sexta, 18 agosto 2017

Luís Parente

Quase 12 anos

Quase 12 anos

Há quase 12 anos, durante o mês de Agosto, o meu telefone tocou. Do outro lad ...

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Encontro com Freud - Crónica X

Escrito por domingo, 06 março 2016 15:35
…hoje fui ao serviço de oncologia do hospital de Évora. Tranquilos, fui entregar uma carta, embora uma carta de um dos meus. Entrei no serviço e gelei por completo, quase como quando entrei pela primeira vez no IPO de Lisboa, com a minha amiga Ana Bastos, e dessa vez por um dos dela, que de alguma forma se tornam nossos, porque o que nos liga é mais forte e porque “O” dos nossos, através desse laço, passam a ser nossos também.
 
Ou quando a minha amiga Lena me deu o diagnóstico, acabadinhas de nos conhecermos, ou quando o meu tio Jaime entrou nessa viagem de luta e desespero, ou quando a minha madrinha de Crisma, Lina, recebe a notícia por telefone que iria travar uma nova batalha, ou quando soube do nosso André e um “acreditar coletivo” se instalou nos nossos corações… e quando a luz se apagou… ou quando… entre tantos outros, mais ou menos próximos, (desculpem os que não nomeei, a memória já falha) nos deram momentos de tranquilidade, de serenidade, de paz, porque as batalhas foram sendo vencidas, porque o final feliz estava cada vez mais perto…e sorri, por Vós mas também por mim e talvez tenha tido apenas isto para Vos dar, o meu Sorriso, mesmo interior, principalmente para os que não conheço tão bem.
 

A senhora do atendimento / informação, respondeu a uma das utentes como se estivesse a falar com uma familiar, gostei. Quando me dirigi ao balcão, sorriu, gostei. Quando saí e um senhor se aproximava da máquina das senhas, entreguei a que não cheguei a utilizar, sorriu, gostei. Pequenos gestos, diante de um turbilhão de sentimentos, medos, angústias, tristeza…

… hoje em cada olhar quis tanto ver esperança, Fé, entrega e um sorriso, apenas um sorriso que me dissesse que apesar de tudo, estamos bem, hoje estamos bem. Egoísmo o meu, é difícil confrontar-nos com o sofrimento dos outros e com o nosso, claro! E ser Psicóloga(o) não nos dá imunidade nem tão pouco nos torna vazios de sentimentos e empatia… ainda bem. 
 
A senhora do atendimento / informação, respondeu a uma das utentes como se estivesse a falar com uma familiar, gostei. Quando me dirigi ao balcão, sorriu, gostei. Quando saí e um senhor se aproximava da máquina das senhas, entreguei a que não cheguei a utilizar, sorriu, gostei. Pequenos gestos, diante de um turbilhão de sentimentos, medos, angústias, tristeza… Sorri e quis ficar, quis tanto ficar ali, não, não para saber nada em especial de nenhuma daquelas pessoas, porque sei o suficiente para ter vontade de ficar ali, só ficar. 
 
Enquanto a vida passa, cá fora, entre atropelos, muros, zonas cinzentas, lá dentro o peso da Vida que se quer agarrar é tão grande, que às vezes e quase sempre tem de ser a quatro, seis, oito e infinitas mãos para a segurar e eu quis tanto ficar, só para serem mais duas e sorrirmos! 
 
A todos quanto trabalham, se dedicam, vivem com a Dor do Outro e a Todos quanto nos ensinam que difícil não é impossível.
 
* Psicóloga Helena Chouriço
 

A beleza do amor

Escrito por quinta, 18 fevereiro 2016 00:44
Salomão, no século X a.C., descrevia desta e de outras formas, no seu Cântico dos Cânticos, a beleza feminina:
 
"(...) És um jardim fechado, minha irmã e minha esposa; um jardim fechado, uma fonte selada. Os teus rebentos são um pomar de romãzeiras com frutos deliciosos (...) com todos os bálsamos escolhidos. É fonte de jardim, nascente de água viva (...) Afasta de mim os teus olhos, os olhos que me enlouquecem. Quem é essa que desponta como a aurora, bela como a Lua, fulgurante como o Sol, terrível como as coisas grandiosas? (...) Como és bela, como és desejável, meu amor, com tais delícias(...)" [1] 
 
São muitos os significados alegóricos presentes no magnífico texto desta obra, mas é sobretudo o ideal da beleza da mulher, à época de Salomão, que nos é transmitido através da boca do Esposo, que reconhece e enaltece as graças visíveis e invisíveis da sua Esposa.
 
A beleza feminina e o amor são dois dos temas mais debatidos ao longo da História da Humanidade e que, por isso, serviram de inspiração às artes e à própria vivência humana: a beleza de Eva, que encantou Adão no Jardim do Éden; a beleza da Vénus de Willendorf, cujas formas arredondadas terão certamente encantado os homens de há mais de trinta mil anos; a beleza da Vénus de Milo, que muitos suspiros terá suscitado aos homens da Grécia e da Roma Clássicas; a beleza da fragilidade inatingível das damas dos romances de cavalaria medievais; a beleza mágica das formas proporcionais da mulher renascentista, que tão bem foi retratada por Botticelli em O Nascimento de Vénus ou por Leonardo Da Vinci na sua Mona Lisa; a beleza escondida pelo ornamento excessivo e curvilíneo, embora mais livre e dinâmica, da mulher do período Barroco; o pormenor e o rigor das formas da mulher neoclássica, como Canova os soube transmitir à escultura de Paolina Borghese no início do século XIX; o misto de beleza melancólica e racional das mulheres do Romantismo; a beleza geométrica das mulheres pintadas por Picasso no início do século XX; ou a beleza feminina que nos é hoje trazida diariamente através das inúmeras imagens difundidas em livros e revistas, na televisão ou na Internet.
 
Estes foram apenas alguns dos muitos exemplos que servem para ilustrar o facto de que, tal como em todas as outras matérias do âmbito da estética, também os cânones da beleza feminina são fruto da época e dos homens que a viveram ou vivem. São subjetivos, dependendo do espaço, do tempo e do observador.
 
