sábado, 24 junho 2017

15 anos dos Forcados de Monforte

Escrito por quarta, 19 agosto 2015 01:48
O último domingo, em Monforte, foi de festa. As bancadas da praça de touros não encheram, mas existiu ambiente de festa e esta vila soube homenagear o grupo de forcados da terra.
 
 Há 15 anos atrás, começou esta grande aventura. Rapazes que gostavam de pegar umas reses de camisa branca e calças de ganga, avançaram para a elaboração de umas fardas e entraram em cartéis de responsabilidade. Entraram nesses cartéis, talvez, um pouco cedo demais, mas era preciso começar por algum lado. Aí, pode ter faltado alguma experiência mas não faltou garra, dedicação e muito coração.

Foto: Câmara Municipal de Monforte

Apareceram tardes e noites complicadas e outras muito bonitas. Aconteceu de tudo. Ganharam-se prémios para melhores pegas e ainda entrou um touro "vivo". Mas tudo isto fez parte de um processo de aprendizagem e consolidação, que hoje permite a este grupo olhar para trás e ter orgulho nestes 15 anos de história. Não são muitos, é certo, mas foram muito duros de conquistar.
 
Estremoz teve e tem, neste grupo, um papel fundamental. Perdi a conta ao número de elementos deste concelho que já se fardaram pelos Amadores de Monforte. Eu próprio, entre 2000 e 2002, tive a honra de vestir esta jaqueta. Foram belos tempos. Estar em praça com mais sete companheiros, mostra-nos um novo significado para a palavra Amizade. Ali, todos têm o mesmo objectivo. A união tem mesmo de fazer a força, para que o oponente não leve a melhor. Partilhamos certos momentos que só compreende quem lá está. É difícil de explicar.
 
Corrida após corrida, este grupo foi conquistando o seu lugar. Touro após touro pegado, estes rapazes foram ganhando o respeito dos agentes da festa brava. Paulo Freire, o cabo fundador, e agora o Ricardo Carrilho, têm liderado este grupo de forma a que a renovação vá existindo. Não é uma tarefa fácil, mas o trabalho de angariação de novos elementos "com coração" para estas coisas, tem sido feito, diga-se, de forma exemplar.
 

Estar em praça com mais sete companheiros, mostra-nos um novo significado para a palavra Amizade. Ali, todos têm o mesmo objectivo. A união tem mesmo de fazer a força, para que o oponente não leve a melhor. Partilhamos certos momentos que só compreende quem lá está. É difícil de explicar.

Neste domingo que passou, o GFA de Monforte deu mais uma prova de coragem. Não falo só da coragem em pegar em solitário seis touros, falo sim de ter avançado para a realização da corrida, quando nenhum empresário o quis fazer. Para que o seu aniversário fosse assinalado como a digna história do grupo merece, o grupo colocou "mãos à obra" e avançou para a realização da corrida. Além da preocupação em pegar seis imponentes touros, os "moços de forcado" tiveram também a seu cargo a negociação de toureiros, touros, angariação de patrocínios, etc. Foi um verdadeiro acto de coragem.
 
Como já aqui disse, a praça não encheu, mas houve touros em Monforte. Quem acompanhou os primeiros tempos desta aventura, deve ter saído da praça satisfeito pelas recordações que esta tarde proporcionou. Fardaram-se cerca de 50 forcados e alguns dos mais velhos fizeram mesmo questão de voltar a enfrentar um touro. Curiosamente, a pega mais "rija" até foi protagonizada por um dos forcados já retirados. Nelson Catambas esteve num dos grandes momentos de uma tarde que até começou por colocar frente a um touro um dos principais forcados "de cara" dos primeiros tempos do grupo. Nuno Martins, o "Chic-nic", com o "Buínho" atrás como em outros tempos, pegou à primeira um exemplar de Paulo Caetano. Foi bonito.
 
Desta vez, assumo que este não é um artigo de opinião. É sim, uma pequena homenagem a todos aqueles que deste grupo fizeram e fazem parte. Como já escrevi, 15 anos nem parece muito. No entanto, para quem acompanhou de perto esta história, esta dezena e meia de anos parecem muitos mais. Aquilo que é mais dificil de conquistar é, naturalmente, mais saboroso.
 
* jornalista José Lameiras
 

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