quinta, 20 julho 2017

Luís Parente

Quase 12 anos

Quase 12 anos

Há quase 12 anos, durante o mês de Agosto, o meu telefone tocou. Do outro lad ...

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Mulher é Vida

Escrito por quarta, 25 março 2015 23:27
É incontornável e inevitável da minha parte, porque não me consigo demitir de formular uma opinião muito própria sobre este assunto, a abordagem a um tema que infelizmente ainda não está esgotado na sociedade portuguesa, os maus tratos praticados sobre as mulheres. Ainda recentemente, numa iniciativa de um conhecido jornalista da nossa praça, foi lançado um tema musical que juntou oito vozes femininas, conhecidas do grande público, que dão voz a um hino da APAV- Associação Portuguesa de Apoio à Vítima- para o qual se tentam despertar consciências para a problemática da violência doméstica. Segundo as estatísticas, o número de mulheres assassinadas em Portugal nos últimos 10 anos ascende quase aos 400. Arrepiante!... aterrador como por ano morrem cerca de 40 mulheres às mãos de autênticos “animais”, se é que assim lhes posso chamar.
 
Questiono a falta de humanismo, a falta de respeito… questiono a ausência de tolerância e a ausência dos valores mais básicos do ser humano.
 
Questiono os motivos que fazem alguém sucumbir mentalmente à barbaridade de tirar a vida a um ser brilhante como a mulher.
 
É certo que a sociedade está em constante mutação, aliás… sempre esteve. Talvez o facto de evoluir muito rapidamente seja um dos factores que fazem com que a consolidação das mudanças não seja feita estruturalmente e o próprio Ser definhe, enfraqueça. Na minha perspectiva, nos dias de hoje, e em muitas circunstâncias, o Ser e a própria sociedade está enferma, consegue viver, sem aparentes preocupações, de acordo com valores completamente distorcidos do humanismo.
 
Onde é que está a amizade? Onde está o diálogo? Onde está o conceito de família?
 

Questiono os motivos que fazem alguém sucumbir mentalmente à barbaridade de tirar a vida a um ser brilhante como a mulher

 
Arrisco-me a dizer que, perante isto, e para enfrentar este nosso doente mundo é preciso ser-se corajosa para se ser mulher. Invejemos, porque não, a sua coragem… reconheçamos a sua sinceridade, a sua verdade, a sua firmeza, sabedoria, bondade, a sua justiça, exigência, paciência, a sua responsabilidade e resistência… respeitemos a sua interioridade, a sua complexidade, a sua impulsividade, a sua particular inteligência, respeitemos a sua superioridade, a sua ponderação, a sua protecção, a sua honestidade intelectual, a sua capacidade de resiliência e de superação, o seu incansável trabalho… deixemos que sejam mães, irmãs, meninas, amigas, que sejam fogo, que sejam gelo, deixemos que sejam selvagens, inocentes, atrevidas, maravilhosas, que sejam vaidosas, enigmáticas, extraordinárias, graciosas, ordenadas, deixemos que sejam boas, chatas, complicadas, pragmáticas, poderosas, abstractas… respiremos as suas formas, os seus aromas…
 
Dir-me-ão que é difícil entendê-las… reconheço… é um facto!… ainda assim é impossível viver sem elas. Tenho a plena consciência que, ainda que escrevesse um milhão de coisas sobre a mulher, era insuficiente para a definir e compreender. O próprio Oscar Wilde já dizia que “As mulheres existem para que as amemos, e não para que as compreendamos”. Mesmo sem nunca conseguirmos compreendê-las, é imperativo que o tratamento seja cordial, de amizade, amor, entreajuda, solidariedade, partilha, lealdade, honestidade e essencialmente de respeito pelos seus direitos fundamentais.
 
Que cesse, de uma vez por todas, a violência gratuita e repugnante sobre as mulheres!
 
Orgulhemo-nos das suas especificidades!
 
Orgulhemo-nos da mulher enquanto mulher!
 
Mulher é amor… é alma… é alegria… MULHER É VIDA!
 
* Luís Parente - Professor
 

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