Aparentemente, a temática do amor é menos complexa que a discussão acerca da beleza e não terá tido grandes alterações ao longo dos tempos. Ainda assim, são conhecidas muitas formas de amor: o amor de mãe, o amor de pai, o amor de filho, o amor de esposo/a, o amor de namorado/a, o amor de amigo/a, o amor platónico, o amor impossível, o amor proibido, o amor livre... entre tantos outros amores e desamores. Mas se considerarmos que associado ao amor há sempre um qualquer tipo de beleza, nem que seja pela beleza que é amar alguém ou alguma coisa, então também todas as formas de amor são subjetivas e se alteram com o tempo, com o espaço e com a vontade dos homens. É também por amor que o Homem intervém na paisagem. Um amor que procura a beleza, a ordem, a proporção, a harmonia... o microcosmos. 
 

Amo a minha vida. A minha vida resume-se a duas pessoas: a minha mulher e a minha filha. Portanto, amo a minha mulher e a minha filha. Para mim, esse é o sentimento mais belo que um ser humano pode ter. Tão importante como a beleza feminina delas, é a forma como entendo no sentimento de amá-las uma beleza subtil e, ao mesmo tempo, intensa.

Uma das mais recentes manifestações da celebração do amor é, precisamente, a comemoração do Dia de São Valentim, que aconteceu há poucos dias. E para comemorar esta data através da escrita, nada me parece mais justo do que falar acerca daquilo que eu amo e da beleza que há nesse amor.
 
Amo a minha vida. A minha vida resume-se a duas pessoas: a minha mulher e a minha filha. Portanto, amo a minha mulher e a minha filha. Para mim, esse é o sentimento mais belo que um ser humano pode ter. Tão importante como a beleza feminina delas, é a forma como entendo no sentimento de amá-las uma beleza subtil e, ao mesmo tempo, intensa.
 
Amo-as na beleza que é estarmos sempre juntos e de fazermos tudo juntos, na beleza que é partilharmos as alegrias e as tristezas, de sofrermos as nossas derrotas e saborearmos as nossas vitórias em conjunto. São elas o meu ideal de beleza feminina, sem que isto nada tenha a ver com o belo pelo belo. A beleza disto está, obviamente, naquilo que estar com elas significa para mim. E, para mim, significa tudo.
 
Se tivesse que descrever a minha filha, compará-la-ia ao Sol. É ela que está no centro do meu Universo. Quem tiver filhos sabe daquilo que falo. Desde o momento em que nascem, a nossa vida gira loucamente em torno deles, tal como os planetas orbitam em torno da sua estrela. A minha filha é a minha estrela e possui o maior brilho do Universo. Admiro a sua energia, a sua maturidade (ainda que seja ainda muito jovem), a sua inteligência e a sua persistência. Gosto de pensar que a minha filha representa também esperança. Esperança pela forma como se traduz na minha eternidade. Através dela, continuarei a viver outras vidas, eternamente. São estas as principais razões da beleza do amor que sinto por ela, que é superior ao amor que sinto pela própria vida.
 
A minha mulher é a minha companheira de todos os momentos. O porto de abrigo a que regresso sempre e que me acolhe após as tormentas do dia-a-dia. A minha confidente e a minha primeira crítica. Amo-a na beleza que é conseguirmos adivinhar os pensamentos um do outro e de darmos por nós a pensarmos exatamente da mesma forma em várias situações. Amo-a na beleza que é ensinarmo-nos mutuamente e pela forma como me tem ajudado a ser um homem melhor. Se a minha filha é o meu Sol, então a minha mulher é a minha Lua. Sinto todos os dias o efeito da força da gravidade que nos atrai mutuamente e que é cada dia mais forte. Completamo-nos. Nela, a beleza reside no facto de saber que estaremos eternamente unidos por este amor.
 
Tal como Salomão, também eu quis dedicar às duas belas Mulheres da minha vida este meu Cântico. Elas já mereciam que as incluísse no meu mundo da escrita. Porque sinto que também já era tempo de lhes dar algo em troca daquilo que me dão todos os dias: a beleza do seu amor incondicional por mim.
 
Arquitecto Paisagista António Serrano - 18-02-2016
 
[1]Excertos da obra "Cântico dos Cânticos", Salomão, século X a.C

A Magia da Rádio

Escrito por quinta, 11 fevereiro 2016 01:16
Há um meio de comunicação que chega, pelo menos, a 75% da população mundial. Chama-se rádio. É de fácil acesso e barato. Ouve-se no carro, em casa, no telemóvel e também na internet. Tem uma ampla cobertura que faz com que em certos locais só a rádio chegue. É, e tem sido ao longo dos anos, uma companhia única para quem dela necessita. 
 
A rádio alterou, para melhor, a forma como comunicamos. Encurtou distâncias e tem espalhado cultura. Apenas tendo o som como arma, do pouco se tem feito muito. Tem sido uma enorme escola para os profissionais da comunicação. Veja-se por onde passaram os comunicadores de maior sucesso em Portugal e alguns ainda por lá andam. Outros, até voltaram. A rádio não tem imagem, nem precisa. Quando apareceu a televisão, pensou-se que era o fim da rádio. Não foi. A rádio manteve o seu público fiel, devido ao compromisso que desde sempre tem assumido com os seus ouvintes. Ligamos o rádio e sabemos que alguém nos fará companhia.
 

A rádio manteve o seu público fiel, devido ao compromisso que desde sempre tem assumido com os seus ouvintes. Ligamos o rádio e sabemos que alguém nos fará companhia.

Apareceu a internet e a rádio fez questão de se reinventar. Aquilo que parecia ser um inimigo, tornou-se um aliado. Com a internet, a rádio fortaleceu-se e ganhou ouvintes. As emissões de rádio online, vieram fazer com que em qualquer parte do mundo, por exemplo, um emigrante possa ouvir a rádio da sua terra. Temos noção do que isso significa? Com a internet, a rádio passou a disponibilizar conteúdos que podem ser descarregados e aproveitados quando o público quiser. É certo que aí já poderemos discutir se ainda é rádio ou não, mas o que é certo é que aquilo que é produzido na rádio vai chegando a cada vez mais pessoas.
 
