que foi campeã.

 
No país Campeão Europeu, os Diretores de Comunicação dos clubes grandes têm protagonismo. Aqueles que deveriam ser os responsáveis pela comunicação e imagem do clube, fazem questão de ser protagonistas e de, eles próprios, entrarem na guerra de palavras. Não basta os presidentes, jogadores, claques e treinadores, agora também toda a gente sabe os nomes dos Diretores de Comunicação.
 
No país Campeão Europeu, os árbitros têm medo de apitar certos clubes dos Distritais. Ou seja, em início de carreira, certos árbitros já têm medo e não sabem o que pode acontecer durante um jogo. O que falta para existirem punições severas para quem agride, tanto na justiça desportiva como na justiça cívil? O que pensarão os jovens árbitros quando vêm adeptos "visitar" o Centro de Estágios dos seus ídolos?
 

No país Campeão Europeu, não há adversários, há inimigos. Os adeptos não gostam de futebol, gostam sim do seu clube e querem que ele ganhe, seja de que maneira for. Os próprios adeptos, são levados para estas brigas por quem, tendo muita responsabilidade, faz questão de manter o clima tenso e de constante guerrilha. Interessa é ganhar e o inimigo perder, seja no futebol, no andebol, no ténis de mesa ou até no berlinde. Estas constantes guerras de palavras, e que felizmente ainda são só de palavras, fazem com que se cultive ódio pelo inimigo e pouco respeito pelo adversário.

No país Campeão Europeu, demora uma enternidade, numa competição profissional, a ser analisado um caso que escapou ao árbitro. Também neste país, são outros clubes que não estiveram no jogo em questão a realizar as queixas. Por falar em queixas, neste país, há quem ache que os árbitros se vendem por uns jantares e uma camisola. 
 
No país Campeão Europeu, os jornalistas são vistos como "queridos inimigos". A ideia que passa é que são deste e daquele clube e por isso escrevem isto ou aquilo. Se escrevem a nosso favor, são os maiores e isentos. Se lemos algo de que não gostamos, é porque são deste ou daquele clube e não conseguem disfarçar. Só quem está completamente fora da realidade, ou com más intenções, é que pode dizer que um jornalista veste a camisola de um clube quando está a trabalhar. Neste mesmo país, os comentadores de futebol recebem "cartilhas orientadoras". Seria, digo eu, muito útil se fossem esclarecimentos eficazes. Ataques aos "inimigos", bastam, e sobram, os que já existem.
 
No país Campeão Europeu, uma claque organizada e apoiada pelo seu clube dá-se ao trabalho de entoar cânticos onde mistura tragédias com futebol, para assim demonstrar ódio ao rival. Neste mesmo país, antes de um clássico, é lançada confusão com os bilhetes e colocadas em causa questões de segurança de quem apenas quer ir "ver a bola".
 
No país Campeão Europeu, não há adversários, há inimigos. Os adeptos não gostam de futebol, gostam sim do seu clube e querem que ele ganhe, seja de que maneira for. Os próprios adeptos, são levados para estas brigas por quem, tendo muita responsabilidade, faz questão de manter o clima tenso e de constante guerrilha. Interessa é ganhar e o inimigo perder, seja no futebol, no andebol, no ténis de mesa ou até no berlinde. Estas constantes guerras de palavras, e que felizmente ainda são só de palavras, fazem com que se cultive ódio pelo inimigo e pouco respeito pelo adversário. 
 
Depois, levamos certos "banhos" de fair-play como aconteceu no caso do Dortmund com o Mónaco. Partilhamos logo no Facebook e aplaudimos. Passado pouco tempo, já estão uns a gritar que o "Avião da Chapecoense deveria de ser o do Benfica". 
 
* Jornalista José Lameiras

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