sábado, 16 dezembro 2017

De regresso às crónicas...

Escrito por  Publicado em Helena Chouriço quinta, 26 janeiro 2017 00:43
De regresso às crónicas, perdoem-me a ousadia mas esta tem a ver com o meu percurso profissional. Não podia deixar passar a oportunidade de o publicar.
 
É verdade, passaram-se 18 anos, desde que cheguei ao Centro Social Paroquial de Santo André de Estremoz. No dia 9 de Fevereiro de 1999 iniciava um percurso que me trouxe ensinamentos e vivências únicas, que guardo na memória afetiva mas também nos cadernos, agendas e afins.
 
Guardo as pessoas com que me cruzei e que permanecem comigo, guardo situações que vivi, repletas de emoção, sorrisos, lágrimas, medo, dúvidas e certezas. Cresci como pessoa e como profissional, já o disse em várias ocasiões. Aprendi que o Ser Humano é muito mais que as situações que os fazem procurar o apoio de uma instituição como esta, aprendi que o Ser Humano é repleto de dons e qualidades por descobrir independentemente de tudo e de todos, aprendi que o Ser Humano não poderia nunca estar sozinho porque aprendi a aprender com todos quanto fizeram parte deste meu caminho, desde os mais pequenos com quem tive o privilégio de partilhar momentos e sentimentos que não são possíveis de relatar no papel ou relatar apenas, como também já disse algumas vezes, há “coisas” que só nos são permitidas sentir, para o pior e para o melhor, até superiores, colegas que se transformaram em família, utentes, entidades e seus responsáveis que se transformaram em aliados e amigos.
 

Este meu “Encontro com Freud” não é uma despedida mas apenas um virar de página no “livro” da minha história, e quando se vira uma página, soltam-se as expectativas, os anseios, os medos, as dúvidas, as certezas, as buscas e solta-se igualmente a esperança de me colocar, uma vez mais, ao serviço do Ser Humano, com todas as minhas limitações e com tudo o que ainda terei de aprender para continuar a “escrever”, dia após dia, o meu trabalho e desta vez com os mais idosos.

No dia 31 de Janeiro cessarei as minhas funções de psicóloga nesta casa, que levo como parte de mim e como referência de um trabalho que amo e que todos os dias me ensina que é preciso sonhar para depois realizar, que é preciso procurar para depois encontrar e que é preciso ouvir para depois entender.
 
A vida pode ser uma missão e neste caso, creio que foi isso mesmo que aconteceu, o cumprimento de uma missão, se bem ou menos bem não me caberá aqui avaliar ou justificar. 
 
A mudança acarreta sempre sentimentos ambivalentes mas quando sonhamos, e enquanto sonhamos, a vida nos coloca oportunidades únicas e pessoas especiais (novamente) no nosso caminho, a resposta é dada pelo que só nos é permitido sentir… Tenho o privilégio de me renovar e de continuar a aprender muito mais sobre o Ser Humano e os seus dons e qualidades, e de “beber” o que ainda não sei, que é imenso e o que ainda não vivi, que espero viver e desfrutar com a mesma alegria e amor à minha profissão e com isso desempenhá-la sempre da melhor maneira.
 
Este meu “Encontro com Freud” não é uma despedida mas apenas um virar de página no “livro” da minha história, e quando se vira uma página, soltam-se as expectativas, os anseios, os medos, as dúvidas, as certezas, as buscas e solta-se igualmente a esperança de me colocar, uma vez mais, ao serviço do Ser Humano, com todas as minhas limitações e com tudo o que ainda terei de aprender para continuar a “escrever”, dia após dia, o meu trabalho e desta vez com os mais idosos. Um desafio imenso e um privilégio poder partilhar e de novo em equipa, um mundo cheio de vidas com vida, cada uma feita à sua maneira e vivida da maneira possível, tantas vezes!
 
E não existe “no meu tempo” porque o nosso tempo é hoje, agora, aqui e daqui partiremos juntos na viagem mais longa, que é dignificar toda e qualquer Vida.
 
* Psicóloga Helena Chouriço
 
 

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  • isabel ramalho
    isabel ramalho
    domingo, 05 março 2017 20:10

    É muito bom e uma sastifação enorme trabalhar com idosos pois aprende-se muito com eles tem uma longa história de vida muito para nos ensinar cada um de seu jeito e sua maneira mas vale a pena

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