O Dia Mundial da Rádio, assinalado a 13 de Fevereiro, serve, também, para pararmos para pensar nisto. Aquilo que temos sempre à nossa disposição, por vezes não é valorizado. As rádios locais, principalmente essas, fazem uma ginástica mensal para ter sempre as suas emissões no ar. É um constante desafio, principalmente devido a regras impostas por quem não sai dos gabinetes, manter uma rádio local 24 horas a funcionar. Há apoio estatal, é verdade, mas este "serviço público" poderia e deveria ser mais valorizado. Existem projectos de apoio ao desenvolvimento dos meios de comunicação locais, mas nem todos conseguem concorrer. O trabalho desenvolvido pelas emissoras locais é muitas vezes banalizado por quem tem o poder de decisão a nível nacional. Olha-se para os grandes e bate-se nas costas dos pequenos. Quantos mais jornais e rádios locais serão precisos fechar para que se valorize o trabalho que é feito? As rádios e os jornais locais ajudam a resolver problemas que são pequenos para alguns, mas enormes para outros. Divulgam-se iniciativas, criam-se ondas de solidariedade, informa-se a população, encurtam-se distâncias. É graças às rádios e aos jornais locais que qualquer um de nós poderá ter voz. 
 
Naturalmente, serei suspeito e corro o risco de não ser imparcial ao tocar neste assunto. Fui mordido muito novo por este "bicho" que fica dentro de nós para o resto da vida. Hoje em dia, percebo o significado da expressão "A Magia da Rádio". Foi precisamente essa "magia" que fez milhares de pessoas estarem coladas ao rádio enquanto Artur Agostinho gritava os golos de Eusébio ou enquanto Joaquim Furtado lia um comunicado na noite do 25 de Abril. Apenas a rádio permitia a Olga Cardoso, que morava no mesmo prédio onde trabalhava, fazer a primeira parte do "Despertar" ainda de pijama. 
 
Já corremos de mãos dadas
a mais secreta noite do mundo.
Já subimos ao alto da montanha.
Sabemos todos os nomes do medo e da alegria.
Em ti me transcendo.
Podia morrer nos teus olhos
se nestes dias de cigarras doidas
perderes de vista o meu coração vagabundo.
Dá-me um sinal.
Abraçar-nos-emos de novo
antes dos rigorosos frios.
De novo o grande sobressalto.
O formidável estremecimento dos instantes felizes.
Podia morrer nos teus olhos, amada rádio
Fernando Alves.
 
* José Lameiras - Jornalista
 

Os meus lindos olhos azuis

Escrito por sexta, 05 fevereiro 2016 12:04
Talvez seja muito pretensiosismo da minha parte mas os textos que escrevo, por norma, falam sobre mim e sobre aquilo que penso e sinto. Este, naturalmente, não fugirá à regra e trará, com certeza, arrastado a si um misto de sentimentos que, invariavelmente, abordarão a tristeza mas também a alegria. Neste caso em particular talvez vá expôr um pouco mais da minha vida do que aquilo que eu próprio considero que deveria, ainda assim, como esta minha vida tem sido gerida por sentimentos (impulsos não, sentimentos…) sinto que é assim que devo fazer.
 
Pensei escrever sobre o Carnaval e até sobre o amor visto este ser o mês, per si, dedicado ao amor. No entanto, as circunstâncias da vida fizeram com que efetivamente escrevesse sobre o amor mas noutra perspectiva.
 
Este ano de 2016 não tem sido um ano particularmente positivo para mim. Eu não tenho por costume dividir as acções ou os acontecimentos que envolvem a minha vida por anos, prefiro encará-los por fases, umas mais positivas outras nem por isso, mas o que é certo é que este curto período que compreendeu o início do ano e o momento actual tem sido bastante difícil para mim e para os meus. De hospitais a funerais tem sido “um ver se te avias”. Quero acreditar que é só mais uma fase, mais uma etapa que fará com que haja mais aprendizagem e crescimento. Contudo, para se crescer assim, inevitavelmente haverá sofrimento, sofrimento que pode esbarrar de frente num muro e ficar ali estatelado e guardado num qualquer cantinho do coração sem sequer haver hipóteses de nos reerguermos, ou um sofrimento que, mesmo esbarrando de frente nesse muro nos obriga a levantar e a transpô-lo sem apelo nem agravo com a ansia de o ver atrás das costas e o mais longe possível de forma a esquecer o choque.
 

Pensavas o quê? Que era para ires? Então não vês que não era a hora? Tu não vês que fazes cá falta?

De certeza que à maioria das pessoas o muro já lhe apareceu à frente e o próprio chão já lhes fugiu debaixo dos pés mais do que uma vez. Quando digo isto não o digo por me referir a qualquer tipo de queda, refiro-me aos pontapés que a vida nos dá, às vicissitudes que nos vão surgindo ao longo do nosso percurso.
 
Foi assim que me senti, com o chão a fugir-me debaixo dos pés, quando um médico nos disse, há cerca de duas semanas, que havia rebentado um vaso sanguíneo no cérebro de uma das mais importantes pessoas da minha vida, provocando uma hemorragia cerebral e que a situação se afigurava como grave. As horas que se seguiram a esta notícia foram como se fossem anos, duros anos! Neste tempo tudo nos passa pela cabeça, acreditem, tudo mesmo! E o que mais nos incomoda é a dolorosa pressão de tentar afastar o pensamento de uma possível perda e não conseguir, incomoda-nos o facto de tentar controlar aquele saco lacrimal e o mesmo não respeitar a tentativa fazendo escorrer o líquido incessantemente e sem qualquer tipo de controle. Outra coisa que nos incomoda de sobremaneira é o silêncio, é a ausência de palavras, a ausência de respostas, o porquê. Ao mesmo tempo imaginamos um milhão de respostas, terá sido stress? – sabemos que o stress afecta claramente o cérebro, está provado que o mesmo faz a pressão sanguínea ser maior… terá sido um acumular de tensões? Enfim, um milhão de respostas que não nos dão garantia absolutamente nenhuma de estarem correctas.
 
