sábado, 16 dezembro 2017

Estremoz e o turismo

Escrito por  Publicado em António Serrano sábado, 28 janeiro 2017 16:11
É quase um crime nunca ter escrito sobre turismo. Imperdoável, tendo em conta que é por demais conhecido o meu gosto por fazer turismo. É algo que está para mim como a luz está para o dia e, por isso, já há muito que me devia ter debruçado sobre este tema.
 
O turismo, ou melhor, as viagens que faço, têm-me permitido conhecer outras paisagens, culturas diferentes, lugares que nunca pensei existirem e realidades muito distintas daquela em que vivo, algumas melhores, outras muito piores.
 
Tenho-me deparado com lugares cheios de vida, onde reina a ordem, a harmonia e a beleza, mas também com sítios que, ainda que carregados de simbolismo ou bem colocados nas preferências dos demais turistas, não me provocaram nem um único arrepio quando os visitei. Quando viajamos, é muito vulgar criarmos expetativas em relação aos lugares que ainda não conhecemos e isso acontece-me frequentemente. Faço sempre uma pesquisa exaustiva acerca dos sítios onde vou e, a dada altura, parece-me que já os conheço muito bem, ao ponto de falar sobre esses lugares como se já lá tivesse ido muitas vezes. Que ilusão… apesar de hoje em dia as novas tecnologias nos colocarem muito mais próximos de tudo e de o Google Earth até nos permitir “passear” virtualmente pelas ruas de uma cidade ou pelas salas de um museu, a verdade é que, quando lá chegamos, nunca nada é igual àquilo que tanto imaginámos.
 

Pergunto-me muitas vezes, que expetativas, que preconceitos terão os turistas que visitam Estremoz. O que os faz visitar Estremoz? O que esperam encontrar aqui? Porquê Estremoz e não outro lugar qualquer? Como partem de Estremoz? Satisfeitos? Desiludidos? Com vontade de regressar?

Isso acontece porque todos os momentos são únicos e porque todos os espaços se transformam e se apresentam diferentes aos olhos de cada observador. A luz, as cores, os sons, os cheiros, as sensações de frio ou calor, os sabores, o nosso humor, a forma como olhamos para as coisas, tudo se altera e, por isso, é natural que experimentemos diferentes impressões daquilo que idealizámos.
 
Pergunto-me muitas vezes, que expetativas, que preconceitos terão os turistas que visitam Estremoz. O que os faz visitar Estremoz? O que esperam encontrar aqui? Porquê Estremoz e não outro lugar qualquer? Como partem de Estremoz? Satisfeitos? Desiludidos? Com vontade de regressar?
 
Será que vêm pelo património construído? É inegável a riqueza patrimonial do concelho de Estremoz. Três castelos com séculos de História e de estórias, monumentos que abarcam diversos estilos arquitetónicos e várias épocas, a riqueza e a particularidade que o mármore confere às inúmeras construções… são tantas as razões pelas quais os edifícios históricos de Estremoz cativam visitantes, que o difícil é não encontrar razões para os visitar.
 
Ou vêm pelo património imaterial? Porque ouviram dizer que aqui viveu e morreu a Rainha Santa Isabel, porque aos sábados de manhã, no Rossio, a cidade se enche de vida para receber o campo no mercado tradicional ou porque tiveram notícia de que em Estremoz há uns Bonecos de barro que são candidatos a Património Cultural Imaterial da Humanidade? Sim, apesar de alguns (poucos) não estarem atentos, tem sido feita uma extraordinária promoção a esta arte, que é tão nossa e que todos queremos que seja Património da Humanidade. Só mesmo quem seja do contra, por não poder ser mais nada, é que não reconhece o trabalho que tem sido feito na promoção do Figurado em barro de Estremoz.
 
Talvez venham pela gastronomia… Em Estremoz come-se bem e isso não é novidade. Vários restaurantes mantêm nos seus pratos a autenticidade e as características da cozinha alentejana, outros restaurantes optaram por inovar e dar um toque de contemporaneidade, não descurando os sabores da tradição e o Município continua a apostar na Cozinha dos Ganhões como espaço de transmissão e promoção de saberes. No conjunto, foram criadas condições propícias para que o turista regresse a Estremoz, à procura de uma gastronomia variada e de grande qualidade. Não é à toa que, pelo segundo ano consecutivo, a cidade de Estremoz foi nomeada como Destino Gastronómico do Ano pela Revista Wine – A Essência do Vinho.
 
Aliás, por falar nisso, os vinhos de Estremoz são cada vez mais uma referência nacional e internacional. A aposta dos nossos empresários na produção de vinhos de qualidade e a forma como têm sabido posicionar-se no mercado, criar rótulos apelativos e fomentar o enoturismo, muito tem contribuído para a promoção turística do concelho de Estremoz no nosso País e além-fronteiras.
 

Não devia isto ser um orgulho para todos nós? Em minha opinião, sim. Mas como sei que há quem não pense assim, não me admira nada que qualquer dia não se diga por aí que Estremoz só tem hoje mais encanto, porque isso já estava projetado…

Vêm pela paisagem, pelo espaço aberto, pela luz da Cidade Branca do Alentejo? Pela calma e pela paz que se respira em cada cantinho? Vêm porque ouviram falar de Estremoz na telenovela? Vêm pela FIAPE? Vêm participar em provas desportivas? Ou porque souberam da existência de Estremoz numa das muitas ações promocionais que têm sido feitas pelo Município? Porque nos viram no site ou no Facebook? Porque Estremoz tem mais encanto?
 
Não sei responder e também não interessa. O que é certo, é que vêm e são cada vez mais os turistas que nos visitam. Mais 13% do que no ano anterior, para ser mais preciso. Pode não parecer muito, mas é imenso para Estremoz! E esta percentagem refere-se apenas a atendimentos no posto de turismo! Não estão aqui incluídos os milhares que nos visitam sem sequer precisar de informação turística… Todos devíamos orgulhar-nos do patamar a que Estremoz chegou, enquanto destino turístico.
 
Não vale a pena alguns tentarem atirar-nos areia para os olhos e fazer crer que nada se faz ou se fez para alcançar estes resultados. Normalmente, quem fala do que não sabe, daquilo que desconhece, arrisca-se a dizer muitas asneiras. Aqueles que não acreditam, os que duvidam e os eternamente insatisfeitos “só porque sim”, não podem é esquecer que os números não mentem e muito menos mentem os resultados, que estão à vista de todos e que se traduzem no crescente fervilhar de pessoas que diariamente passeiam pela nossa cidade. 
 
Não devia isto ser um orgulho para todos nós? Em minha opinião, sim. Mas como sei que há quem não pense assim, não me admira nada que qualquer dia não se diga por aí que Estremoz só tem hoje mais encanto, porque isso já estava projetado…
 
* Arquiteto Paisagista António Serrano

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