De entre tantas respostas surgem medos, surgem sensações de completa impotência, surgem arrependimentos… sim arrependimentos por pensarmos que passamos pouco tempo com as pessoas que amamos, por pensarmos que, não raras vezes, nos aborrecemos com situações fúteis, sem qualquer tipo de importância.
Quando às seis da manhã desse dia 24 de janeiro nos dizem que um aneurisma cerebral havia rebentado e que a tentativa de resolução desse problema passaria por uma intervenção cirúrgica a realizar daí a duas horas, nós só queremos que o tempo passe depressa. Só de imaginarmos que num outro fim de semana, com este mesmo problema, um jovem perdeu a vida num qualquer outro hospital de Lisboa por falta de assistência médica, os arrepios sucedem-se, uns a seguir aos outros. De certeza que em circunstâncias idênticas, se crentes, todos rezarão ao seu Deus, senão, pelo menos acreditarão na competência dos profissionais que realizam o seu trabalho em prol dos outros. No meu caso específico, rezei ao meu Deus imaginando que as suas mãos eram as mãos daqueles profissionais, daqueles homens e mulheres do Serviço de Neurocirurgia do Hospital de Santa Maria. E elas estiveram lá… AQUELAS MÃOS ESTIVERAM LÁ, não para levar a esperança para outro lado mas para a trazer até nós.
 
Os serviços de saúde são muitas vezes criticados na praça pública, justa ou injustamente, por eventuais acções de negligência. Quando as boas práticas médicas são na realidade motivo de serem elogiadas, não deve haver pejo em fazê-lo, devem ser enaltecidas e divulgadas. Nesta situação em concreto, aos profissionais de saúde de serviço nesse dia nas urgências do Centro de Saúde de Estremoz, aos do Hospital do Espírito Santo de Évora e até aos do Hospital de Santa Maria em Lisboa é devido o reconhecimento por tudo terem feito para rapidamente serem desenvolvidos todos os mecanismos de apoio a esta situação em si.
 
Situações deste género servem para perceber que somos unidos, servem para perceber que o apoio da família foi precioso para ultrapassar cada degrau e aí, o papel do mano, da esposa e da cunhada têm sido fulcrais para o compreender. Estas situações também servem para perceber que temos amigos e que eles estão cá para o que for preciso.
 
Toda a gente diz que a sua mãe é a melhor do mundo. Vão desculpar-me mas terei que discordar, também tenho a certeza que todos discordarão de mim, e estão no seu direito mas, na realidade, é a minha que é a melhor mãe do mundo! Sim, tu mãe… és a melhor do mundo!
 

Quando às seis da manhã desse dia 24 de janeiro nos dizem que um aneurisma cerebral havia rebentado e que a tentativa de resolução desse problema passaria por uma intervenção cirúrgica a realizar daí a duas horas, nós só queremos que o tempo passe depressa.

Pensavas o quê? Que era para ires? Então não vês que não era a hora? Tu não vês que fazes cá falta? Ainda tens que ensinar as contas de multiplicar e dividir a muita gente… ainda tens muitos teatros para ver… ainda tens que ir muitas vezes aos bailados clássicos e ao cinema… ainda tens que partilhar o teu bom coração com muita gente… ainda tens muito para ensinar e aprender… ainda tens que passear… passear muito.
 
Tu não vês que há muitas pessoas que gostam de ti e que gostam de estar contigo?
 
Muita gente diz que tiveste uma sorte tremenda, parece que foi como se te tivesse saído o euromilhões, eu acredito mais em competência e, sinceramente, acredito que as mãos Dele estavam cá em baixo a guiar as mãos dos outros. O nosso Deus estava contigo, mãe!
 
Já imaginaste como nós nos sentiríamos se ficássemos sozinhos? Sem ti que nos geraste, que nos criaste, que nos ensinaste muito do que somos e do que sabemos, a mim até a ler e escrever foste tu que me ensinaste (esses 4 anos foram difíceis, é verdade. E sempre te disse que preferia ter sido aluno de outro professor… era tudo mentira, não trocava esses anos por nada!)
 
Será que não vês que não poderia amar mais ninguém desta maneira? (E olha que era um desperdício, a sério!)
 
Ainda não percebeste que os meus lindos olhos azuis não são os meus, são os teus?
 
* Professor Luís Parente
 

Faça-se a luz

Escrito por sexta, 22 janeiro 2016 00:37
"No princípio, quando Deus criou os céus e a terra (...) Deus disse: 'Faça-se a luz', e a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas." (Génesis 1: 1-4)
 
Começa assim o extraordinário Livro do Génesis, o primeiro do Antigo Testamento e que se traduz na visão bíblica da criação do Universo, da Terra e da Vida, a partir da luz do Sol.
 
Quer optemos por esta visão criacionista ou por uma perspetiva evolucionista da origem do Universo, o que é certo é que a luz do Sol é essencial à existência da vida, pelo menos na forma, ou nas formas, como a conhecemos. Sem luz, não existiria alternância entre o dia e a noite, a fotossíntese não se poderia realizar, os seres vivos e os corpos inertes não receberiam energia e não a poderiam trocar entre eles, pondo em causa os diversos e complexos sistemas biofísicos do Planeta.
 

Sei que os residentes preferiam não ter a central à porta, por isso, a solução poderia ter passado por terem adquirido o terreno, deixando-o tal como está ou, em alternativa, dando-lhe uma utilização agrícola mais produtiva do que a atual.

Por outro lado, a luz é o principal elemento de construção da paisagem, na medida em que define a forma como a percecionamos. Isto porque a luz natural, proveniente do Sol ou, por vezes, da Lua (que é luz solar refletida) contém um intervalo completo de comprimentos de onda visíveis, conferindo assim cor à paisagem. A quantidade, qualidade e direção da luz tem um efeito importante na nossa perceção da forma, textura e cores. Por isso, não podemos ver o que nos rodeia sem que esteja iluminado, seja de forma natural ou artificial.
 
Para conseguirmos ver o que nos rodeia em ambientes escuros ou durante a noite, é necessário recorrermos à iluminação artificial. Muito antes da existência da eletricidade, a Humanidade recorreu ao uso do fogo para garantir esta iluminação. Hoje em dia, a eletricidade chega-nos a casa através da transformação de diversas fontes de energia (nuclear, hídrica, eólica, das marés, solar...).
 
A energia solar é uma das que apresenta mais vantagens para a obtenção de energia elétrica, pois o recurso Sol é inesgotável, pelo menos à escala da existência de vida na Terra, e porque trata-se de uma fonte de energia limpa, que não polui durante a sua utilização.
 
É de tal forma uma excelente alternativa aos restantes modos de produção de energia elétrica, que por todo o mundo se procuram formas de melhor dela tirar partido, propagando-se a construção de inúmeras centrais fotovoltaicas.
 
Apenas em Estremoz a construção de uma central fotovoltaica na freguesia do Ameixial tem feito correr tinta, em especial nas sessões de Câmara e da Assembleia Municipal, bem como nalgumas publicações que têm dado ao assunto uma certa ênfase, na minha opinião pouco justificável, tendo em conta a própria dimensão da central.
 
Trata-se de um investimento da ordem dos cinco milhões de euros no concelho de Estremoz, de uma forma limpa, eficaz e mais barata de produção de energia elétrica e, principalmente, de um empreendimento que foi devidamente licenciado pela Câmara Municipal, atendendo aos pareceres positivos emanados pelas diversas entidades (Comissão Regional da Reserva Agrícola Nacional, Direção Regional de Cultura, Agência Portuguesa do Ambiente) e depois de verificadas as disposições regulamentares do Plano Diretor Municipal.
 
Qual é, então, o problema? Ao que parece, meia dúzia de residentes serão afetados "pelo forte impacto visual" que os painéis solares irão provocar na paisagem envolvente. Isso foi suficiente para grandes notícias em "jornais especializados" e para amplas discussões nos órgãos da autarquia, estas últimas, em meu entender, com o único objetivo de tirar partido político da situação.
 
Os residentes afetados, na maioria apenas ao fim-de-semana, dizem sentir-se incomodados com a implantação dos painéis à porta de casa e num terreno com "elevada aptidão agrícola", sugerindo a sua deslocalização para qualquer outro lugar. Aqui colocam-se dois problemas. Por um lado, que se saiba, nos últimos anos o terreno em questão tem estado em pousio, logo não tem sido aproveitado para quaisquer fins agrícolas. Por outro lado, quaisquer outras soluções alternativas para a localização do empreendimento iriam afetar outras pessoas ou provocar outros impactos ambientais noutros locais. O assunto continuaria por resolver. Sei que os residentes preferiam não ter a central à porta, por isso, a solução poderia ter passado por terem adquirido o terreno, deixando-o tal como está ou, em alternativa, dando-lhe uma utilização agrícola mais produtiva do que a atual.
 

Quanto aos políticos locais afetados, já estranho mais a sua posição, ao votarem contra a implantação do empreendimento. (...) Talvez estes políticos locais, que queriam chumbar a instalação da central no concelho de Estremoz, não tenham lido os programas nacionais e as grandes opções dos partidos políticos que lhe dão a oportunidade de ter uma intervenção na vida política municipal.

Os residentes e os políticos alegam ainda a proximidade ao Padrão e ao Terreiro da Batalha do Ameixial, classificado como monumento nacional, e o impacto visual que a central terá nos mesmos e na paisagem envolvente, facto que a Direção Regional de Cultura do Alentejo, que tem a tutela da proteção do património classificado, não considerou relevante. A este propósito da defesa do património, houve até lugar à tentativa de envolvimento do Presidente da Entidade Regional de Turismo nesta situação. Como se a ERT tivesse, em algum momento, que ser consultada ou como se o Terreiro da Batalha do Ameixial fosse um importante recurso turístico do concelho de Estremoz, visitado anualmente por milhares de turistas. Não me espanta, por isso, a "surpresa" de Ceia da Silva, quando confrontado por um jornal local acerca da central fotovoltaica, nem o facto de não ter sido visto nem achado em todo o processo.
 
Quanto aos políticos locais afetados, já estranho mais a sua posição, ao votarem contra a implantação do empreendimento. E ainda mais, quando em todo o mundo se procuram formas alternativas de produção de energia limpa, quando a União Europeia faz todos os esforços nesse sentido e quando os sucessivos programas dos governos nacionais, incluindo o atual, apontam como prioridade o investimento neste tipo de soluções de produção de energia elétrica. Talvez estes políticos locais, que queriam chumbar a instalação da central no concelho de Estremoz, não tenham lido os programas nacionais e as grandes opções dos partidos políticos que lhe dão a oportunidade de ter uma intervenção na vida política municipal.
 
Ou talvez os políticos locais prefiram apostar no regresso da iluminação à base de candeias de azeite e, assim, apontem como solução para aquele espaço a plantação de um enorme olival, uma forma de devolver ao terreno a sua aptidão agrícola e um verdadeiro ícone da paisagem mediterrânica. 
 
É caso para dizer, como dizem que disse o Criador: "faça-se luz nas suas mentes, para acabar de uma vez por todas com as trevas..."
 
* Arquiteto-Paisagista António Serrano
 
 

Encontro com Freud - Crónica IX

Escrito por quinta, 21 janeiro 2016 23:50
…”encontro com Freud” de hoje tem título “Quando te divorciei do nosso filho”, a Alienação Parental existe e já é tempo de proteger as crianças e jovens deste “terrorismo” psíquico e emocional, cujas consequências a médio e longo prazo, poderão ser demasiado penosas e irreversíveis. A Alienação Parental, tal como se nos apresenta, é induzir na criança a “inexistência” de um dos progenitores. Como é possível? As formas com que se apresenta são variadas, culpabilizar o progenitor que pretendemos “matar” pela separação dos pais, fantasiar situações de maus-tratos e abusos que supostamente o progenitor “morto” terá cometido à criança entre outras, sempre de forma sistemática e persuasiva. Primeiro objectivo, atingir de forma deliberada o progenitor que se pretende “apagar” da memória da criança paralelamente às vivências do mesmo com essa mesma figura.
 

As Crianças Merecem que façamos muito mais, e aos pais que resolvam as suas questões pessoais utilizando os meios adequados, e nunca, jamais, OS SEUS PRÓPRIOS FILHOS.

O divórcio dos pais pode aparecer como um cataclismo para a criança, sobretudo quando nada deixa prever esse acontecimento. De algum modo ela deseja a separação parental, no entanto, nos casos de violência grave, afectivamente ela deseja a continuidade da vida em comum, mas intelectualmente sabe que a separação é inevitável. O que aqui importa é que havendo ruptura na ligação parental esta não implica ruptura entre os pais e a criança. Ela precisa também saber como é que a sua vida vai decorrer no futuro, pois o desconhecido causa-lhe receios. O sofrimento da criança é real, aparecendo fortes sentimentos de culpabilidade, sentimentos de agressividade para o que desejou a separação e proximidade para com aquele que sofre as consequências da mesma. É urgente desmistificar a culpabilização da criança face à ruptura parental e mais urgente será, não apontar responsabilidades ao progenitor que toma essa decisão, criando além dos sentimentos inerentes à separação, o do abandono por parte desse mesmo progenitor.
 
Depois da separação, a criança deverá fazer o luto da vida anterior e não o luto de um dos progenitores como nestes casos tantas vezes acontece. A partir desta altura vai definir-se em função de dois pólos, desenvolvendo-se a partir do interesse criado pelos seus pais. Porém, se os conflitos persistem e um dos progenitores trabalha no sentido de “apagar” o outro da vida da criança, a dificuldade vai aumentar com o sentimento de desvalorização da criança.
 
Alguns pais neuróticos podem ser tão perniciosos para a criança quanto um progenitor doente mental. Enquanto este vê a criança num quadro protegido, o primeiro vê a criança sem nenhum observador. A nível da psicopatologia parental existem dois tipos de manifestações: as perturbações anteriores e as que aparecem depois da separação e que são uma reacção pós-traumática individual ou colectiva, as crianças, não podem ser utilizadas, de forma,  irracional, narcísica e egocêntrica, não é e nunca será a criança a divorciar-se.
 
Quando as perturbações aparecem na vida em comum são frequentemente problemas psicóticos que motivaram a parentalidade. Nessa altura há necessidade de avaliar as capacidades parentais e evitar que a criança assista a manifestações traumatizantes.
 
Alguns pais continuam a guerra após a separação, porque o conflito alimenta as suas necessidades psíquicas. As leis não são respeitadas e muitas vezes estão acima das leis pois consideram que são o progenitor que sabe o que é melhor para a criança, exercendo sobre a mesma chantagem emocional e reforçando a incapacidade do outro progenitor enquanto cuidador e protector.
 
O progenitor denegativo é aquele que se atribui todas as qualidades parentais varrendo o outro da cena relacional com a criança. É o caso dos pais dissimuladores que vão utilizar o sistema judiciário posicionando-se como vítimas e impondo à criança escolhas impossíveis.
 
O papel da criança é diferenciado, isto é, há a criança que utiliza a estratégia de desempenhar o papel de “criança” pondo os pais numa atitude de rivalidade e obrigando-os, desta forma, a comunicar sobre a atitude educativa. A criança “adulta” é aquela que inventa mil estratagemas para manter o contacto parental. A criança “terapeuta” é aquela que se ocupa de um progenitor que teve dificuldades em superar a separação, são crianças que necessitarão de um apoio psicológico mais tarde. A criança “vingativa” ultrapassa linhas fronteiriças, denunciando inclusive comportamentos violentos, maus-tratos, abusos por parte do outro progenitor que nunca foram praticados. A criança “objecto” tem uma personalidade só para responder ao desejo parental e, sobretudo, daquele ferido narcisicamente. Se a criança não se valoriza, torna-se perigoso pois poderá ir do delito ao abuso como forma de empatia com o suposto progenitor vitimizado.
 

Em nome de que “Amor” teremos o direito de provocar tamanho sofrimento, em nome de que “Amor” teremos o direito de privar as crianças de um bem tão precioso, como o de ter Mãe e Pai, independentemente de haver ou não relação parental.

Em qualquer dos casos, as consequências são nefastas para as crianças colocando em risco a sua saúde mental e desenvolvimento. Pode provocar danos, emocionais, afectivos, relacionais, cognitivos e comportamentais.
 
Em nome de que “Amor” teremos o direito de provocar tamanho sofrimento, em nome de que “Amor” teremos o direito de privar as crianças de um bem tão precioso, como o de ter Mãe e Pai, independentemente de haver ou não relação parental. 
 
É urgente legislação, como forma de evitar demasiadas vezes, decisões judiciais desadequadas e inconsequentes.
 
Alienação Parental é: 
I – realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade;
II – dificultar o exercício da autoridade parental;
III – dificultar o contato da criança ou adolescente com genitor;
IV – dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar;
V – omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;
VI – apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou o adolescente;
VII – mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós.
 
Vale ressaltar que não se trata de rol taxativo, havendo a possibilidade, ainda, de atos diversos declarados pelo Juiz ou constatados por perícia.
As consequências são gravíssimas: as suas vítimas são mais propensas a:
a) Apresentar distúrbios psicológicos como depressão, ansiedade e pânico;
b) Utilizar drogas e álcool como forma de aliviar a dor e a culpa;
c) Cometer suicídio;
d) Não conseguir uma relação estável quando adulta;
e) Possuir problemas de género, em função da desqualificação do genitor atacado; 
f) Repetir o mesmo comportamento quando tiver filhos.
 
As Crianças Merecem que façamos muito mais, e aos pais que resolvam as suas questões pessoais utilizando os meios adequados, e nunca, jamais, OS SEUS PRÓPRIOS FILHOS.
 
* Psicóloga Helena Chouriço
 
 

Para ti, "Rei das Tabelas"

Escrito por quinta, 14 janeiro 2016 23:56
Uma vez disseste-me: "Isto é duro mas eu vou conseguir". Acreditei. Acreditei mesmo. E não acreditei só porque sim. Acreditei porque conhecia a tua força. Conhecia a tua forma de encarar a vida e as contrariedades. Sabia que ias lutar contra a doença com a mesma força que levantavas pesos no ginásio que montaste na parte de cima da tua casa. Conhecia-te como um lutador. Eu e os nossos colegas do hóquei brincávamos contigo quando dizíamos que eras o "Rei das Tabelas". O que é certo, é que era aí que tu mostravas a tua força e os adversários ficavam colados ao chão. A bola era sempre tua, apesar de às vezes os árbitros acharem que era falta. Gostavas de te colocar à prova. Gostavas de ver quem era o mais "cavalão".

Já passou um ano. Um ano sem ouvir as tuas "parvoeiras". Sim, tu fazias questão de chegar e dizer qualquer coisa. Nem que fosse: "Epá, tens uma blusa do caparro, mas só te falta o caparro". Fazias questão de dizer sempre algo para melhorar o ambiente. Quando nos juntávamos, e ultimamente já eram poucas vezes, surgiam logo as histórias de outro tempo acompanhadas de gargalhadas. Basicamente, tínhamos outra vez 10 ou 15 anos. A mim, particularmente, volta e meia dizias-me:"estás mais magro...aí uns 200 gramas". 
 
Fizeste bem a muita gente. Não era preciso ver o Facebook no dia em que foste embora para perceber isso. Foste um exemplo pela luta que travaste contra um adversário que tinha outro tipo de argumentos. Argumentos esses, que muitas vezes, e com muito sofrimento, conseguiste contornar. Lembro-me de te visitar no IPO, através de uma janela de vidro e de aí falar contigo ao telefone. Saí de lá, desejando nunca mais lá voltar e muito triste por ver um amigo assim. Foi já há algum tempo, é certo, mas nunca mais esqueci esse dia. 
 

Um abraço, "Rei das Tabelas", daqui até ao céu.

Há um ano atrás veio a notícia inesperada. Não queria acreditar, pois tinha estado contigo há relativamente pouco tempo e tal desfecho não me parecia possível. Mas aconteceu. O "Rei das Tabelas" tinha perdido a guerra contra um adversário terrível. Ganhaste muitas batalhas mas perdeste a guerra. Caíste, é certo, mas de pé. Tal e qual como nos tempos em que jogávamos hóquei. Nós até podíamos perder, e perdemos muitas vezes, mas eles tinham de ser muito mais fortes do que nós, porque nós lutávamos muito. Foi assim que tu lutaste, até ao fim.
 
Um ano depois, não mereces ser esquecido. Nunca o vais ser. Fosse no trabalho, no hóquei, ou noutro sítio qualquer, nunca foste apenas mais um. Eras tu. 
 
Um abraço, "Rei das Tabelas", daqui até ao céu.
 
* Jornalista José Lameiras

O Tempo dos nossos Tempos

Escrito por domingo, 10 janeiro 2016 02:03
A visualização de um pequeno vídeo do surpreendentemente humilde ex-presidente da república do Uruguai, José Mujica sobre os valores da sociedade actual e a forma como vivemos o tempo, fez com que eu próprio explorasse um pouco este assunto. Mas, para que melhor se entenda aquilo a que me refiro, talvez seja melhor reproduzir aqui as suas próprias palavras:
Inventámos uma sociedade de consumo em que a economia tem que crescer ou acontece uma tragédia. Inventamos uma montanha de consumos supérfluos… mas o que se gasta é tempo de vida. Quando compro algo, ou tu, não pagamos com dinheiro, pagamos com o tempo de vida que tivemos de gastar para ter aquele dinheiro. Mas com uma diferença, tudo se compra menos a vida. A vida gasta-se e é lamentável desperdiçar a vida para perder a liberdade.”
 
De facto, esta azáfama em que se vive e estes valores temporais que nos tentam incutir nos dias de hoje, só nos faz mesmo… passar tempo. Não conseguimos sequer aproveitá-lo para as coisas que realmente interessam, para as coisas que nos dão gozo, para as coisas que são efectivamente importantes para nós.
 

Não queiramos que o tempo passe tão depressa, há coisas que nos vão fazer ter saudades, mesmo sabendo que tudo valeu a pena vão fazer-nos ter saudades. Todo o tempo passado já não volta a passar pelo nosso tempo (pelo menos tal como o conhecemos), mas se o vivermos à pressa nem sequer conseguiremos saborear o momento.

O tempo consome-nos, as distracções desta e de outras vidas são mais que muitas.
 
O tempo voa e muita gente não consegue encontrá-lo para simplesmente ser feliz. 
 
O tempo passa, e passa tão velozmente que quando nos apercebemos que queremos chorar, que queremos rir, estar, amar, sorrir, que queremos tão somente olhar ou viver, o tempo já passou por nós e o tempo que passa já não regressa, só tem bilhete de ida. Quando nos apercebemos disso já ele nos ultrapassou a toda a velocidade e levou também consigo a vida que não vivemos. De certa forma, por vezes, chega a deixar-nos um amargo de boca o facto de não conseguirmos recuperá-lo, mas não conseguimos mesmo, já se perdeu, e aquele que se perdeu foi aquele que já passou.
 
O tempo urge e outros gostariam de ter mais tempo… mais tempo para perder, mais tempo para ganhar, gostariam de ter a liberdade de poder gastá-lo, vivê-lo, aproveitá-lo, senti-lo e até mesmo poder matá-lo. Mas será que não se tem mesmo essa liberdade? Eu não acredito, de todo! Cheguei à conclusão que a frase “Não tenho tempo!” pode ser uma autêntica treta! Toda a gente tem, à partida, o mesmo tempo, a sua forma de gestão é que pode diferir… o ritmo com que o mesmo se gasta é que pode ditar a liberdade que se tem para o gerir. Esqueçamo-nos então da ideia de que não se tem tempo e façamos nós o nosso próprio tempo.
 
Se repararmos o tempo está em tudo o que fazemos, está naquilo que sentimos, no que lemos. Quem não reconhece o trava-línguas “O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem”? O tempo está em todo o lado. Aqui por Estremoz, por exemplo, está inscrito aos pés da imagem do deus Saturno, num dos ex libris da cidade, no conhecido Lago do Gadanha, o texto “Corre o tempo velozmente, como a água da corrente. Nós também da mesma sorte, correndo vamos à morte.”
 
O tempo é, na realidade, o momento, desaparece num ápice, é verdade, mas é o momento. Uns dizem que é dinheiro, outros classificam-no de ouro. Nenhuma destas classificações se pode deixar de considerar verdadeira, porém, para mim é muito mais do que isso, para mim o tempo é professor. Ele ensina-nos tanto! Traz-nos tanta coisa!… A mim trouxe-me responsabilidade, trouxe-me a maturidade que quase não tive quando, por exemplo, nasceu a Mariana, trouxe-me a maturidade que começou a desenvolver-se mais rapidamente quando depois apareceu a Matilde e mais tarde o Miguel. Se querem que vos diga, 28 anos de tempo passado não me trouxeram a capacidade de ter a maturidade necessária para perceber, nessa altura, o que era um filho. Agora sim tenho a noção de a ter desenvolvido, foi também o tempo que ma trouxe, mas não ma trouxe sozinha, transportou consigo a experiência para que hoje o possa compreender.
 
Para ser sincero imagino o tempo de cada pessoa incrustado num chip dentro de cada um dos nossos corpos com uma espécie de cronómetro que começa a funcionar num acto de amor e que vai passando, segundo a segundo, minuto a minuto, hora a hora, dia a dia… sem nunca sabermos quando a energia acaba, sem nunca sabermos sequer quando se desliga, quiçá para sempre.
 

Se querem que vos diga, 28 anos de tempo passado não me trouxeram a capacidade de ter a maturidade necessária para perceber, nessa altura, o que era um filho. Agora sim tenho a noção de a ter desenvolvido, foi também o tempo que ma trouxe, mas não ma trouxe sozinha, transportou consigo a experiência para que hoje o possa compreender

É por isso que o tempo enquanto é tempo tem que ser doce, suave… o tempo enquanto é tempo tem que ser vivido calmamente e o nosso foco tem que estar cada vez mais direccionado para a positividade, para o que nos faça bem, para as nossas pequenas conquistas, para a simplicidade de um sorriso, de um gesto, de um abraço.
 
Não queiramos que o tempo passe tão depressa, há coisas que nos vão fazer ter saudades, mesmo sabendo que tudo valeu a pena vão fazer-nos ter saudades. Todo o tempo passado já não volta a passar pelo nosso tempo (pelo menos tal como o conhecemos), mas se o vivermos à pressa nem sequer conseguiremos saborear o momento.
 
O melhor tempo da minha vida é aquele que aproveito para passar com os meus filhos. Eu tento, a sério que tento que ele não passe tão depressa, chego mesmo a pensar que a pressa dele não é a minha pressa, mas o que é certo é que ele corre mais depressa do que eu e quando dou por isso ele já foi, no fumo dos dias, das horas, dos minutos, dos segundos e a única coisa que fica é o rasto da memória. Na verdade nós aprendemos a viver com isto mas reflectindo bem, o que efectivamente mais importa é sabermos viver o tempo que aí vem, ainda que guardemos as memórias do que se esfumou.
 
Professor Luís Parente
 

Encontro com Freud - Crónica VIII

Escrito por sábado, 02 janeiro 2016 10:57

…”encontrei-me com Freud” para refletir sobre o meu Ano Novo, a experiência de alguém que se considera católica, que acredita num Deus de Amor, e aqui incluo todas as definições do que é o Amor, para cada um de nós, desde que, e isso Freud também explica, seja saudavelmente vivido com os demais, até com Deus.
 

Até hoje não sei se sei rezar, a Fé é um mistério que humildemente penso por vezes ter mas tal como disse nas redes sociais, há sentimentos que não conseguimos transformar em palavras e foi o que vivi ontem/hoje em Fátima.

Como muitos dos meus familiares e amigos sabem, esperei por 2016 em Fátima, altar do mundo, local de culto, meditação, de encontro e de ir ao encontro de algo, alguém ou apenas estar… Levei todos, os que acreditam e os que não, e na troca de olhar entre mim (grão de areia) e a Mãe do Céu, pensei em todos… Que me perdoem os que não acreditam, mas o meu Deus e a Mãe do Céu não se importam com isso e compreendem e aceitam e sabem… porque o meu Deus sabe melhor que eu, o que sinto, o que penso, o que quero, o que preciso e não, muito antes de mim.
 
Há sofrimento, há tristeza e sempre haverá, porque a vida é uma complexidade de estares e de vivências, e o meu Deus percebe as coisas, todas as coisas, mas como um bom amigo insiste em estar comigo em todos os momentos, mesmo naqueles em que não o quero por perto, não gosto Dele e não aceito essas tais coisas que Ele percebe e eu já não…
 
Até hoje não sei se sei rezar, a Fé é um mistério que humildemente penso por vezes ter mas tal como disse nas redes sociais, há sentimentos que não conseguimos transformar em palavras e foi o que vivi em Fátima.
 
Deixo-vos uma frase que li em 2009, “Amo-te, assim como tu és”.
 
Feliz Ano Novo para todos, todos os Anos.
 
Helena Chouriço - Psicóloga
 
 

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